OPINIÃO: CAIADO, JUSCELINO, ESPERIDIÃO, OS GOLPISTAS E A BANDEIRA ROUBADA

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Foto: Divulgação

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CAIADO, JUSCELINO, ESPERIDIÃO, OS GOLPISTAS E A BANDEIRA ROUBADA

 

 
Na tarde de ontem, o presidente do PSD ungiu Ronaldo Caiado, agora ex-governador de Goiás, como candidato à Presidência da República, 
 
 
A missão de Caiado não será fácil. Segundo suas próprias palavras, o Brasil está polarizado e isso precisa mudar. É uma bela frase de efeito. O problema da polarização é que ela parece ser a nossa vocação natural. Em 1989, quando Caiado disputou o Planalto pela primeira vez, o cenário já era rigorosamente esse, mudando-se apenas os cavalos. Na direita, Collor galopava isolado na preferência; na esquerda, Lula e Brizola disputavam palmo a palmo a rédea do mesmo campo. De lá para cá, o brasileiro não aprendeu a votar no meio: tivemos o Fla-Flu entre PT e PSDB por duas décadas, até que o bolsonarismo aportou seu barco e fincou bandeira.
 
 
Aliás, se a atual polarização tem culpados, o próprio Caiado deveria dar um passo à frente. Passou anos servindo de escada para as agendas mais exóticas do bolsonarismo. Chegou ao ponto de incentivar que o então presidente ignorasse o resultado das urnas para impedir a posse de Lula. O irônico é que, se o plano tivesse dado certo, Caiado hoje não seria candidato a nada. Teria que bater na porta dos donos do poder para pedir licença para existir. Seria o nosso Carlos Lacerda moderno: o eterno porta-voz do golpe de 1964 que, mal a ditadura se instalou, foi um dos primeiros a ter seus direitos cassados pelos "amigos" de farda.
 
 
A grande plataforma de Caiado para pacificar o país é uma proposta de anistia para os envolvidos no 8 de janeiro. Uma generosidade comovente. Esqueceram de avisar ao candidato que ser generoso com golpista é apenas dar a ele um vale-transporte para o próximo golpe. Veja o caso do Capitólio nos Estados Unidos. Como deixaram Trump e seus seguidores impunes, eles voltaram triunfantes ao poder. Agora, assustam o mundo com suas guerras e tarifas, cujos efeitos colaterais ricocheteiam até nos moradores da Zona Leste de Porto Velho.
 
 
Ao evocar a memória de Juscelino Kubitschek como exemplo de pacificador, a mente do candidato sofreu um lapso cirúrgico. Esqueceu-se de que os militares "perdoados" por JK foram exatamente os mesmos que, anos mais tarde, capitanearam o golpe e cassaram os direitos políticos de quem os havia anistiado. Gratidão, na política brasileira, sempre foi artigo de luxo.
 
 
Caiado quer parecer moderado, mas resolveu disputar com Flávio Bolsonaro a bandeira da anistia. É um erro tático. Para o eleitor que quer o perdão aos golpistas, a cópia raramente supera o original. Ninguém vai ver mais legitimidade no ex-governador goiano do que no próprio filho do homem.
 
 
O destino de Caiado, se persistir nesse caminho, corre o risco de ser o mesmo do senador catarinense Esperidião Amin. O veterano Amin gastou saliva, prestígio e tempo relatando projetos para aliviar a barra dos mesmos personagens. Como pagamento pela gentileza, a família Bolsonaro plantou em Santa Catarina a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado, deixando o velho cacique político do PP a ver navios, 
 
 
Caiado, justiça seja feita, tem história. Foi deputado, senador e governou um estado importante com mão firme. Se esquecesse a obsessão em herdar o espólio da extrema-direita e focasse em mostrar como pretende governar o país, teria um produto real a oferecer. Afinal, comparado a Flávio Bolsonaro, ele é um estadista de proporções vitorianas. A única experiência de gestão do filho do homem resume-se ao malabarismo contábil com a folha de pagamento de assessores e à administração de uma franquia de chocolates que derreteu antes do tempo. Governar um país exige um pouco mais de tutano do que bater ponto no Senado e contar bombons.
 
 
Para chegar ao Planalto, ele precisará vencer duas eleições: a primeira contra a herança ruidosa de Flávio Bolsonaro e a segunda contra a resistência de Lula. Convenhamos, não vai ser fácil, mas ao menos até o fim do dia do primeiro domingo de outubro ele tem o direito de acreditar. 
 
 
DANIEL PEREIRA.  advogado e ex-governador de Rondônia.
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