13 DE SETEMBRO - Um dia esquecido na memória dos rondonianos! – Por Prof. Sílvio Mellon

13 DE SETEMBRO - Um dia esquecido na memória dos rondonianos! – Por Prof. Sílvio Mellon

Da Redação

15 de Setembro de 2011 às 17:54

Foto: Divulgação

Nas escolas, no governo, nas ruas e esquinas das cidades rondonienses as pessoas só comentavam sobre o dia 11 de setembro, quando as torres gêmeas desabaram e os EUA (e não a América, como parte da grande mídia nos quer fazer acreditar) sofreram ataques em série do grupo islâmico Al Qaeda. Uma história de represálias agalopadas por ataques mútuos cujas vítimas principais foram civis inocentes e alheios às atitudes dos aloprados dominadores do poder.
Felizmente, quando a história grava os fatos no papel é impossível esquecê-los. Em 13 de setembro de 1943, o então presidente do Brasil Getúlio Dorneles Vargas ainda na condição de chefe da ditadura do Estado Novo, criava através do Decreto-Lei n.º 5.812, com terras desmembradas do Mato Grosso e do Amazonas, o Território Federal do Guaporé e lançava desse modo, as bases territoriais do que viria a ser em 1981, nas mãos do último general da ditadura militar, João Batista de Figueiredo, o promissor Estado de Rondônia.
Inicialmente, dividia-se em quatro municípios: Lábrea, Porto Velho, Alto Madeira e Guajará-Mirim, todavia em 1944 os limites foram corrigidos e a cidade de Lábrea foi reincorporada ao Amazonas. Para ocupar o cargo de primeiro governador do “novo mundo” amazônico foi nomeado o Major Aluízio Pinheiro Ferreira que tomou posse no ano de 1944 e ocupou o cargo até 1946. Era um militar formado pela Escola Militar de Realengo no Rio de Janeiro. Vivia-se então os clamores da Segunda Grande Guerra e dela o Brasil participava ativamente enviando cerca de 25 mil soldados para os campos de batalha na Itália.
Entretanto, outra guerra mais drástica, era travada aqui na Amazônia com a migração desenfreada de nordestinos para cortar seringa e fornecer o látex para os aliados que até então, não dispunham da produção gomífera asiática, em mãos japonesas: era a “Batalha da borracha” e a inclusão na história dos “Soldados da borracha”, homens sem beira nem eira que se dispuseram a fugir dos seus rincões em troca da esperança de enriquecer nos seringais amazônicos.
A mega-operação montada por Getúlio Vargas garantiu aos EUA e aliados a matéria-prima valiosa, mas no reverso da moeda, levou à morte logo nos primeiros anos mais de 35 mil nordestinos. Desse total uma estimativa de seis mil conseguiu voltar para suas regiões de origem. No ocaso da guerra, os remanescentes, permaneceram abandonados à própria sorte.
O último governador do Território Federal do Guaporé foi José Ribamar Miranda. No dia 17 de fevereiro de 1956, o Presidente Juscelino Kubistchek sancionou a Lei n. º 2.731 mudando o nome do Território Federal do Guaporé para Território Federal de Rondônia, atendendo ao projeto do Deputado Áureo de Melo, embora a ideia de homenagear Rondon remonte aos idos de 1917 e seu ator seja Edgar Roquette Pinto.
A evolução para categoria de Estado aconteceu com a assinatura da Lei Complementar 041 de 22 de Dezembro de 1981. Mas, a instalação do Estado de Rondônia se concretizou em 04 de janeiro de 1982. À época, nosso Estado tinha apenas 13 municípios: Porto Velho, a capital, Guajará-Mirim, Ariquemes, Jaru, Ouro Preto do Oeste, Ji-Paraná, Presidente Médici, Cacoal, Espigão do Oeste, Pimenta Bueno, Vilhena, Colorado do Oeste e Costa Marques.
A lição a ser rememorada, principalmente nas escolas, é da importante contribuição para o país dos nossos antepassados, dos fatos históricos ocorridos a partir da construção do Real Forte Príncipe da Beira, passando pela epopeia da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, das lutas sangrentas pela colonização e formação de Rondônia.
Se a historiografia brasileira desconhece e não valoriza a importância da nossa contribuição histórica na formação sociopolítica e econômica do Brasil, que pelo menos nós, filhos legítimos ou adotivos de Rondônia, não esqueçamos o 13 de setembro de 1943.

O autor é historiador e professor do IFRO – Campus Ariquemes

 Email: silviomellon@hotmail.com

 
 
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