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ESTELIONATÁRIO SENTIMENTAL: Golpista do amor prometia falso emprego e bolsas que não existiam

O suspeito usava perfis nas redes sociais para atrair suas vítimas, que tinham amigos em comum com ele

metrópoles

25 de Julho de 2019 às 09:15

Foto: Divulgação

Além de cometer estelionato sentimental, Darlan Jessie de Oliveira Bolener (foto em destaque), de 31 anos, prometia vagas falsas de empregos e oferecia bolsas de estudos que não existiam. Preso pela Coordenação de Repressão a Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), da Polícia Civil do DF, o homem agia há sete anos e tem ao menos sete ocorrências registradas contra ele, em Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Brasília.

 

O primeiro crime que se tem notícia ocorreu em Minas Gerais, em 2012, onde Darlan oferecia falsas vagas de emprego. Após ser descoberto, o homem fugiu. Em Mato Grosso, dizia que sua mãe era professora universitária e tinha bolsas de estudos para oferecer. Tudo para aplicar golpe nas vítimas. “Muitas podem não ter registrado ocorrência por vergonha”, acredita a delegada Isabel Moraes, da Corf.

 

A Polícia Civil prendeu preventivamente Darlan Jessie nessa terça-feira (23/07/2019), em Aparecida de Goiânia (GO). Ele foi encontrado na casa de um parente. De acordo com a PCDF, o suspeito usava perfis nas redes sociais para atrair suas vítimas, que tinham amigos em comum com ele.

 

No DF, se aproximou de um servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), com quem manteve um relacionamento por cerca de quatro meses. Deu um golpe de R$ 300 mil e depois desapareceu, alegando que tinha câncer em fase terminal. Policiais da Corf chegaram até o suspeito, que era conhecido como “Arcanjo Gabriel”, por meio da denúncia desta vítima.

 

A polícia descobriu que Darlan comprou passagem para os Estados Unidos, mas desistiu de sair do país provavelmente porque sabia do mandado de prisão. Ele foi detido no âmbito da Operação Angelo.

 

O servidor do TJDFT, que tem 36 anos, conta ter registrado ocorrência policial há cerca de dois meses, após descobrir que havia sido vítima de um golpe. Ele diz ter sido procurado nas redes sociais por um amigo de Darlan, que alegava conhecer seu ex-namorado. Logo em seguida, o contato do acusado, que usava nome falso de Gabriel Arcanjo Ribeiro, foi fornecido ao funcionário público.

 

Darlan e o funcionário do TJDFT passaram a se falar pelas redes sociais. Por três dias, trocaram mensagens até que decidiram se encontrar em um barzinho no Guará. A princípio, viraram amigos. Depois, passaram a se relacionar amorosamente. No período em que ficaram juntos, dizia ser empresário e neto da desembargadora Maria Erotildes, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

 

Afirmou ainda que sonhava ser proprietário de uma boate em Brasília, mas não tinha recurso financeiro. Darlan usou esse argumento para atrair a vítima com os planos para abrir o negócio. A partir daí, o servidor começou a emprestar dinheiro ao golpista. Foram 22 depósitos totalizando R$ 300 mil.

 

Em seguida, Darlan alegou ao funcionário do TJDFT que estava com câncer terminal e precisava fazer uma cirurgia muito cara. Afirmou ainda que sua “avó desembargadora” só pagaria metade e precisava de mais dinheiro. “Ele me ligou chorando, fez o maior melodrama. Acabei me comovendo, acreditando na história de que ele estava prestes a morrer. Então, transferi a quantia diretamente para ele”, conta o funcionário público.

 

Durante o período em que se relacionaram, Darlan levou a vítima em um terreiro de candomblé. Lá, apresentou um suposto pai de santo ao namorado. “Ele incorporou um espírito na hora e disse que a boate de Gabriel seria um sucesso. Afirmou ainda que ele ia precisar muito de mim, por isso acabei caindo na história e me oferecendo para ser sócio dele e fazer os depósitos em várias contas que ele me passava”, contou.

 

A vítima começou a investigar o nome das contas para as quais fazia transferência e acabou desmascarando o autor do golpe. Descobriu a verdadeira identidade de Darlan e jogou no Google. Na pesquisa, apareceram diversos casos de fraudes envolvendo o acusado. A partir daí, o funcionário do TJDFT procurou a polícia e fez a denúncia.

 

Espero que agora a justiça seja feita e ele fique preso, pois é um perigo para a sociedade”, ressaltou a vítima. O servidor acredita que outras pessoas estejam envolvidas nos golpes.

 

Trata-se de criminoso contumaz que também é investigado pela prática de estelionato nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais”, pontuou a delegada Isabel Moraes. Segundo ela, Darlan não ostentava, mas “vivia bem” com golpes que aplicava. O mandado de prisão preventiva contra Darlan foi expedido pela Vara Criminal de Taguatinga. Se condenado, ele pode pegar até 5 anos de reclusão e multa.

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