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A WikiLeaks e os Segredos de Rondônia – Por Professor Nazareno*

O medo deste site também está causando uma espécie de "saia justa" nas autoridades que fizeram e fazem parte dos governos do Estado de Rondônia nos vários poderes constituídos. Já pensou o escândalo que provocaria a divulgação de documentos secretos sobre

Da Redação

04 de Dezembro de 2010 às 08:54

 
       
A WikiLeaks é uma organização transnacional sem fins lucrativos que publica, de fontes anônimas, em seu site, notícias, documentos, fotos e informações, tudo estritamente confidencial, de governos ou empresas sobre os assuntos mais sensíveis. O Governo dos Estados Unidos e de outros países, inclusive o Brasil, estão em polvorosa com as publicações que revelam, dentre outras coisas, segredos de Estado sobre a invasão do Iraque, do Afeganistão e a crueldade sobre a prisão norte-americana de Guantánamo em Cuba. O site publica também "conversas informais" de embaixadores sobre todos estes assuntos. O seu fundador, o australiano Julian Assange, está escondido em algum lugar no Reino Unido por ser acusado de assédio sexual na Suécia.
 
O medo deste site também está causando uma espécie de "saia justa" nas autoridades que fizeram e fazem parte dos governos do Estado de Rondônia nos vários poderes constituídos. Já pensou o escândalo que provocaria a divulgação de documentos secretos sobre os fatos que deflagraram a Operação Dominó pela Polícia Federal em 2006 na Assembléia Legislativa do Estado? Finalmente o povo de Rondônia entenderia qual é a importância deste poder na sua vida cotidiana. O site poderia também divulgar documentos muito importantes sobre a construção da imponente sede do Tribunal Regional do Trabalho, o TRT, construída há mais de uma década. E mais: a morte do ex-senador Olavo Pires seria finalmente esclarecida em todos os seus detalhes.
 
Este site poderia também prestar relevantes serviços ao povo rondoniense se divulgasse o nome do gênio, arquiteto e design das Três Caixas d'água, o símbolo maior da capital, que é adorado por quase todos os seus habitantes. Uma obra de arte de beleza inigualável em todo o mundo e cujo segredo é guardado a sete chaves. Seria muito interessante também se todos nós soubéssemos o que de fato aconteceu com o Beron, o extinto Banco do Estado de Rondônia, que virou "beiju de caco" na administração do PMDB de Valdir Raupp. Ficaríamos sabendo também como se envolver nas mais variadas máfias (sanguessugas, das ambulâncias) dentre muitas outras especializadas em surrupiar o dinheiro público e ainda ser eleito com grande aceitação popular.
 
Esses documentos secretos revelariam certamente por que o ex-governador Ivo Cassol, o do Império da Roça, resolveu presentear a futura administração do Estado com um CPA novinho em folha e por que não transformou os atuais 2% de saneamento básico de Porto Velho nos 80% prometidos. Veríamos fotos dos dirigentes da Ceron rindo dos consumidores de energia que aceitam passivamente um serviço africano com uma tarifa européia. E finalmente o segredo da administração petista de Porto Velho seria desvendado: como transformar a capital de trânsito mais violento do Brasil num canteiro de obras inacabadas seria a conversa mais badalada nos bares e botequins. Deve ter também algum documento escondido que explica a imundície desta cidade.
 
Páginas inteiras falariam do Hospital João Paulo Segundo, o açougue mais conhecido do Estado. Em algum papel deve explicar o porquê da estupidez oficial de todos os dirigentes e ex-dirigentes de Rondônia em não oferecer saúde pública de qualidade aos seus eleitores. Todos nos deleitaríamos ao ler os documentos secretos que criaram a inútil ponte no Madeira, as usinas hidrelétricas e o arraial Flor do Maracujá. As queimadas junto com a fumaça, que devem voltar no próximo verão, teriam, enfim, uma explicação mais aceitável por parte das autoridades deste e dos futuros governos. Porém todos devem ficar tranqüilos: a WikiLeaks e Julian Assange jamais publicarão qualquer linha sobre Rondônia. Eles simplesmente não sabem que isto aqui existe. Ainda bem que nossa pouca importância nos salvará de qualquer mal-estar diplomático.
 
 
 

*Leciona em Porto Velho

Direito ao esquecimento

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