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CNJ abre processo contra desembargadora que difamou Marielle Franco

Marilia Castro Neves, desembargadora no Rio de Janeiro, postou notícias falsas sobre a vereadora do PSOL assassinada na última quarta-feira (14)

iG

21 de Março de 2018 às 09:59

Foto: Divulgação

O Conselho Nacional de Justiça irá investigar o teor dos comentários que a desembargadora Marilia Castro Neves , do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, postou em suas redes sociais na internet sobre a morte da vereadoraMarielle Franco (PSOL), assassinada a tiros na última quarta-feira (14) na capital fluminense.

 

Em um comentário em sua página no Facebook, a desembargadora afirmou que Marielle “não era apenas uma lutadora”, que estaria “engajada com bandidos”, tendo sido “eleita pelo Comando Vermelho [facção criminosa carioca]”. Os supostos “fatos” elencados pela juíza, contudo, são comprovadamente falsos, o que motivou o PSOL a entrar com uma ação contra Marilia no CNJ.

 

Frente a isso, o corregedor Nacional de Justiça, João Otavio de Noronha, determinou a abertura de uma investigação para tratar do comportamento da desembargadora.

 

Após a repercussão negativa de seus comentários, Marilia tentou se retratar, reconhecendo que se “precipitou” em reproduzir falsas notícias e calúnias contra a vereadora morta.

 

Essa, no entanto, não foi a primeira vez que a desembargadora “se precipitou” em comentários na internet. Semanas antes da polêmica envolvendo suas calúnias contra a vereadora, Marilia comentou também a questão do assédio sexual que embalou discussões durante o carnaval.

 

“Sinceramente, não aguento mais ler palavras de ordem do tipo: assédio sexual, direito das minorias, inclusão social, social democracia… Assédio sexual é o que??? Paquera no trabalho??? Francamente!!!! Será que não temos nada mais importante para lutarmos??? Uma pia de louça para lavarmos???”, ironizou.

 

Antes disso, a desembargadora também se declarou sobre Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência dos negros no Brasil colonial e que comandou um dos quilombos mais longevos durante o período mais violento da escravidão no país. Para ela, Zumbi não passa de um “mito histórico para estimular um racismo que o Brasil até então não conhecia”.

 

Por fim, mais recentemente a desembargadora sugeriu que o deputado federal Jean Wyllys, companheiro de partido de Marielle, seja colocado no “paredão” – uma referência às mortes de líderes políticos em países totalitários. “O Jean Willis [sic], por exemplo, embora não valha a bala que o mate e o pano que limpe a lambança, não escaparia do paredão…”, precipitou-se a desembargadora.

Direito ao esquecimento

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