Quando, em 1984, estreou um filme de ficção científica de baixo orçamento chamado "O Exterminador do futuro", quem imaginaria, quase quatro décadas depois, ainda estaríamos assistindo a luta de alguns humanos contra às máquinas se tornando autossuficientes a ponto de exterminar à humanidade? Agradeçam ao roteirista, produtor e diretor James Cameron. E tudo graças a um sonho que ele teve quando estava com muita febre. Sonho ou delírio?
Viagens no tempo sempre nos fascinam e embora saibamos de tal impossibilidade, acompanhamos essas histórias fantásticas, criativas e cheias de efeitos especiais, neste caso, de um cyborg enviado para o passado com a missão de assassinar uma simples garçonete e impedir que seu filho se torne o grande líder da resistência contra à Skynet e salvador da humanidade. Premissa do primeiro longa da série, que chegou ao número seis.
Com o estrondoso sucesso de "O Exterminador do futuro", uma continuação era apenas questão de tempo. Em "O julgamento final" Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger retornam aos papéis que lhe deram fama, um pouco diferentes. Sara não é mais uma garçonete, mas uma guerreira capaz de tudo para proteger seu filho John. O antigo exterminador está de volta e tem a missão de proteger o futuro líder da resistência.
Cameron acertou em cheio ao focar parte da história no relacionamento do rapaz com o cyborg, isso sem falar no vilão da vez, o T1000, perfeito exterminador capaz de se transformar em qualquer pessoa vivido pelo ator Robert Patrick. Os efeitos especiais revolucionários para a época deixaram o público em êxtase.
Impossível não perceber ao longo de seis produções as incongruências de um filme para o outro, às mudanças que acarretam drásticas alterações e desvios ilógicos a cada novo roteiro levado às telas e quando um novo diretor e outros roteiristas assumem.
O maior exemplo é o fato de o vilão do primeiro longa, no segundo se transformar em mocinho, porque foi reprogramado para proteger e não matar Sarah ou John Connor. Já no terceiro, o ex-exterminador tem a missão de garantir a vida da futura esposa de John. Neste, Arnold Schwarzenegger enfrenta uma exterminadora mulher, muito poderosa e letal ao extremo. Hoje, talvez seja visto como politicamente incorreto por mostrar um homem enorme batendo numa mulher, mesmo que ela seja a vilã da história.
Com Genesis, o quinto longa, os produtores e os roteiristas tão inventivos, vejam só, resolveram recontar a história do filme original, inclusive recriando cenas clássicas, no entanto, com algumas mudanças no enredo e assim alterando o destino dos personagens, incluindo até o raríssimo final feliz.
No longa anterior intitulado Salvação - talvez o menos apreciado pelos fãs - a trama se passa totalmente no apocalipse das máquinas e é o único dos seis que não conta com Arnold Schwarzenegger, não em carne e osso, mas recriado digitalmente, mais jovem e sendo o protótipo do T800. O mesmo efeito seria usado novamente no número cinco na cena do confronto do Schwarzenegger mais velho com sua versão mais jovem. Christian Bale assumiu o papel de John Connor.
James Cameron resolveu retornar à franquia em "O Exterminador do futuro, destino sombrio". E, adivinhem? Tudo recomeça, inclusive com um novo exterminador quase invencível, uma Sarah Connor envelhecida, uma jovem mexicana, o velho e bom T800 - num pacote "homem de família", e uma heroína meio humana, meio máquina, como o personagem Marcus em "O Exterminador do futuro, salvação". Nesta produção, diferente dos longas anteriores não há lugar para momentos de humor, pois seguindo literalmente o subtítulo, o volume seis é bem sombrio.
Mesmo com o retorno de Cameron e de Linda Hamilton na pele de Sarah Connor e do velho e carismático Arnold Schwarzenegger, a produção não foi bem de bilheteria, os críticos malharam e o público não apreciou muito, apesar de ser divertido, ter muita ação, excelentes efeitos especiais e um elenco carismático.
Será que os espectadores cansaram de ir ao cinema para assistir a variação e reciclagem da mesma história? O tempo dirá, principalmente se não produzirem mais nenhum "Exterminador do futuro, talvez com o subtítulo aposentadoria" ou "uma nova geração".