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FACÇÃO CRIMINOSA: Operação é realizada para transferir presos para penitenciária federal

Com um detento cada, as seis aeronaves fizeram três viagens até a Base Aérea, com tempo de voo de 13 minutos – entre idas e voltas. A operação aérea durou cerca de uma hora e meia. O último transferido chegou a Canoas por volta das 8h35.

ASSESSORIA

03 de Março de 2020 às 17:21

Foto: Divulgação

Dezoito presos do Rio Grande do Sul, que são chefes das principais organizações criminosas gaúchas, estão sendo transferidos para presídios federais em uma operação que começou na madrugada desta terça-feira (3).

 

"Foram diversas reuniões e chegou-se ao número de 33 lideranças que deveriam serem retiradas do RS. Em setembro, outubro, o Ministério Público (MP-RS) e a Policia Civil fizeram uma representação junto ao Poder Judiciário sobre a transferência dessas lideranças. No início de dezembro, saiu a decisão do judiciário estadual deferindo a remoção de 18 dessas lideranças", explicou o vice-governador e também o secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Jr..

 

Detentos da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas e da Penitenciária Modulada Estadual da cidade foram levados em comboio de viaturas, por volta das 6h, até o Parque Adhemar de Souza Farias (Parcão), no centro do município.

 

No local, seis helicópteros aguardavam para fazer o deslocamento dos presos até a Base Aérea de Canoas, na Região Metropolitana.

 

Com um detento cada, as seis aeronaves fizeram três viagens até a Base Aérea, com tempo de voo de 13 minutos – entre idas e voltas. A operação aérea durou cerca de uma hora e meia. O último transferido chegou a Canoas por volta das 8h35.

 

Após o pouso dos helicópteros na Base Área, os detentos eram levados até uma sala reservada a 50 metros do local de embarque para a realização de exames de corpo de delito por médicos do IGP.

 

A coordenação da operação optou por transportar os presos em aviões por questão de segurança e, principalmente, para não impactar o trânsito de veículos nas entradas e saídas da Capital e da Região Metropolitana.

 

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) do RS, os 18 presos embarcaram em um avião para penitenciárias federais onde ficarão isolados. O destino de cada um deles não foi revelado por questão de segurança. Os presos poderão ficar nestas cadeias por três anos, podendo ser renovada a permanência por mais três.

 

"Nós estamos preparados, para os próximos dias, com efetivos, de maneira ostensiva, de todas as instituições que estão aqui, nesse momento, e participaram desse planejamento. As inteligências continuam a monitorar o sistema penitenciário e também o que envolve o entorno dessas organizações criminosas. Com objetivo de coibir, qualquer possível tentativa de reação a essa ação do estado do RS", disse Ranolfo.

 

Segundo o governo do Rio Grande do Sul, participaram da operação mais de 1,3 mil agentes, além de 306 viaturas, sete aeronaves (seis helicópteros e um avião) e quatro embarcações. A ação contou com o trabalho de 15 instituições estaduais e federais.

 

"Nós agradecemos essa integração. No RS atuaram a Brigada Militar, a Polícia Civil, o Instituto Geral de Perícias (IGP), o Corpo de Bombeiros Militar, a Susepe, o Ministério Público, o Poder Judiciário, a Secretaria de Saúde também acompanhou com o serviço de atendimento móvel de urgência. Pela União, a partir de determinação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, teve apoio do Departamento Penitenciário Nacional, Secretaria de Operações Integradas, somaram-se os esforços da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Agência Brasileira de Inteligência, do Exército, da Aeronáutica e da Marinha do Brasil", disse o governador Eduardo Leite durante entrevista coletiva.

 

O Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu uma nota informando que apoia o estado do Rio Grande do Sul na operação.

 

"O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, autorizou também, por meio da Portaria nº 102, publicada nesta terça-feira (3) no Diário Oficial da União, o emprego da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária no Rio Grande do Sul, inicialmente por 60 dias, para ajudar o estado a aprimorar os procedimentos e rotinas carcerárias.", acrescenta a nota.

 

Um ano de planejamento

 

Os preparativos para a operação começaram em março de 2019. Os pedidos de transferências dos presos foram feitos por promotores de Justiça de todo o estado, com a articulação da Procuradoria-Geral de Justiça.

Além das reuniões de articulação no Rio Grande do Sul, foram realizados encontros de trabalho em Brasília com o Ministro Sergio Moro e com integrantes do Departamento Penitenciário Nacional.

 

O comboio que saiu de Charqueadas, sob grande esquema de segurança, foi acompanhado pelo vice-governador, Ranolfo Vieira Júnior, que chegou ao local pouco antes das 6h.

 

Presos transferidos

  • Alexandre dos Santos Teixeira, o Chaves, 42 anos

Com condenações por tráfico de drogas, roubo e extorsão e duas vezes por homicídio qualificado, além de uma tentativa, Chaves acumula 65 anos e nove meses de pena, dos quais já cumpriu 23 anos. O término do cumprimento das sentenças só ocorrerá em outubro de 2062. Atualmente, estava recolhido na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC).

  • Bruno Fernando Sanhudo Teixeira, o Biboy, 30 anos

 

Cumpria pena na Cadeia Pública de Porto Alegre (CPPA, antigo Presídio Central). Em agosto de 2017, Biboy foi condenado a 30 anos de reclusão por um duplo homicídio praticado em 2 de julho de 2014, na região conhecida como Beco dos Cafunchos, na Zona Leste da Capital, contra dois homens suspeitos de integrar facção rival, crime pelo qual ele e um comparsa foram presos dois dias depois. Soma penas que estipulam sua permanência na cadeia até fevereiro de 2051.

  • Cristian dos Santos Ferreira, o Nego Cris, 35 anos

 

Em 2012, na condição de foragido, foi preso em um sítio em Morungava, no interior de Taquara. No local, era mantido um campo de paintball que serviria com uma espécie de área para treinamento de tiro da facção a qual está ligado. Com ele, foram apreendidos veículos, armas e munições. Cumpria pena na Penitenciária Estadual de Porto Alegre (PEPOA). Em novembro de 2017, foi condenado a 20 anos e seis meses de reclusão por um homicídio cometido em 11 de junho de 2012, no qual foi morto um homem que teria uma dívida do tráfico de drogas na região de atuação de Nego Cris. No total de condenações, acumula 38 anos e 10 meses de pena, dos quais já cumpriu cinco anos e quatro meses. Deve permanecer na cadeia até agosto de 2053.

  • Diogo Dutra Cachoeira, o Sadol, 35 anos

 

Suas condenações, por roubo, tráfico de drogas e homicídio qualificado, somam 57 anos e seis meses de pena, dos quais já cumpriu seis anos e quatro meses. Em março de 2018, foi condenado a 38 anos de reclusão pela execução de dois homens, cometida em 9 de outubro de 2014, no bairro Itu Sabará, em Porto Alegre. Tem pena a cumprir até abril de 2071. Atualmente, estava na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC).

  • Emerson Alex dos Santos Vieira, o Romarinho, 31 anos

 

Por condenações em cinco processos – porte ilegal de arma, falsificação de documento, tentativa de homicídio qualificado e tráfico de drogas –, soma 24 anos e nove meses em penas. Seu tempo de permanência na cadeia só se encerra em agosto de 2035. Atualmente, estava recolhido na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC).

  • Giordany Bonocore da Silva, o Jogador, 24 anos

 

Com condenações por porte ilegal de arma, tráfico de drogas, homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado, acumula 39 anos e oito meses de pena. O término do cumprimento das sentenças está previsto para março de 2052.Jogador estava na Penitenciária Estadual de Arroio dos Ratos (PEAR).

  • Ivan Richetti, o Carreta, 42 anos

 

Com 19 condenações judiciais – por furto, roubos, tráfico de drogas, receptação e tentativa de homicídio –, tem o segundo maior total em tempo de pena entre os transferidos, com 110 anos e oito meses de prisão, dos quais já cumpriu 17 anos e seis meses. O tempo das sentenças só termina em abril de 2113. Atualmente, estava na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).

  • Leandro Ribeiro Pereira, o Bazilio, 33 anos

 

Com uma condenação por tráfico de drogas, tem 11 anos e três meses de pena, dos quais já cumpriu quatro anos e nove meses. Estava na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC).

  • Liomar Antônio de Oliveira, o Tatinha, 35 anos

Suas condenações, por roubo, homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado, somam 74 anos e três meses de pena a cumprir, até agosto de 2088. Estava na Cadeia Pública de Porto Alegre (CPPA, antigo Central).

  • Luis David Amaral de Souza, o Esbile ou Smile, 39 anos

 

Com duas condenações por homicídio qualificado e tráfico de drogas, Smile acumula 68 anos e quatro meses de pena, dos quais já cumpriu seis anos e sete meses. O tempo de suas sentenças só vai se esgotar em novembro de 2081. Estava na Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro (PMEM).

  • Luiz Fernando de Oliveira Jardim, o Rato, 33 anos

Condenado a 16 anos e cinco meses de prisão por tráfico de drogas, dos quais já cumpriu três anos e 10 meses. Tem data de término do cumprimento da sentença prevista para setembro de 2032. Estava recolhido na Cadeia Pública de Porto Alegre (CPPA, antigo Central).

  • Marcio Fabiano de Carvalho, o Marcio Gordo, 40 anos

 

Já esteve no Sistema Penitenciário Federal, por duas vezes, mas, ao retornar, reassumiu posição de mando na organização criminosa. Com nove condenações, por roubo, porte ilegal de arma, homicídio qualificado, tráfico de drogas e receptação, acumula 73 anos e cinco meses de pena, dos quais já cumpriu 22 anos e oito meses. O término do cumprimento de reclusão está previsto para novembro de 2070. Estava na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).

  • Marizan de Freitas, o Maria, 32 anos

 

Soma 38 anos e três meses de pena, dos quais já cumpriu seis anos e cinco meses, com término do cumprimento previsto para dezembro de 2051. Tem condenações por tráfico de drogas e tentativa de homicídio. Estava na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC). Marizan já havia sido transferido para o Sistema Penitenciário Federal, em 2015.

  • Michel de Souza da Silva, o Michelzinho ou Miuk, 33 anos

 

Acumula condenações por porte ilegal de arma, roubos, dois homicídios qualificados, tráfico de drogas e organização criminosa, com uma pena total de 65 anos e três meses, dos quais já cumpriu sete anos e cinco meses. A previsão para término do cumprimento das sentenças é dezembro de 2077. Estava na Penitenciária Estadual de Caxias do Sul (PECS).

  • Rogério Soares, o Véio, 37 anos

 

Acumula 99 anos e dois meses em penas, dois quais já cumpriu 20 anos e quatro meses. A previsão para término do cumprimento das penas é em setembro de 2078. Tem condenações por falsificação de documento, receptação, homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, roubo e tráfico de drogas. Véio estava na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).

  • Tiago Rafael Leges Ferreira, o Tiago Mochilão, 34 anos

Tem o maior total em tempo de pena entre os transferidos: são 137 anos e 11 meses por 12 condenações. Mesmo já tendo cumprido 10 anos e 10 meses de reclusão, a previsão é de que o fim das sentenças ocorra em 2147. Tem uma condenação por furto, cinco por tráfico de drogas e seis por roubo. Desde agosto de 2018, estava na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).

  • Vladimir Cardoso Soares, o Xu, 50 anos

 

Investigado por homicídios, estava com prisão preventiva decretada e foragido havia mais de um ano quando foi preso, em agosto do ano passado, em Laguna (SC). Xu foi indiciado por envolvimento no assassinato dos policiais militares Rodrigo da Silva Seixas e Marcelo de Fraga Feijó, em 27 de julho de 2019, durante uma ação de patrulhamento no Beco da Bruxinha, próxima à Rua Paulino Azurenha. Atualmente, Xu estava recolhido na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC).

  • Wagner Wilian Domingues da Cruz, o Vavá, 26 anos

 

Foi indiciado por envolvimento na morte dos policiais militares Rodrigo da Silva Seixas e Marcelo de Fraga Feijó, ocorrido em 27 de julho de 2019, durante uma ação de patrulhamento no Beco da Bruxinha, próxima à Rua Paulino Azurenha. Estava na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC).

Mais presos transferidos

 

Em 2017, também sob forte esquema de segurança, 27 homens foram transferidos da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), na Região Metropolitana, e da Cadeia Pública de Porto Alegre.

 

O objetivo foi desarticular facções criminosas e o tráfico de drogas no sistema prisional gaúcho.

 

O presos foram levados em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para presídios federais em Porto Velho, Rondônia; Mossoró, no Rio Grande do Norte, e Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Juntos, os 27 apenados somavam 1,2 mil anos de pena.

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