A arborização urbana desempenha importante papel na manutenção da qualidade ambiental das cidades
Foto: Divulgação
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Cidades são ilhas de calor
Ubiratan Pereira
Engenheiro Florestal
Esta frase não é de minha autoria, mas de um trabalho de pesquisa realizada pela UNESP, onde foram pesquisadas várias cidades, incluindo algumas em outros países.
A conclusão parece óbvia, pois as cidades ao introduzirem prédios, pavimentos nas vias e outros equipamentos, tornam-se mais quentes. Qual o remédio para combater isso?
Para combater o calor nas cidades o remédio é arborização.
A arborização urbana desempenha importante papel na manutenção da qualidade ambiental das cidades, deveria ser tratada como serviço urbano essencial, junto a fornecimento de água, coleta de esgoto, coleta, destinação e tratamento do lixo urbano e combate a vetores de doenças. Nesta cesta que compõem o saneamento ambiental das cidades precismos incluir sim a arborização urbana.
A arborização urbana proporciona proteção das radiações solares, de ventos em demasia, melhora a estética da cidade, atração e proteção à avifauna, bem como melhoria na dieta da população. Podemos dizer também que a arborização urbana tem como objetivo trazer às cidades o ambiente das florestas.
As árvores são como bombas hidráulicas, retiram a água do solo e jogam no Ar, tornando-o mais úmido e agradável. O famoso Ar fresco.
Os frutos atraem a avifauna, principalmente nativa, o que torna o ambiente mais acolhedor.
A arborização urbana inclui todos os locais onde se pode plantar árvores. Vias públicas, parque e jardins e também nos quintais das residências.
Nos quintais das residências pode desempenar dupla função, além do beneficio da árvore para melhorar o ambiente, os frutos podem melhorar a dieta alimentar das famílias. Usar os quitais para plantar árvores ao contrário de simplesmente concretá-lo, o que acarreta uma série de outros problemas, como diminuição da área de absorção das águas da chuva.
No Brasil, segundo o IBGE, 84% das pessoas vivem nas cidades e 16% vivem na área rural. Em Rondônia, 75% vivem nas cidades e 25% vivem nas áreas rurais. Isso vem demostrar a necessidade de investir na arborização urbana, pois a maiorias das pessoas vivem nas cidades. Em Rondônia a tendência é atingirmos a média nacional, aumentando significativamente o número de pessoas vivendo nas cidades.
Moramos na maior floresta tropical do mundo e nossas cidades apresentam arborização precária.
Porto Velho possui 460.000 habitantes, segundo o IBGE, sendo que 350 mil vivem na cidade. Precisamos olhar com mais atenção para a arborização.
No Brasil há um deficit de 6 milhões de unidades habitacionais, segundo a Fundação João Pinheiro que se dedica a estudar o tema, e nem por isso se deseja sair construindo casas de qualquer jeito.
Infelizmente o poder público trata a arborização urbana de qualquer jeito, sai plantando árvores sem qualquer cuidado, sem planejamento. As prefeituras deveriam estabelecer um programa de arborização urbana transversal, envolvendo Saúde, educação, agricultura, meio ambiente e fazer um inventário das árvores existentes na cidade. Conhecer o que existe, para planejar a onde se quer chegar.
Escolher espécies com critérios técnicos, introduzir espécies adequadas a cada espaço urbano, cuidados com a rede pluvial, calçadas, prédios e fiação elétrica dentre outros. Plantar essências que propiciem sequência de floração na cidade, cuidados com o diâmetro de copa das árvores quando adultas, espécies frutíferas para atrair pássaros e alimento às pessoas, espécies caducifólios ou perenes, enfim uma série de informações técnicas que um bom planejamento deve conter. Outra coisa importantíssima é saber que não basta somente plantar e depois abandonar, tem que cuidar manter, aplicar as técnicas adequadas que a planta requer.
Plantar certo para depois não mutilar as árvores com podas absurdas como as que presenciamos nas cidades. Plantar certo, para conduzir uma arborização de qualidade e cumprindo seu papel de melhorar o ambiente urbano.
Saber que as árvores, como todo ser vivo, nasce, cresce e morre, mas até o declínio fatal precisa de cuidados.
Esta é a cara que quero para minha cidade.
Tabebuia roseo-alba – Ipê Branco.
Ubiratan Pereira
Engenheiro Florestal
* O resultado da enquete não tem caráter científico, é apenas uma pesquisa de opinião pública!