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ALTA: Escassez de soja no 2º semestre irá oferecer preços ainda mais elevados

Apesar da baixa disponibilidade de soja da safra 2019/20 do Brasil, as negociações continuam no país e ainda indicando bons momentos para o produtor brasileiro diante de todas as oportunidade que a oleaginosa, como produto em si, oferece.

NOTÍCIAS AGRÍCOLAS

24 de Abril de 2020 às 15:12

Foto: Divulgação

NOTÍCIAS AGRÍCOLAS - Segundo explica Liones Severo, diretor do SIMConsult, a soja é a commodity que registra o menor desgaste com a crise global instalada e promovida pela pandemia do coronavírus. 
 
"Embora os chineses ainda tenham adquirido dois navios de soja brasileira para agosto e setembro, eles já não encontram grandes volumes aqui porque a safra 2020 está com a oferta drasticamente reduzida", diz. "A China continua negociando, mas como a oferta está muito reduzida, a prospectiva escassez de soja no segundo semestre, certamente, irá oferecer preços ainda mais elevados", completa.
 
E Severo afirma que não só as exportações brasileiras são fortes, como a demanda interna também sustenta seu potencial. "A China vai continuar importando muita carne e precisam suprir o farelo para as rações", diz. Voltando da realidade dos isolamentos sociais e quarentenas, a agroindústria na nação asiática começa a se reestabelecer e a trabalhar para garantir o abastecimento e recomposição de estoques. Mais do que o coronavírus, os planteis chineses também precisam ser refeitos depois de serem duramente reduzidos pela Peste Suína Africana - que ainda contabiliza novos casos no país, que é o maior consumidor mundial de carne de porco - e pela gripe aviária. 
 
Essa maior competitividade da soja brasileira se dá, principamente, pela qualidade premiada do produto nacional, bem como pelo diferencial dos fretes oceânicos, que atualmente ficam abaixo de seus concorrentes, ainda como explica o especialista. Mais do que isso, em termos de preços, o Brasil também sai na frente dos EUA.
 
"A soja norte-americana não consegue competir em preço com o produto brasileiro. Do contrário, ofereceriam a um preço abaixo do produto brasileiro e ganhariam todos os mercados, inclusive a China. Acontece que não conseguem baixar mais o preço sob risco de não poderem continuar mais na atividade. O mesmo se pode dizer de outras origens, principalmente a Argentina. Essa afirmação é tão verdadeira que, nos últimos 4 anos, perderam, praticamente, todos os mercados mundiais de consumo para o produto brasileiro", afirma o consultor. 
 
Diante de disponibilidade ainda presente da soja brasileira, Severo acredita que não existirá potencial comprador para a oleaginosa dos EUA, "que se tornou um mercado coadjuvante e a melhor opção seria reduzir a área de plantio". O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) estima a área semeada com soja nos EUA em 33,8 milhões de hectares. Confirmada, a área irá superar em cerca de 10% a área de 2019, ano que os produtores norte-americanos sofreram adversidades climáticas bastante duras, que reduziram de forma substancial de uma forma geral entre suas principais culturas de verão. 
 
Assim, o diretor do SIMConsult volta a afirmar que as negociações continuam acontecendo, já que os compradores precisam de de cobertura para os mercados externos e internos. Já sobre a safra 2020/21, que também tem elevado percentual comprometido, os negócios perderam um pouco mais de ritmo, com riscos se mostrando mais latentes, como explica Severo, nos últimos dias. 
 
"Para 2020/21 não recomendo vendas solteiras para agora, com excepcionalidade para vendas casadas com compra dos insumos", orienta o diretor do SIMConsult.
 
 
BONS PREÇOS X BONS NEGÓCIOS
 
Na análise de Liones Severo, embora os preços da soja brasileira tenham alcançado referências historicamente altas, nem todos os produtores conseguiram fazer médias tão boas quanto estas referências. 
 
"Considera-se que 30% da soja foi vendida entre R$ 80,00 e R$ 86,00 e mais 40% entre R$ 86,00 e R$ 94,00, muito pouco acima dos R$ 100,00 por saca (considerando preços base portos)", diz Severo. "As diferenças de preços são imensas. Quem vendeu a R$ 80,00 está deixando R$ 26,00 reais por saco para trás, a R$ 86 deixou 20,00, e assim sucessivamente. O valor nominal foi o mais alto da história, mas isto não significa que houve bom aproveitamento desses preços", analista o consultor.
 
NÚMEROS DA EXPORTAÇÃO
 
De acordo com números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), os embarques de soja do Brasil no acumulado de 2020 já somam, até a terceira semana de abril, 27,12 milhões de toneladas, contra pouco mais de 21,5 milhões. Todo o complexo soja acumula 31,7 milhões, enquanto em 2019, nesse mesmo período, eram 26,4 milhões de toneladas. 
 
Severo estima as importações de soja da China neste ano em 96 milhões de toneladas, com a reconstrução de estoques na qual trabalha a nação asiática. "As estimativas atuais já apontam para 93 milhões, mas os embarques estão mostrando muito mais. A soja que estão comprando nos EUA é para reserva porque tem baixa umidade", completa.
 
E o especialista ainda destaca algumas características da soja que a permite passar por este momento de crise com tamanha resiliência.
 
"O subproduto farelo é o melhor insumo para a produção de proteína animal, principal alimentador de todos os rebanhos e cardumes. O óleo de soja tem melhor digestibilidade do que a maioria dos óleos comestíveis, sendo o preferido pela China e Índia, os maiores importadores mundiais de óleos comestíveis", diz.
 
E complementa dizendo que "os principais consumidores estão na Ásia Pacifico, importam cerca de 120 milhões de toneladas de soja em grão, restando apenas 30 milhões da oferta exportadora global para os demais países globais, principalmente a União Europeia, que importar cerca de 15 milhões. América Central, Oriente Médio e África dividem os restantes 15".
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