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AYRTON SENNA: Há 25 anos o Brasil chorava a morte do seu maior ídolo - Por Vick Bacon

Confira a coluna de Victoria Bacon

Por Victoria Bacon

30 de Abril de 2019 às 15:35

Foto: Revista Veja

Paulistano do bairro de Santana, Ayrton Senna nasceu com a velocidade correndo em suas veias. Incentivado pelo seu pai (Sr. Milton), aos 4 anos de idade já apresentava uma habilidade incrível com o Kart e, a partir disso, a paixão pelo barulho do motor acelerado só aumentou. Aos 9 anos, conduzia jipes com destreza característica de muita experiência; aos 13, já competia oficialmente. Terminou como segundo colocado diversas vezes, o que não o bastava. Foi quando, em 1977, pôde sentir pela primeira vez o saboroso gosto de uma vitória - e decidir que aquele era o seu lugar.

 

A sua atuação e seu desenvolvimento como piloto parte de muita inspiração do então garoto, que dedicava inúmeras horas do seu dia em treinamentos. Em 1981, começou a competir na Europa, ganhando o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600 - com uma marca de 12 vitórias em 20 corridas. Foi nesse período que decidiu usar o sobrenome de solteira de sua mãe, Senna, já que Silva é um nome muito comum no Brasil. Em 1983, venceu o campeonato inglês de Fórmula 3 pela equipe Dick Bennets, com 13 vitórias em 21 corridas, sendo 9 delas consecutivas. Triunfou também no Grande Prêmio de Macau pela Teddy Yip’s Theodore Racing Team. O piloto estava na sua melhor forma e em uma ascendente impressionante - absolutamente nada o tirava do foco que tinha.

 

Sua morte, assim como o funeral e velório, provocou uma das maiores comoções da história do Brasil, bem como repercussão mundial. É considerado em pesquisas feitas com jornalistas especializados, pilotos e torcedores como o melhor piloto da história da Fórmula 1 em todos os tempos. Em 2012, foi eleito pela rede BBC o melhor piloto de todos os tempos. Em 1999, foi eleito pela revista Isto É, o esportista do século XX no Brasil. Também é reputado como um dos maiores esportistas do mundo no século XX. No auge de sua carreira, era considerado, segundo pesquisas, como o maior ídolo do Brasil. Mesmo depois de duas décadas de sua morte, pesquisa do Datafolha mostrou que Senna continua sendo avaliado como o maior ídolo do país.

 

Senna começou sua carreira competindo no Kart em 1973. Iniciou sua carreira em "carros de fórmula" em 1981, onde se sagrou campeão de Fórmula Ford 1600 e 2000. Em 1983 alcançou o título de campeão do Campeonato Britânico de Fórmula 3 batendo vários recordes.Seu desempenho na Fórmula 3 impulsionou sua ascensão à Fórmula 1, fazendo sua primeira aparição na categoria no Grande Prêmio do Brasil de 1984 pela equipe Toleman-Hart. Em sua primeira temporada, Senna conseguiu pontuar em 5 corridas, fechando o ano com treze pontos e a 9ª posição na classificação geral dos pilotos.No ano seguinte, trocou a Toleman-Hart pela Lotus-Renault, equipe pela qual venceu seis "Grand Prix" ao longo de três temporadas.

 

Em 1988, juntou-se ao francês Alain Prost (que seria seu maior rival em sua carreira)na McLaren-Honda e viveu anos vitoriosos pela equipe. Os dois juntos venceram 15 dos 16 grandes prêmios daquela temporada e Senna sagrou-se campeão mundial pela primeira vez. Prost levou o campeonato de 1989 e Senna retomou o título em 1990 - ambos títulos foram decididos por colisões entre os pilotos no Grande Prêmio do Japão. Na temporada seguinte, Senna faturou seu terceiro título mundial, tornando-se o piloto mais jovem a conquistar um tricampeonato na Fórmula 1 até então. A partir de 1992, a equipe Williams-Renault dominou amplamente a competição. Ainda assim, Ayrton Senna conseguiu terminar a temporada 1993 como vice-campeão, vencendo cinco corridas. Negociou uma transferência para Williams em 1994.    

 

Em sua carreira disputou 229 corridas - exceto as de kart - conseguindo 90 vitórias, 139 pódios, 97 pole positions e 66 voltas mais rápidas. Na Fórmula 1 foram 161 GPs, com 41 vitórias, 80 pódios, 65 pole positions e 19 voltas mais rápidas. Já no Grande Prêmio do Brasil de F1 alcançou seis poles e quatro pódios, sendo duas vitórias, em 1991 e 1993, um segundo lugar em 1986 e por fim, um terceiro lugar em 1990.

 

Sua reputação de piloto veloz ficou marcada pelo recorde de pole positions que deteve, sendo apelidado de o "rei das pole-positions". Sobre asfalto chuvoso, demonstrava grande capacidade e perícia, como demonstrado em atuações como o GP de Mônaco 1984, de Portugal 1985 e da Europa em 1993, dentre outros. Senna, até o fim de sua carreira, deteve o recorde de maior número de vitórias no prestigioso Grande Prêmio de Mônaco - foram seis ao todo - sendo que em 1992 ganhou o Troféu Graham Hill por ter conquistado   a sua quinta vitória em Monte Carlo.

 

Em vida, Ayrton ajudou inúmeras vezes programas de assistência a carentes, principalmente os ligados a crianças. A única condição para isso era: total sigilo. Se a imprensa descobrisse, ele negaria. Até mesmo a família e amigos mais próximos não tinham conhecimento da maioria de suas doações. Ayrton não desejava que seus gestos fossem interpretados apenas como promoção pessoal.

 

Senna demonstrava publicamente preocupação com a pobreza generalizada no Brasil, especialmente em relação aos mais jovens. Em março de 1994 doou 45 mil dólares para um programa de assistência a crianças, filhos de seringueiros do Acre – "Saúde sem limites" – gerido pelo seu amigo professor Sid Watkins. Ele doava largas somas para a creche do "Espaço Santa Terezinha", direcionada as crianças pobres, gerenciada por Maria José Magalhães Pinto. Julian Jakobi, empresário de Ayrton, confirmou que o piloto costumava ligar de algum lugar do planeta para pedir que ele fizesse doações a instituições ou pessoas. Certa vez, no início da década de 1990, durante os conflitos na Bósnia, Senna ajudou crianças vitimas da guerra.

 

Em certa ocasião, Ayrton visitou uma entidade de assistência a crianças portadoras de graves deficiências. Um caso em específico chocou o tricampeão, três irmãos portadores de graves deformações fizeram com que ele passasse mal durante a visita.

 

Após sua morte, foi descoberto que ele havia doado em segredo uma porção muito grande de sua fortuna pessoal (estimada em cerca de US$ 400 milhões) para ajudar crianças pobres.

 

Pouco antes de sua morte, ele criou a estrutura de uma organização dedicada às crianças pobres brasileiras, que mais tarde se tornou o Instituto Ayrton Senna.

 

Fontes de pesquisa e consulta:

 

«Estado de S. Paulo - 04/05/1994 - Caderno de Esportes, pág. 36». acervo.estadao.com.br. Acervo Estadão. Consultado em 13 de janeiro de 2017

 «Folha de S. Paulo - 15/02/1992 - Primeiro Caderno, pág. 4». acervo.folha.uol.com.br. Acervo Folha. Consultado em 15 de dezembro de 2016

 «Estado de S. Paulo - 15/02/1992 – Primeira Página». acervo.estadao.com.br. Acervo Estadão. Consultado em 15 de dezembro de 2016

 «Folha de S. Paulo - 03/03/1990 – Esportes - Pg. 2». acervo.folha.uol.com.br. Acervo Folha. Consultado em 23 de janeiro de 2017

 E-Biografias. «Biografia de Ayrton Senna». e-biografias.net. Consultado em 29 de dezembro de 2015

Estadão. 5 de abril de 1994. Consultado em 4 de janeiro de 2017

 «Edição de 03/05/1994». acervo.folha.uol.com.br. Acervo Folha. 3 de maio de 1994. Consultado em 4 de janeiro de 2017

 «New York Times destaca morte do "rei das pistas"». acervo.estadao.com.br. Acervo Estadão. 3 de maio de 1994. Consultado em 4 de janeiro de 2017

Extra. 20 de novembro de 2012. Consultado em 27 de maio de 2015

Jornal "O Globo" de 06/05/1994, Seção de Esportes, página 26.

 

 

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