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Momento Lítero Cultural - Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

06 de Outubro de 2020 às 09:05

Foto: Divulgação

ENO TEODORO WANKE -

(Ponta Grossa, 23 de junhode 1929- Rio de Janeiro, 28 de maiode 2001)

Engenheiro civil, refinação de petróleo e administração

Contista, poeta, trovador, sonetista, haicaista, tradutor, antologista, pesquisador, folclorista, estudioso da língua, mestre em metrificação, clequista, frasista, cronista, biógrafo, dicionarista, bibliógrafo, minicontista, fabulista, polemista, prefaciador, memorialista e palindromista. Centenas de livros publicados. Seu soneto Apelo, que já mereceu 159 versões para 94 idiomas e dialetos.

 

CLECS extraídos do livro MUNDO VELHO SEM PORTEIRA, 1987. Gentilmente enviado e autografado pelo autor.

 

Na hora da inundação, as lavadeiras se arrependem de ter ido morar tão pertinho do rio.

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A gradinha do confessionário , coitada, já não aguenta mais o peso de tanto pecado!

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Quando viu a Terra entrando em sua órbita. Atlas se sentiu leve, leve. Como se lhe tirassem um peso enorme das suas costas.

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A calúnia repercute por todas as paredes da cidade.

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Saiu tão elegante para a noitada que não conseguiu praticar os pecados planejados. Saiu impecável demais!

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Era uma cobra venenosa. Ficava falando mal de todas as cobras suas conhecidas.

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As borboletas são seres de outro planeta cuja intenção de invadir a Terra e depois destruí-la foi frustrada quando elas, após a invasão, se apaixonaram pelas flores.

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Ao envelhecer as pessoas são como os vinhos. Os de boa qualidade melhoram sensivelmente e até são honrados pela velhice. Quanto mais velhos, melhores. Os outros viram vinagre.

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Quem é este velho com espuma branca no rosto que me contempla de dentro do espelho enquanto faço a barba?

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As plantas têm mania de nobreza. Vivem muito apegadas às suas raízes.

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Iluminada pelo lampião de gás, a vitrine do pipoqueiro é uma espécie de caixa de vidro onde pipocam, silenciosas, nossas lembranças infantis.

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Sino matinal: a colherinha mexendo o café.

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Quando vai dormir a gente se põe dentro do envelope do cobertor e parte, pelo correio do sono, para o país do sonho.

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O violino chora suas mágoas líricas nos ombros do violinista.

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As abelhas é que vão satisfazer a fome sexual das flores.

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Os pássaros podem não entender de plantar, mas colher eles adoram.

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As bandeiras dançam a canção do vento.

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Quando uma flor quer rezar manda chamar uma borboleta.

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O parque de diversão dos peixes é onde as ondas quebram.

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A morada do amor é na morada da namorada.

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Quando a rosa vai para o baile já sabemos, de antemão, que haverá valsa.

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Um angustiante pedido de socorro na noite? Não. É apenas o grito do trem que passa velozmente apitando na curva.

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O cachorro além de fiel, é um amigo comovente.

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Não se desespere. Mesmo à noite o sol brilha. Do outro lado da Terra.

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As flores do jardim são bailarinas. Mas não é a música que as induz à dança. É o vento.

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Direito ao esquecimento

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