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Onde há ouro, há fumaça? Garimpeiros colocam fogo na violenta Humaitá

Por Sérgio Pires

DA REDAÇÃO

30 de Outubro de 2017 às 08:30

Onde há ouro, há fumaça? Garimpeiros colocam fogo na violenta Humaitá

FOTO: (Divulgação)

Humaitá, uma média cidade no vizinho Amazonas, situada a 204 quilômetros de Porto Velho, com cerca de 50 mil habitantes, mais uma vez entra no mapa do noticiário nacional, por causa da violência.

Dessa vez, a guerra, com prédios e carros incendiados, confusão, pauleira pura, envolveu pelo menos dois mil garimpeiros e alguns fiscais do Ibama, que usando a truculenta legislação que lhes dá poder de polícia e de Juiz, incendiaram várias balsas num garimpo ilegal da cidade.  Humaitá já demonstrou ser uma comunidade violenta.

Em dezembro de 2013, a cidade foi notícia por causa de mais um crime bárbaro: índios da Tribo Tenharim, que queriam se vingar do suposto assassinato do seu cacique, sequestram, mataram e esconderam os cadáveres de três portovelhenses, que apenas passagem perto de suas terras.

Depois ficou comprovado que o cacique morreu num acidente de moto, quando colidiu com uma árvore, porque estava totalmente embriagado. Os assassinos estão presos, mas usufruem de inúmeros benefícios legais e em breve estarão soltos novamente.

Na ocasião, reagindo aos assassinatos, parte da população de Humaitá saiu às ruas e incendiou não só o prédio da Funai, como da Casa do Índio. Por pouco não houve uma grande tragédia. A Força Nacional de Segurança teve que intervir. Nesta sexta, o risco de tragédia se tornou real novamente. Centenas e centenas de garimpeiros puseram fogo não só no prédio do Ibama e na ICMbio, o Instituto Chico Mendes, a autarquia que manda e desmanda na Amazônia.

O garimpo ilegal de Humaitá estava fazendo muitos novos ricos, tal seu potencial e, igualmente, pela qualidade excepcional do ouro que lá é retirado do rio. A “fofoca”, como é chamado o local onde aparece ouro e logo a notícia se espalha, começou com 16 balsas e, no último final de semana, já eram computadas mais de 700 balsas e dezenas de dragas no local.

A população flutuante, em buscando da fortuna nas águas barretas do rio Madeira, chegava a mais de 3 mil pessoas. O volume de dinheiro que circula na cidade é incrível e ele se transforma em fortuna, do dia para a noite. Só para se ter ideia, o quilo do ouro, hoje, está cotado no mercado a nada menos do que 133 mil reais.

Quando os fiscais do Ibama e ICMbio atacaram as balsas, incendiando várias delas, começou o conflito. Durante todo o final de semana, o temor era de que a guerra se ampliasse. Humaitá, lamentavelmente, volta ao triste noticiário nacional. Agora, por causa do ouro abundante.

Aplausos a Nazif

Proposta do vereador Jair Montes, quando ainda era aliado do atual prefeito Hildon Chaves (agora é adversário ferrenho), concedeu Moção de Aplauso, pela Câmara de Vereadores, ao ex prefeito Mauro Nazif. A proposta, na época, foi aprovada pela grande maioria dos vereadores.

Três (o presidente da Casa, Maurício Carvalho; o vereador mais votado, Aleks Palitot e o também jovem vereador Luan da TV), foram contra. Palitot, aliás, alega que se a Moção fosse pela carreira política e pela história pessoal de Nazif, sem dúvida votaria a favor.

Não o fez em função do governo Nazif que, segundo ele e outros críticos do então Prefeito, muito pouco de positivo trouxe para a cidade. A entrega da homenagem será nesta terça, na Câmara e o PSB, partido de Mauro, pretende levar muita gente para o evento, para prestigiar o ex mandatário da cidade. Nazif tem aparecido muito pouco em eventos públicos, desde que deixou a Prefeitura, mas a partir de agora certamente voltará à ribalta com mais frequência. É candidatíssimo à Câmara Federal.

As fronteiras e os discursos

O problema é nas fronteiras, mas os governadores da região norte pediram dinheiro foi para construir mais presídios. Na Carta do Acre, depois da reunião dos noves governadores do norte e outros 13 de vários outros Estados, foi pedida a liberação de 900 milhões de reais para o fortalecimento do sistema penitenciário. Essa questão é importante, claro, mas o destaque maior, o das fronteiras desguarnecidas, ficou aparentemente num segundo plano.

O presidente Temer, que não compareceu ao encontro, conforme agendado, pela crise na uretra, que o levou a uma cirurgia, enviou mensagem Governadores, garantindo apoio federal para a luta contra o crime organizado e destacando a necessidade de controle de fronteiras. Ou seja, conversa, discurso, papo antigo, mas, de ações práticas, muito pouco.

Já se sabe qual é o problema; quais suas causas e as formas para combater o crime. O que não existe é um plano real de ação e muito menos dinheiro para realizá-lo. O governo do Acre, contudo, pediu 13 milhões da União para cuidar das fronteiras. Com um projeto isolado, é claro que isso não resolve. Quando, então, teremos uma ação efetiva (e não discurso) de combate ao tráfico de drogas e contrabando de armas nas nossas fronteiras abandonadas?

O câncer assusta Rondônia

Incrível como crescem os números de pessoas com algum tipo de câncer no país. No ano passado, quase 600 mil brasileiros foram acometidos pela doença, mais mulheres do que homens. Em Rondônia, os números também são assustadores. No ano passado, foram registrados 190 casos apenas de câncer de mama, 90 deles em Porto Velho.

Não fossem as ações preventivas, muitas delas praticadas pelo Hospital do Câncer de Barretos, que agora tem sua unidade na Capital, com o nome de Hospital da Amazônia, o número de mortes teria sido imenso. Os tipos da doença mais comuns em Rondônia são o câncer de mama; de pulmão; de intestino; pele e colo do útero.

Mas, para os homens, o maior perigo é o câncer de pulmão. As maiores taxas desta terrível doença são registradas em Rondônia. Os números assustam: 10,2 homens e 6,5 mulheres, entre cada 100 mil habitantes, morrerão de câncer no pulmão este ano. Numa população de 1 milhão e 750 mil pessoas, a doença vai tirar a vida de 174 homens e 110 mulheres.

Exames preventivos, tratamento precoce, idas aos médicos logo que se sentir qualquer sintoma, são caminhos que podem salvar vidas. Há casos de câncer que, tratados a tempo, têm 100 por cento de chance de cura.

Me engana que eu gosto!”

A corrida dos pré candidatos se amplia a cada final de semana. Concorrentes em todos os níveis, tanto no caso de pretendentes ao Governo como ao Congresso e à Assembleia, se multiplicam em eventos, formaturas, reuniões, casamentos, noivados, batizados e até velórios.

Embora ainda não possam pedir votos explicitamente, todos os detentores de cargos, hoje, já correm atrás do eleitor, sempre fazendo todo o possível para não desrespeitar a legislação eleitoral. Já vale tudo, com exceção do pedido de voto. De vez em quando aparecem novos concorrentes ao Palácio Rio Madeira/CPA. O nome desta semana foi o do advogado Marcos Rocha, do PT.

Os nanicos também pensam em nomes, para valorizar seu custo na hora de abrir o balcão de negócios com os partidões, principalmente por causa de espaço no horário eleitoral gratuito. Fala-se em mudanças na legislação eleitoral, mas é bom lembrar que para 2018 nada mudou, na essência. Tudo continua igualzinho, apesar da reforma/“puxadinho” que o Congresso Nacional comemorou e que só vale a partir de 2020.E o  eleitor pode continuar cantando, alegre: “Me engana que eu gosto!”

Diferenças na educação

O caso de um menino de nove anos, que usou uma arma de brinquedo para apavorar seus coleguinhas de classe e sua professora, ocorrido em Porto Velho, nessa semana, é só mais um na série de riscos a que se expõe os que frequentam nossos educandários, sejam eles estaduais, municipais ou particulares.

Nada protege definitivamente a população escolar de eventos como esse. O caso do menino, que fez apenas uma brincadeira de péssimo gosto, causou pânico porque, dias atrás, outro menino, só que de 14 anos, matou dois colegas, deixou uma menina paraplégica e feriu outros, em Goiânia, ainda está fresco na memória de todos.

O amplo noticiário, com detalhes rebuscados, repetidos todos os dias na mídia, causou tristeza e horror, mas, para muitas crianças, também aguça a curiosidade, que pode levar a novos perigos. Qual a solução? Com os pais cada vez mais distantes da vida dos filhos (não no caso de Goiânia e não se sabe se no caso de Porto Velho), passa-se a responsabilidade da educação para a escola.

Então, pergunta-se: o sistema de militarização não seria o melhor caminho? Alguém ouviu sobre alguma ocorrência semelhante numa escola militarizada? As perguntas, é claro, servem só como provocação. E para debate...

O Enem e a ideologia

Enquanto o Inep tenta desesperadamente impor provas ideológicas no Enem, querendo dar zero em redações dos estudantes que sejam consideradas agressivas aos direitos humanos (felizmente, a Justiça Federal usou o bom senso e cortou esse barato, mas o Inep recorre para praticar esse abuso contra o direito de opinião), mais de 80 mil rondonienses se preparam para as provas.

A turma do Inep, daquela mesmo que apoia a ideologia de gênero nas escolas e a implantação da ditadura ideológica sobre o ensino, vai comandar mais um exame nacional, para cerca de 6 milhões e 750 mil estudantes em todos os quadrantes do país. No Enem deste ano (as provas serão dias 5 e 12 do novembro que está chegando), os números de Rondônia são menores do que os do ano passado, em 20 por cento.

Em 2016, fizeram as provas mais de 100 mil alunos. A queda nos inscritos ocorreu porque o Enem deixou de certificar o Ensino Médio, que voltou ao Exame Nacional de Certificação de Competência de Jovens e Adultos, o Enceja. Ou seja, mais burocracia na estrutura da educação, com menos qualidade e menos resultados. Mas, enfim, é o Brasil, onde tudo está aparelhado.  Principalmente a educação...

Perguntinha

No próximo duelo entre ministros que se tornaram inimigos, no STF, a guerra vai ser só de palavras ou eles vão partir para a agressão física?

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