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CONTAMINAÇÃO: Autoridades de Saúde admitem que transmissão é muito intensa

Com 359 mortes e mais de 9 mil casos, Ministério da Saúde admite que a curva de aprendizado se acelerou

Correio Braziliense

04 de Abril de 2020 às 09:23

Foto: Divulgação

Como previsto pelo Ministério da Saúde, o aumento diário do número de casos confirmados e mortes pelo novo coronavírus continua crescendo em velocidade acelerada.

 

A quantidade de óbitos confirmados de quinta-feira para ontem foi o maior já registrado pela pasta: ao todo, 60 mortes pela Covid-19 foram contabilizadas. Com isso, o país tem 359 mortes pela doença e outras 9.056 pessoas foram diagnosticadas.

 

Questionado pelo Correio sobre quais lições a pandemia teria ensinado ao Brasil, a equipe do Ministério da Saúde afirmou que aprendeu que a transmissão do vírus é muito mais potente do que se imaginava.

 

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“Aprendemos que este vírus se transmite de uma forma muito mais intensa do que nós imaginávamos, e o número de casos de pessoas assintomáticas ou com sintomas leves é muito elevado. O risco disso é que a possibilidade de transmissão, mesmo de pessoas assintomáticas ou com sintomas muito leves, é muito intensa”, respondeu o secretário-executivo do órgão, João Gabbardo.



Ele explicou que o aprendizado fez com que o Ministério mudasse a linha de resposta para a contenção do vírus. “Começamos trabalhando com uma linha de isolar as pessoas sintomáticas para diminuir o risco do contágio, mas, com o tempo, fomos percebendo que isso não seria suficiente”, salientou. Por isso, a contenção da atividade social é uma das principais recomendações.


O fato de pessoas sem sintomas estarem aptas à transmissão fez com que o Ministério mudasse até mesmo a indicação do uso de máscaras. No início, a pasta não as recomendava para a população. “Hoje, no transporte coletivo, por exemplo, se impõe a necessidade, porque isso protege as pessoas de uma transmissão”. Para isso, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, incentivou que as pessoas produzam as próprias máscaras e deixem as cirúrgicas para os profissionais de saúde (veja quadro).



No Brasil, 23 estados e o Distrito Federal registraram vítimas. Apenas Acre, Amapá, Roraima, Tocantins e Mato Grosso não confirmaram óbitos. São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará são as unidades da Federação com mais mortes. A taxa de letalidade chegou a 4%. No entanto, o aumento do percentual não é visto com preocupação por Mandetta, que afirmou que o aumento da testagem fará o número de casos de Covid-19 que circulam no Brasil aumentar e, consequentemente, a taxa de letalidade cair.



Abastecimento


Ao contrário da taxa de letalidade, uma das maiores preocupações de Mandetta é a crise no abastecimento de insumos hospitalares. Ontem, a compra de 680 respiradores que reforçaria a rede de saúde pública do Nordeste foi interrompida pela indisponibilidade do equipamento pelo fornecedor. “É uma coleção de problemas que vai se somando”, disse o ministro.


A dificuldade acontece porque a China concentra a produção mundial, tanto de respiradores quanto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). O país fechou as fábricas por dois meses durante o pico da infecção. “Quando reabre, o mundo inteiro precisava repor o estoque e duplicar, triplicar para conseguir enfrentar a pandemia”, explicou Mandetta.  Neste cenário, outros países têm se adiantado para buscar os equipamentos. Foi o que fez, por exemplo, os Estados Unidos esta semana, que enviou 23 aviões cargueiros à China.



No momento, enquanto o Ministério busca soluções para se abastecer, o isolamento social é a única forma de impedir uma espiral de crescimento no número de infectados. E permitir que o sistema público de saúde consiga atuar sem superlotação.

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