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TRISTEZA: Menino de 7 anos morto por bala perdida sonhava em ser médico

Ítalo Augusto foi atingido na porta de casa enquanto brincava com outras crianças

O GLOBO

01 de Julho de 2020 às 14:56

Foto: Divulgação

O GLOBO - Quando a mãe teve Covid, Ítalo anunciou para a família que seria médico para que pudesse cuidar dela. Mas um tiro, na noite desta terça-feira, interrompeu os sonhos do menino de apenas 7 anos. Ítalo Augusto de Castro Amorim foi atingido na cabeça quando brincava no portão de casa, no bairro Vila Norma, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Ele foi socorrido para a UPA de Éden, mas, segundo a prefeitura, já chegou morto à unidade, por volta das 20h30.
 
— Ele estava brincando no portão de casa com mais sete crianças. Começou o tiroteio, todo mundo correu e ele caiu no chão. A mãe dele ficou gritando "Ítalo, levanta!". A gente achou que ele estivesse no chão para se proteger. Quando peguei ele no colo, estava todo ensanguentado — contou Patrícia da Silva, de 33 anos,  prima da mãe de Ítalo, que socorreu o menino para a emergência.
 
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Patrícia disse que uma viatura da PM estava mais distante e que ninguém sabe de onde partiu o tiro:
 
— Não costuma ter tiroteio lá. A gente fica na rua à noite porque não tem tráfico ali.
 
Caçula de três irmãos, Ítalo foi muito esperado pela família. A mãe queria muito um menino. Suas irmãs mais velhas têm 20 e 25 anos.  O menino completou 7 anos dia 23 de fevereiro, mas a Covid impediu que ele pudesse comemorar. A festa seria em setembro com o tema Pintando o Sete.
 
— O salão já estava reservado, mas, por causa da pandemia, não pôde ter a festa. Então, ele pediu para que fosse feita a comemoração no quintal de casa mesmo. Já estava tudo comprado para a festa — contou Patrícia.
 
Ítalo quase não ia para a rua. A família conta que ele gostava de dançar, mexer no celular e assistir a desenhos.
 
— Era um menino educado e prestativo. Um menino tão bonito, e acabar assim. Toda a comunidade está abalada — lamentou Patrícia.
 
A Secretaria de Estado de Vitimados (Sevit) informou que ofereceu auxílio social e psicológico à família de Ítalo Augusto e está auxiliando os parentes quanto à viabilização do sepultamento da criança. A pasta segue acompanhando o caso.
 
Ítalo é a sétima criança morta por arma de fogo este ano, afirma ONG
 
Segundo levantamento da ONG Rio de Paz, Ítalo é a décima quarta criança morta, vítima da violência do Rio, em um ano e meio do governo Wilson Witzel. Só este ano, foram sete crianças vítimas fatais por arma de fogo, incluindo o menino Kauã Vitor da Silva, de 11 anos, morto por um tiro que teria sido acidental. Ainda de acordo com a ONG, 11 crianças morreram por balas perdidas disparadas em confrontos entre traficantes e policiais.
 
— A morte de crianças vítimas da violência é a face nais hedionda da criminalidade do Rio de Janeiro. Urge que o poder público apresente tome medidas visando o combate ao tráfico de armas — disse Antonio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz.
Direito ao esquecimento

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