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CAUSO - A Onça do Palácio Rio Madeira - Por Paulo Andreoli

CAUSO - A Onça do Palácio Rio Madeira - Por Paulo Andreoli

Da Redação

21 de Maio de 2016 às 05:00

Foto: Divulgação

 O represamento do rio Madeira para enchimento do lago da Usina de Santo Antônio trouxe a tona dezenas de historias de animais silvestres que sofreram com a ação danosa ao meio ambiente.Veja vídeo

Um destes causos mistura realidade com ficção e dá conta do aparecimento de duas onças pintadas em Porto Velho.  Ambas fugidas da mata que da "noite pro dia" se transformou em lago. E buscando refugio em terra alta, aportaram na capital de Rondônia.

Segundo narram testemunhas, os animais vieram das bandas da BR 319 e após subirem o barranco, tomaram direções opostas em desabalada carreira.

Um dos felinos, pulando cercas e muros, fugiu em direção a Zona Leste. Relatos do animal ter sido visto perto da UPA da avenida Mamoré.no bairro Tancredo Neves.

A outra fera teria seguido pela avenida Farquar. A última vez que foi vista, estava nas proximidades do CPA (Palácio Rio Madeira). Pois bem.

CAPTURAS

A primeira Onça ficou apenas dois dias ‘escondida’ na região leste de Porto Velho, até ser acuada por moradores indignados pelo desaparecimento de galinhas, gatos e cachorros magros.

O animal foi resgatado por policiais ambientais em operação conjunta com o Ibama. Os cabeludos do “Chico Bio’ também foram chamados lá no distante bairro Ulisses Guimarães para fiscalizar a captura. Um helicóptero do GOA fez acompanhamento aéreo na OPEC, pois a Onça apresentava sinais de fraqueza, provocada pela desidratação e fome. Estava paupérrima a situação do animal, que por azar se refugiou em bairro humilde.

Mais sorte teve a segunda Onça. Foram mais de 30 dias até ser encontrada. Ela se escondia no forro do 7º andar do CPA. Foi encontrada depois de uma operação de inteligência, comandada por um araponga de plantão na Casa Militar do governador, que investigou o desaparecimento da servidora de vital importância para o funcionamento da máquina pública rondoniense.

O animal capturado já estava gordo, com sobrepeso mórbido. Também parecia ter aprendido a Miar segundo relatório do agente "Ace Ventura".. Bem diferente da outra ‘´predadora’ capturada na periferia da capital.

 

REENCONTRO 

A Onça palaciana foi 'apreendida' e levada para o cativeiro lá nos fundos do IBAMA, perto do Hospital de Base, onde sua amiga de fuga das "Zuzinas do Madeira" se encontrava em quarentena. E foi na jaula que o dialogo seguinte teria ocorrido.

OBS - Vocês que leram até aqui, sabem que Onças falam né? Pois bem.

A Onça da periferia contou sua triste sina. Correu por ruas esburacadas e enlameadas. Dentro de um terreno baldio com mato alto, se homiziou. Dali saía para caçar uns animais. Mas tudo bicho magro e ‘pirento’. Só bebia água em poça de lama..Não passou nem 48 horas na região e a população a cercou com paus e pedras.

Segundo B.O., vale destacar o destemor da Guarnição da viatura da PM que chegou primeiro para atender solicitação do CIOP. O conhecido sargento Gusmão, teria se atracado com o 'bicho brabo'. O Azulão manteve a Onça imobilizada com um 'mata-Leão' até a chegada da força tarefa dos Ambientais.

Relembra a felina - Assim, quase linchada pela população, que já queria fazer churrasco e casaco com meu couro, fui salva pelos Bombeiros e depois de medicada numa ONG, acabei aqui na ‘delegacia’.

A outra Onça, a que se escondeu no Palacio Rio Madeira, estava com pelagem muito vistosa e quase não conseguia caminhar de tão gorda. E gaba-se para sua amiga da periferia.

- Amiga, pense num lugar com muita comida. Todo santo dia, descia do forro e comia um funcionário comissionado. E ninguem sentia falta. Um mais gostoso que o outro. Uns comia de terno e gravata, mas confesso que não gostava do tecido sintético. Também comi umas femeas humanas da espécie. Comia do jeito que vinha mesmo, com saltos altos e saias curtas. Só estragava o sabor, que sempre tinha aroma de perfume importado ‘.

-Mas nossa amiga, você estava passando bem mesmo. Pensei que estava grávida e não gorda como uma porca, Alfineta a magrela. E segue o papo.

- Que abundancia!  Assim como peixe, sabe que a melhor a parte de comer do ser humano é a cabeça. Eram saborosas as dos tais CDS?

- Que nada amiga, todas sem recheio. Acho que não tinham nem cérebro. Cabeças ocas, sabe como é né. Um dia, quase peguei uma cabeça diferente. Não tinha cabelo, era careca. Mas me escapou entre as garras. Pense num bicho liso e astuto..

- Mas me conta. Como te pegaram?

- Menina, errei feio. Comi a mulher da copa. Magrinha por sinal. A primeira que chegava todos os dias e inundava o ambiente com aquele aroma de café quente. A pessoa mais importante e querida do palácio.  Devia ter ficado  merendando só os CDS, que ninguem sentia falta. Foi um escândalo. Todo mundo ficou desesperado, perguntando por ela. Se estava doente ou se o ônibus tinha quebrado de novo? Alguns até ruiam a unha de ansiedade. E desconfiaram que havia algo errado. Informaram o "chefe' que determinou atuação imediata do NDG (núcleo duro do governo). Daí pra frente, apareceram uns caras de terno preto e óculos escuros e deu no que deu. Me levaram para tomar banho num PET e aqui estou, presa!.

Foto arquivo autor : Jornalista Paulo Andreoli

A Onça da periferia, já resignada com a vida no carcere, dispara. 

- O que vai ter no jantar? Não aguento mais restos de marmitex do presídio. Podia ser cabeça de humanos!

A Onça do palácio retruca

- Então que seja de jornalista. Comi desta espécie enquanto eu ainda estava por lá, pelo menos duas. Cabeça bem mais saborosa, com mais sustância. Tomara.....finaliza a Onça lambendo os beiços.

 

OBS. Este texto de humor é adaptação de conhecido conto nacional e qualquer semelhança com vida real é mera coincidência. O autor é jornalista e sócio fundador do Rondoniaovivo.

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