Este texto é dedicado ao seu José Gonçalves da Silva, pai da amiga e colega jornalista Josi Gonçalves, e também ao saudoso seu Valdir, pai do amigo, irmão e jornalista Marcos Souza.
Conhecido pelo apelido "Metralha" porque era gago e, por isso, falava muito rápido e quase ninguém entendia. No entanto, o problema na fala nunca atrapalhou seu talento quando abria a boca para cantar. Trata-se do inesquecível Nelson Gonçalves, que gravou o primeiro 78 rotações em 1941 e logo uma composição de um dos maiores mestres da música brasileira, Ataulfo Alves. A música: "Sinto-me Bem". O resto é história.
Nelson teve uma longa e notável carreira de sucesso, mas, além do reconhecimento, enfrentou desafios e obstáculos que, talvez, um homem menos determinado não tivesse superado. Ele faleceu há 28 anos, no dia 18 de abril de 1998.
Passados 28 anos de sua morte, Nelson Gonçalves segue sendo lembrado como uma das maiores vozes da música brasileira. Nascido Antônio Gonçalves Sobral, o artista construiu uma trajetória marcada por superação, talento e números impressionantes, tornando-se o segundo maior vendedor de discos da história do país, com mais de 79 milhões de cópias vendidas.
Com uma carreira que atravessou décadas, Nelson marcou gerações com sucessos como “A Volta do Boêmio” e “Naquela Mesa”, consolidando-se como ícone do rádio e dos palcos. Sua trajetória começou de forma humilde, passando por dificuldades financeiras, trabalhos diversos e até o boxe, antes de alcançar o reconhecimento nacional.
Mesmo enfrentando momentos difíceis, incluindo problemas pessoais e de saúde, o cantor conseguiu se reerguer e manter sua relevância artística até os últimos anos de vida. Nelson Gonçalves faleceu em 18 de abril de 1998, mas sua obra permanece viva, influenciando gerações e reafirmando seu lugar como uma lenda da música brasileira.
O cantor era um predestinado e nasceu com brilho próprio; sua estrela tinha de brilhar. Precisava apenas que o deixassem cantar. O artista vendeu mais de 80 milhões de discos e continua encantando com seu vozeirão e carisma. Os fãs agradecem a invenção do CD.
Uma das vozes da minha infância
Lembro-me, de ainda criança, sentado sob o cano de uma bomba d'água no quintal de casa, lá em Fortaleza, na Rua Barão de Aratanha, 232, ouvindo pelas ondas do rádio, não nosso, mas do vizinho do lado, o programa "A Parada dos Maiorais", que ia ao ar aos domingos pela manhã.
Uma das vozes daquele tempo era a de Nelson Gonçalves interpretando "Argumento", samba-canção de Adelino Moreira, um dos compositores mais gravados pelo cantor.
Outras também ficaram desta recordação: Orlando Silva - cantor imitado por Nelson no início -, Dalva de Oliveira, Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso, Carlos Galhardo, Linda e Dircinha Batista, Isaurinha Garcia e tantas outras grandes vozes do passado que, até hoje, mais de 50 anos depois, ainda escuto com o mesmo encantamento daquele menino entre sete e oito anos ao ouvir estes artistas.
Biografias em livros e em quadrinhos
A história de Nelson Gonçalves está contada em dois livros biográficos. Aliás, vendidos a preços exorbitantes e difíceis de encontrar.
O primeiro saiu em 2019, com o título "Nelson Gonçalves – O Rei da Boemia", escrito por Cristiano Bastos e lançado pela Editora Plus. O segundo tem um título um pouco sensacionalista: "A Revolta do Boêmio: A Vida de Nelson Gonçalves" (2001), de Marco Aurélio Barroso. Considerada uma biografia não autorizada, explora sem censura os vícios, amores e o lado boêmio do cantor.
Podemos incluir mais um título: "Nelson Gonçalves: O Amor e o Tempo", de autoria de Gabriel Chalita, que optou por uma abordagem focada nas emoções e na trajetória do cantor.
Nelson Gonçalves teve sua trajetória contada até em revista em quadrinhos. Vejam só: "Metralha: A Vida de Nelson Gonçalves em Quadrinhos" (2025): HQ que revisita a vida de Nelson com roteiro de Márcio Paixão Jr. e pesquisa de Cristiano Bastos.
Um entre mais de dois mil discos gravados
Um dos LPs mais importantes da longa discografia do cantor foi o que ele gravou com repertório inteiro dedicado a ninguém menos que Noel Rosa. O disco traz clássicos do compositor, entre eles, "Último Desejo", "Três Apitos", "Feitio de Oração" e mais. Este disco pode ser encontrado em sebos e cada faixa é um show de interpretação. E não teria como errar: Nelson cantando músicas do Poeta da Vila? Clássico instantâneo da música brasileira.
Conhecido como o "Rei do Rádio", Nelson Gonçalves teve uma carreira longa e vitoriosa, com cerca de 80 milhões de cópias vendidas até 2022. Imortalizou músicas como "A Volta do Boêmio", de Adelino Moreira; "Maria Betânia", de Capiba - música que inspirou Caetano Veloso a escolher o nome da irmã mais nova, "Normalista", letra de David Nasser e música de Benedito Lacerda, nas décadas de 40 e 50. E a emocionante "Naquela Mesa", homenagem de Sérgio Bittencourt ao pai Jacob do Bandolim, em inesquecível interpretação de Nelson.
Gonçalves gravou músicas de Herivelto Martins, David Nasser, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Wilson Baptista, Cartola, Chico Buarque, Dorival Caymmi, Ary Barroso, Vinícius de Moraes, Roberto Riberti, e até do Lobão, na última fase da carreira. Estima-se que o artista gravou mais de duas mil canções, 183 discos em 78 rpm e 128 álbuns, ganhando 38 discos de ouro e 20 de platina.
Conquistou reconhecimento internacional ao se apresentar com sucesso na Argentina, Uruguai e Estados Unidos, onde teria sido elogiado por Frank Sinatra. Nelson manteve um contrato de mais de cinco décadas com a gravadora RCA Victor/BMG Brasil, um recorde.
Superando as adversidades
A vida de Nelson Gonçalves (1919-1998), um dos maiores ícones da música brasileira e segundo maior vendedor de discos na história do país, foi marcada por um contraste drástico entre um sucesso profissional avassalador e quedas pessoais profundas.
Os problemas também o acometeram na infância. À época não existia a palavra "bullying", ou seja, sofria humilhações por conta da gagueira. Brigava e acabava expulso do colégio. Ou seja, aqueles que o atacavam saíam impunes.
No começo da carreira sofreu ainda mais preconceito e era rejeitado nos programas de calouros, entre eles, o de Ary Barroso - o ranzinza e prepotente autor de "Aquarela do Brasil" e "Na Baixa do Sapateiro", que, do alto da sua peculiar arrogância, aconselhou Nelson a vender jornais em vez de cantar devido à gagueira (na verdade, taquilalia - fala acelerada).
Enfrentou um grave vício em cocaína e álcool, o que prejudicou sua carreira e saúde na década de 1960. Foi preso em 1966 na própria casa, na frente da família, flagrado com cocaína, e viveu ali seu inferno astral. Isso sem falar na turbulenta vida pessoal. O cantor viveu inúmeros casos de amor e casou várias vezes. Elvira Molla, Lourdinha Bittencourt, Maria Luiza da Silva foram algumas das mulheres com quem viveu.
Após a prisão, passou por um processo de reabilitação e conseguiu largar a cocaína em 1973, dedicando-se a contar sua história de superação. No entanto, os anos de vício acarretaram problemas de saúde. Nelson Gonçalves faleceu em 1998, aos 78 anos, no Rio de Janeiro, vítima de problemas respiratórios causados pelo cigarro e um infarto, mas continuou vendendo discos até seus últimos dias.
Viveu um período delicado por causa do vício, no entanto conseguiu se reerguer nos anos 70 e 80, retomando o topo das paradas e mantendo um público fiel até o final da vida. Um grande artista em todos os sentidos.
A vida e carreira deste artista foi marcada não apenas pelo sucesso ou fracasso, pelos momentos difíceis na vida pessoal. Foi uma existência que seguiu à risca as letras cantadas com tanto talento e entrega. Nelson Gonçalves deixou um rico legado para a história da nossa música. E deve ser sempre reverenciado e lembrado.
Passados 28 anos de sua morte, Nelson Gonçalves segue sendo lembrado como uma das maiores vozes da música brasileira. Nascido Antônio Gonçalves Sobral, o artista construiu uma trajetória marcada por superação, talento e números impressionantes, tornando-se o segundo maior vendedor de discos da história do país, com mais de 80 milhões de cópias vendidas.
Com uma carreira que atravessou décadas, Nelson marcou gerações e consolidou-se como ícone do rádio e dos palcos. Sua trajetória começou de forma humilde, passando por dificuldades financeiras, trabalhos diversos e até o boxe, antes de alcançar o reconhecimento nacional.
Mesmo enfrentando momentos difíceis, incluindo problemas pessoais e de saúde, o cantor conseguiu se reerguer e manter sua relevância artística até os últimos anos de vida. Nelson Gonçalves faleceu em 18 de abril de 1998, mas sua obra permanece viva, influenciando gerações e reafirmando seu lugar como uma lenda da música brasileira.