Momento Lítero Cultural - Por Selmo Vasconcellos

Momento Lítero Cultural - Por Selmo Vasconcellos

Foto: Divulgação

 

ELIAKIN RUFINO – Boa Vista, Roraima. Nosso homenageado

Poeta, cantor, escritor, professor de filosofia, produtor cultural.


Lição da fábula
para Selmo Vasconcellos

Quando ouvi a fábula
da formiga e da cigarra
fiquei logo encantado
por aquela que cantava

A formiga sempre trabalhando
e preocupada demais
com o futuro
não me entusiasmou tanto
quanto a beleza pura
da cigarra

Moral da história
não aprendi a prudência
que a fábula ensinava
eu não queria ser formiga
eu queria ser cigarra.
***
escrevendo na cozinha

eu escrevo na cozinha
minha mesa de trabalho
é a mesa da cozinha
é na cozinha da minha casa
que acontece o encontro
da escrita com a comida
da fruta com o papel
dos temperos com as metáforas

assim eu escrevo
perto da pia
próximo do fogão
criando pratos e poemas
lavando louças
e lavando a alma
varrendo o chão
e o coração
arrumando a mesa
e a minha vida

sei de poetas que tiveram
escritório estúdio escrivaninha
nunca tive nada disso
eu escrevo é na cozinha
***
A palavra

a palavra sempre foi afiada
sempre foi cimitarra
sempre foi adaga

a palavra sempre foi espada
sempre foi peixeira
sempre foi navalha

a palavra sempre foi cortante
sempre foi pontiaguda
sempre foi penetrante

a palavra sempre foi canivete
sempre foi faca
sempre foi gilete

a palavra sempre foi machado
sempre foi facão
sempre foi terçado

a palavra sempre foi punhal
sempre foi estilete
sempre foi letal
***
O Brasil não é aqui

O sul do Brasil é europeu
Tem gente que não fala português
o sudeste é americanizado
as bandas cantam rock em inglês
Manaus entrou na linha de montagem
os gringos pagando uma sugesta
São Luís é a Jamaica maranhense
Carajás é a Suíça da floresta
o que é importado é mais bonito
o que é nacional pra nós não presta

A Bahia é uma nação africana
Mato Grosso ainda é Paraguai
Recife é a Veneza brasileira
Por isso que a República não vai
a lavagem cerebral é tão medonha
e na mente vazia nada resta
no sonho de querer ser estrangeiro
brasileiro toma injeção na testa
o que é importado é mais bonito
o que é nacional pra nós não presta

Brasília é o Egito enigmático
é o congresso dos novos faraós
o nordeste é a Índia sem comida
Goiás é a terra dos caubóis
é tanto imitação e macaquice
que a cabeça ingênua não contesta
o Brasil é o túmulo do samba
mas a música estrangeira faz a festa
o que é importado é mais bonito
o que é nacional pra nós não presta
***
mosquito da malária

hoje quem defende a Amazônia
é o mosquito da malária
se não fosse esse mosquito
a floresta virava palha

salve salve salve ele
viva sua febre incendiária
o maior ecologista da Amazônia
é o mosquito da malária

não adianta SUCAM
jogar DDT na sua área
superdefensor da Amazônia
é o mosquito da malária
***
Sentimentos Cintilantes

as estrelas que flutuam nesse rio
são os olhos das serpentes encantadas
cobras grandes habitantes dessas águas
e estas luzes que vagueiam pelas praias
claridades de paixão e de areia
são meus olhos
encharcando o chão das várzeas
são de alegria estas lágrimas brilhantes
são diamantes que meus olhos choram
são loucos sentimentos cintilantes
***
Buritizeiro

buritizeiro do norte
que nasce em qualquer lugar
nós temos a mesma sorte
viver a vida a cantar
tu cantas com o vento forte
eu canto na calmaria
canto o silêncio do campo
tu cantas na ventania
buritizeiro meu canto
no campo vou espalhar
tu cantas pra eu dormir
eu canto pra te acordar
buritizeiro meu mano
teu vinho quero beber
aí nós vamos cantar
até o dia nascer
eu sou palmeira do campo
o vento é meu companheiro
eu vivo porque eu canto
eu sou buritizeiro

*** 

Direito ao esquecimento

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