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PESQUISA: Safra de soja do Brasil será recorde, com chuvas aguardadas

De acordo com avaliações de 12 analistas, a área plantada pode até crescer mais do que o previsto atualmente, considerando os preços recordes da oleaginosa no país

NOTÍCIAS AGRÍCOLAS

07 de Outubro de 2020 às 17:06

Foto: Divulgação

O atraso no plantio de soja do Brasil registrado neste início dos trabalhos da safra 2020/21 não alterou previsões de colheita no maior produtor e exportador global da oleaginosa, com uma pesquisa da Reuters apontando o recorde de 132,25 milhões de toneladas.
 
De acordo com avaliações de 12 analistas, a área plantada pode até crescer mais do que o previsto atualmente, considerando os preços recordes da oleaginosa no país. Na comparação com sondagem da Reuters publicada em setembro, a projeção de plantio ficou praticamente estável, contudo.
 
Com algumas poucas reavaliações nas projeções de analistas e uma intensificação de chuvas esperada para a próxima semana, a pesquisa mostrou uma estimativa de safra 550 mil toneladas acima do levantamento anterior (veja tabela abaixo).
 
Se o tempo colaborar, o país poderia produzir 7,5 milhões de tonelada a mais do que na temporada anterior, quando a seca reduziu fortemente a safra do Rio Grande do Sul, conforme os dados.
 
"Acho que o relatório de outubro vai trazer área maior do que essa. E para a soja não tem problema algum esse atraso no início do plantio", disse o coordenador de Grãos da consultoria Datagro, Flávio França Junior, lembrando que há previsão de chuvas para a próxima semana, o que permitirá o desenvolvimento dos trabalhos.
 
Até a semana passada produtores do Brasil tinham semeado 1% da área total, conforme números da consultoria Céleres, ante 6,5% do mesmo período do ano passado.
 
"Ainda é cedo para dizermos que a produtividade será prejudicada por esse atraso. Se o volume de chuvas se normalizar nas próximas semanas, a tendência é vermos os produtores acelerarem o ritmo de plantio e recuperarem esse atraso", disse a analista Daniely Santos, da Céleres.
 
Para o especialista em Commodities da Refinitiv, Anderson Nacaxe, o período seco preocupa, mas o setor tem máquinas que permitem uma rápida reação.
 
"Com chuvas previstas para semana que vem, acreditamos que a janela de plantio deva se iniciar e passamos a ficar de olho no período imediatamente seguinte, onde de fato uma seca atrapalharia a germinação", completou Nacaxe.
 
O analista Aedson Pereira, da IHS Markit, destacou que o atraso no plantio poderia mexer na intenção da segunda safra, de milho ou algodão.
 
"Áreas de algodão de segunda safra podem registrar forte retração, cedendo espaço para milho", afirmou ele, lembrando que a pluma tem um ciclo mais longo e precisa ser semeada antes em regiões de Mato Grosso.
 
Na quinta-feira, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deverá divulgar uma nova projeção para a safra de grãos 2020/21, incluindo a soja.
 
ÁREA MAIOR
 
Pereira também pontuou que o atraso da soja deve sim colaborar para uma maior janela de exportação dos Estados Unidos, visto que a soja brasileira entrará mais tarde no mercado. "Já que o Brasil não terá grande disponibilidade de soja em janeiro até meados de fevereiro", destacou.
 
Mais cedo nesta semana, a consultoria AgRural havia chamado a atenção para o comprometimento da oferta brasileira em janeiro, com o atraso do plantio, o que beneficia norte-americanos.
 
Para o analista Luiz Fernando Roque, da Safras & Mercado, a produtividade esperada foi mantida, mas ele alertou que a intenção de plantio poderá ser alterada positivamente.
 
"Se mudar (nosso número) vai ser na área ao longo do plantio, percebemos que a intenção pode ser um pouco maior. Nas últimas semanas falamos com um pessoal que vê um pouco mais (área) no Rio Grande do Sul e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)."
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