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Democracia e politicagem não se misturam - Por Valdemir Caldas

Por Valdemir Caldas

Por Valdemir Caldas

23 de Abril de 2020 às 11:12

Atualizada em : 23 de Abril de 2020 às 11:13

Foto: Divulgação

Nos últimos dias, muito se tem dito e escrito sobre democracia. E ai, eu pergunto: será que estamos construindo, no Brasil, a democracia dos nossos sonhos, aquela que verdadeiramente queremos e pela qual muitos brasileiros sacrificaram a própria vida? É possível conciliar um projeto sério de desenvolvimento nacional com um regime carcomido pela podridão da corrupção, evidenciada em atos e ações de políticos canalhas, autoridades cúpidas e administradores públicos irresponsáveis, que se não pejam em meter as mãos sujas no erário, como se ele fosse um repasto à satisfação de seus mesquinhos privilégios? Como manter os mais elementares princípios republicanos da honradez, quando a árvore já se revelou completamente podre? Até quando teremos de conviver com inquietações e condutas profundamente incompatíveis com a ática no trato da coisa pública?
 
Essas reflexões vêm a propósito de vários episódios que marcaram a semana que se foi e, consequentemente, calaram fundo no coração de muita gente. Em tempos de pandemia, o alvo preferido das investidas tem sido os recursos da saúde, destinados ao combate do coronavírus. A situação alcança tamanha gravidade que se já fala na criação de CPI’s para apurar eventuais ilicitudes. E a apuração dos fatos precisa ser levada às ultimas consequências, doe em quem doer, atinja quem atingir, não importa o perfil ideológico, classe social, cor, sexo ou credo. A população já deixou claro que não aceita mais esse negócio de empurrar o lixo para debaixo do tapete. Não foi à toa que a população saiu às ruas para pedir a prisão de um ex-presidente da República que não soube honrar o cargo.
 
Não se discute a importância da democracia como exercício da soberania, da liberdade e da igualdade social, mas é preciso compreender que ela não se esgota na digitação do teclado da urna eletrônica. Vai mais além, onde a corrupção, a politica do “é dando que se recebe”, do empreguismo, do fanatismo ideológico, não têm vez.  Não adiante, portanto, encher a boca para falar de democracia, quando temos um Congresso Nacional (com as devidas exceções) que insiste em virar as costas para a sociedade, adotando uma postura irresponsável ao travar a tramitação de projetos que interessam não ao presidente Bolsonaro e ao seu governo, mas à Nação, numa clara demonstração de que não está nem ai para as necessidades do povo, quando, na verdade, deveria nortear suas ações mediante critérios técnicos, como é sua atribuição. Em vez disso, mistura democracia com politicagem.
Direito ao esquecimento

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