Biólogos, esses esquecidos - por Montezuma Cruz

Biólogos, esses esquecidos - por Montezuma Cruz

Da Redação

02 de Julho de 2008 às 14:58

Foto: Divulgação

Tudo muito bem. Engenheiros satisfeitos com a possibilidade de construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, começam a comemorar as oportunidades profissionais. Dizem que a multiplicação de plantas hidráulicas, projetos petrolíferos e de gás natural, plataformas, gasodutos e estações de bombeamento associadas, são terrenos férteis para o trabalho deles daqui para frente. No entanto, nessa euforia se esqueceram de que o componente social dos projetos hidrelétricos implica a contratação de profissionais indispensáveis: biólogos, por exemplo. E os engenheiros se esqueceram de mencioná-los na edição de março da revista da categoria, com reportagens especiais sobre o setor energético. O biólogo estuda o comportamento dos rios, espécies de peixes em abundância ou ameaçadas de extinção; faz manejo de resíduos sólidos; examina diariamente a qualidade das águas; resgata a fauna ameaçada e devolvem seus exemplares à natureza, entre outras atividades. Certamente, não será confiada a engenheiros a exigência legal de dar pareceres a respeito da migração dos bagres do Madeira e dos demais peixes daquele rio, à época da reprodução. São os biólogos que aprenderam a fazer isso e a instalar mecanismos de transposição, as conhecidas escadas de peixes. Uma hidrelétrica de porte médio ou grande abre para a engenharia civil um leque de serviços nas áreas de hidráulica, geotécnica, barragem, mecânica, elétrica e de automação. Todo esse campo também é vastíssimo para a atuação de biólogos, repentinamente esquecidos na lista dos engenheiros. Pode ter sido um encanto da classe em vista das novas obras na Amazônia,que possivelmente se iniciem em 2008. Mas denota um individualismo condenável. Porque os biólogos têm papel tão importante num empreendimento hidrelétrico quanto o do seus colegas engenheiros. O sol nasceu para todos. *VEJA TAMBÉM: * ARTIGO - Rapazes de classe média lincham doméstica - Por: Almir Farias da Cunha * O estatuto das microempresas e empresas de pequeno porte e a burocratização das licitações públicas
Direito ao esquecimento

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