A crônica do dia envergonha o berço do Madeira - Por Simon Oliveira

 
 
A crônica de hoje será duríssima, segurem-se, aos mais sensíveis do Berço do Madeira pode até provocar vertigem. A outros, pouco importa, não é com eles e nem com os seus, assim segue a pacata vida dos Berçomadeirenses, ricos em gado e em leite, e agora plantadores de lavoura.
 
O Serviço de Orientação Escolar é a ponte entre escola e comunidade de pais, responsável por entre outras atividades pedagógicas, cuidar da frequência dos alunos no ambiente escolar. A visita às famílias, cujos filhos estão infrequentes, é prática necessária para o retorno de tais alunos. Bom, feitas as considerações devidas, vamos ao fato, ocorrido em uma dessas visitas do serviço de orientação escolar à residência de uma determinada família, cujo filho estava ausente da escola.
 
Mesmo orgulhosos e alardeando aos quatro ventos que o Berço do Madeira é uma das regiões de Rondônia que mais produz carne e leite bovinos, tal fato escancara outra realidade que ninguém alardeia e   que não aparece nas estatísticas oficiais e nem na imprensa. 
 
Feitas estas digressões, voltemos à visita do serviço de orientação escolar á família do aluno ausente. A residência localizada nos arredores da cidade, afastada do dinheiro cheirando a gado que corre nos bairros mais centrais, era pequena e muito simples, construída de madeira reutilizada.
 
A mãe da criança recebeu o serviço de orientação escolar, lagrimejante e visivelmente envergonhada, com as mãos e braços sujos de fuligem de carvão. Nos disse que não tinha gás de cozinha e que estava cozinhando o parco almoço em um fogareiro à carvão no quintal. Humildemente, nos convidou para entrar, dizendo que não tinha nenhuma fonte de renda, sobrevivendo de favores dos caridosos. Antes que falássemos o motivo da visita, ela nos disse que nos últimos dias, o filho não estava frequentando a escola, porque não tinha condições econômicas de lhe comprar um par de chinelos, e que ele já tinha até se acostumado a andar descalço. Roupas, recebera algumas em doação.
 
O serviço de orientação escolar é andarilho, e por essas andanças já ouvira de tudo sobre a ausência de alunos: doenças, falta de fardamento, negligência dos pais ou responsáveis, entre outras desculpas esfarrapadas ou não. Mas, esta foi a primeira vez que ouviu uma mãe de aluno justificar a ausência do filho no ambiente escolar, porque ele não tinha chinelos, sapatos ou algo similar, e que possivelmente, a curto ou médio prazos não teria condições de comprar-lhe, pois a pouca renda disponível era para adquirir alimentos.
 
Chorosa e com as mãos sujas de carvão, olhando para a linha do horizonte, ou para o nada, nos falou envergonhadamente: “qual a mãe que vê seu filho indo descalço para escola, eu não suportaria tamanha vergonha”. E assim, mesmo descalço, o Berço do Madeira continua se orgulhando e alardeando suas riquezas.
 
Autor: Simon O. dos Santos
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