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Para especialista, Brasil poderá exportar gel que previne infecções do vírus HIV

Para especialista, Brasil poderá exportar gel que previne infecções do vírus HIV

Da Redação

04 de Fevereiro de 2008 às 08:30

Foto: Divulgação

O Brasil poderá exportar, principalmente para países da África, o gel vaginal desenvolvido a partir de algas marinhas para prevenir infecções do vírus HIV, causador da aids. A afirmação é da professora de Biologia Marinha Valéria Laneuville Teixeira, do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), que disse que é necessário comprovar se o produto não é tóxico e se é eficaz em seres humanos. Com esses testes prontos, “o Brasil poderá exportar, com certeza”, afirmou Valéria à Agência Brasil . A especialista conseguiu isolar o composto químico (dolabelladienetriol) extraído da alga marinha parda, encontrada em grande parte da costa brasileira. O composto foi transformado em um gel pelo professor Luiz Roberto Castello Branco, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, parceiro no projeto. O gel vaginal funciona como um preventivo contra a aids em relações sexuais. “O certo é usar com a camisinha”, disse Valéria Teixeira. Ela acrescentou, porém, que em alguns países, como a África, o uso da camisinha é quase um tabu. “Então, a gente está procurando sempre um produto que a mulher possa passar e que o homem nem tenha conhecimento. Porque nessas sociedades, principalmente nos países onde a aids adquire um caráter epidêmico, você tem as mulheres sem muita voz e o machismo imperando. E, geralmente, o homem não quer usar a camisinha. Então, a gente faz muita pesquisa voltada para a mulher, como um fator de prevenção”, declarou a especialista. O Instituto de Biologia da UFF já iniciou testes em camundongas. Mas, para que o gel vaginal possa ser comercializado é necessário que sejam feitos também testes clínicos, isto é, em pacientes com aids. Valéria Teixeira informou que deverão ser efetuados testes em células humanas de colo de útero. A previsão é de que a fase clínica tenha início em 2009 ou 2010. A pesquisadora afirmou que o produto também poderá ser adotado pelo Ministério da Saúde em programas de prevenção contra a aids. O ministério tem apoiado o projeto, inclusive em termos financeiros. “Interessa muito ao Brasil usar uma droga nacional para o coquetel que é dado aos pacientes de aids. O custo é muito alto. Então, se nós tivéssemos um produto nacional para usar, seria muito bom. E o ministério tem dado apoio e incentivo que a gente precisa para trabalhar”, afirmou Valéria Teixeira. O gel vaginal desenvolvido no Brasil apresenta um custo elevado devido à substância ativa coletada da alga. Valéria Teixeira revelou, porém, que o Instituto de Biologia da UFF já está desenvolvendo estudos, em colaboração com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para cultivar essa alga. A idéia é que o produto possa ser obtido de maneira mais rápida, sem degradar o meio ambiente. “O que a gente quer é ter a substância sem ficar extraindo a alga do ambiente. É o desejável”, afirmou.
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