ECONOMIA: Preço da carne volta a cair e inflação tem menor taxa para fevereiro em 20 anos

Resultado aponta ligeira aceleração em relação a janeiro devido reajuste de mensalidades escolares; preço da carne continua caindo

VEJA

11 de Março de 2020 às 09:39

Foto: Divulgação

Após sustos no final do ano passado, a inflação está em tendência de estabilidade em 2020. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,25% em fevereiro, melhor para o mês desde 2000, divulgou nesta quarta-feira, 11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Apesar da ligeira aceleração em relação a janeiro, quando ficou em 0,21%, a queda no preço das carnes ajudou no resultado.

 

No ano, a inflação acumulada está em 0,46% e, se levado em consideração os últimos doze meses, o índice apresenta alta de 4,01%. Para este ano, a meta do governo para o indicador é de 4%. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 4% em 2020. Para 2021, a meta é 3,75% e, para 2022, 3,50%. O intervalo de tolerância para cada ano é 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo – ou seja, em 2020, por exemplo, o limite mínimo da meta de inflação é 2,5% e o máximo, 5,5%.

 

Segundo o IBGE, o índice só não foi mais alto devido aos preços de cursos regulares, em alta por causa de matrículas escolares e início do ano letivo. O segmento teve alta de 4,42%. O resultado entretanto é sazonal.  “É comum a educação ter o maior impacto no mês de fevereiro, que é quando ocorrem os reajustes de mensalidade no início do ano letivo. Então tivemos essa alta nos cursos regulares, em que aparecem o ensino fundamental, médio, graduação e pós-graduação e também nos cursos diversos, que incluem os preparatórios e de idiomas, por exemplo”, explica o gerente de Índice de Preços do IBGE, Pedro Kislanov.

 

Vilão no fim do ano passado, o grupo de alimentação e bebidas desacelerou para 0,11%, afetado novamente pela queda nos preços das carnes (-3,53%), que haviam recuado 4,03% em janeiro. Apesar dos dois meses consecutivos de baixa, as carnes, que acumula baixa de 7,58% no ano, ainda não foi possível reverter o acumulado de 32,40% de 2019.  Entretanto, a deflação das carnes contribuiu para a desaceleração da alimentação no domicílio (0,06%, frente a 0,20% em janeiro). No lado das altas, os destaques foram o tomate (18,86%) e cenoura (19,83%). A alimentação fora do domicilio (0,22%) também desacelerou em relação a janeiro (0,82%). A refeição (0,35%) e o lanche (0,02%) apresentaram variações menores na comparação com o mês anterior (1,05% e 0,42% respectivamente).

 

Houve deflação também no grupo transportes (-0,23%), após apresentar alta de 0,32% em janeiro. A gasolina (-0,72%) e as passagens aéreas (-6,85%) foram os maiores impactos negativos no grupo.

 

O grupo habitação (-0,39%) também registrou deflação em fevereiro, após alta de 0,55% no mês anterior. A queda foi puxada principalmente pelo item energia elétrica (-1,71%). “A explicação para isso é a mudança da bandeira tarifária. Em janeiro estava em vigor a bandeira amarela, em que é cobrado um acréscimo para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em fevereiro passou a vigorar a bandeira verde, em que não há cobrança adicional”, comenta Kislanov.

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