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No Dia Mundial da Água professor da FARO traz reflexão sobre a água em Porto Velho e região

Tomando por base este raciocínio, podemos compreender o quão é significativo o ciclo das águas em março, que o poeta fez questão de eternizar.

DA REDAÇÃO

22 de Março de 2013 às 08:51

No Dia Mundial da Água professor da FARO traz reflexão sobre a água em Porto Velho e região

FOTO: (Divulgação)

O COMPORTAMENTO DAS ÁGUAS DE MARÇO
“São as águas de março fechando o verão” disse o poeta Tom Jobim.
Tomando por base este raciocínio, podemos compreender o quão é significativo o ciclo das águas em março, que o poeta fez questão de eternizar. Esse poema nos remete ao papel do “Regime Hidrológico” em março, que nada mais é do que o conjunto de variações do comportamento da água. Neste ciclo, a chuva é um comportamento do regime hidrológico que afeta diretamente nossos hábitos.
O britânico Gerard Moss explica como a origem do regime hidrológico possui ligação direta com as águas de março: “Os cursos de água atmosféricos, invisíveis, que passam em cima das nossas cabeças transportando umidade e vapor de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil que são denominados de “Rios Voadores”.
O termo “rio voador” descreve com um toque poético um fenômeno real que tem um impacto significante em nossas vidas”. Aliás, o meteorologista Dr. Ranyere Silva Nóbrega afirma que em nossa região Amazônica, as informações sobre a sazonalidade da chuva apontam que o mês de novembro abre o período das águas (chuvoso) e o mês de março fecha o período. As análises das condições climáticas da cidade de Porto Velho indica que no mês de março o volume médio de chuva representa cerca de 14% do total anual (2.200 mm/ano).
São as águas de março fechando o verão (período chuvoso)
A habitual ocorrência de chuvas promove de forma imperceptível aos olhos a infiltração e o reabastecimento das águas subterrâneas. Contudo, nenhum destes fatores salta tanto aos olhos quanto o escoamento superficial das águas. Da mesma forma que este fator natural traz soluções para sociedade ao recarregar nossos reservatórios para a geração de energia e abastecer de água as populações urbanas, também produz uma série de efeitos colaterais na natureza que se forem ignorados pelo homem em seu planejamento ambiental, social e econômico, trazem prejuízos incomensuráveis.
A elevação do nível d’água nos rios, devido ao aumento da vazão, conhecido por “enchente” e o transbordamento das águas de um curso d’água que atinge as áreas de várzea denominada de “inundação” são fenômenos de efeito do escoamento, que outrora chegou em forma de chuva, e nesta época do ano se faz presente no cotidiano brasileiro. O simples hábito de assistir telejornais neste período chuvoso é a melhor maneira de comprovar tal argumento. Semanalmente os grandes eventos críticos ligados ao ciclo hidrológico possui lugar de destaque nos veículos de comunicação nacional durante os primeiros meses do ano, uma vez que os rios voadores também afetam outras regiões.
De acordo com levantamento das Nações Unidas e divulgado pela imprensa , o Brasil foi o sétimo país do mundo que mais registrou mortes por conta de enchentes em 2010. Isto demonstra que, dominamos de forma categórica o uso da água, mas ainda precisamos aprimorar a relação com a água quando não é exatamente utilizada pelo homem, mas necessita ser manejada adequadamente para minimizar prejuízos. Talvez esta seja a melhor reflexão no dia Mundial da Água, coincidentemente, ou não, é celebrado no dia 22 de março.
No entanto, a sociedade possui o compromisso de refletir sobre a água uma vez ao ano, porém há profissionais que dedicam sua carreira ao monitoramento destas informações hidrológicas, como forma de contribuir de forma positiva nessa relação homem e água no mesmo ambiente. Um exemplo desta árdua tarefa são os boletins feitos por instituições como o Serviço Geológico Brasileiro - CPRM, a Agência Nacional de Águas - ANA e o Sistema de Proteção da Amazônia – SIPAM. É através deste esforço interinstitucional, que conhecemos os aspectos do regime hidrológico de nossa região.
Foi em uma de suas edições que se constatou que ao longo do ano, é no mês de março que predominam as cotas máximas do rio Madeira, apesar das maiores cheias já registradas terem ocorrido no mês de abril. Com essas informações, podemos compreender que neste período, as áreas de várzeas ao longo do rio devem ficar sempre em alerta com as inundações e enchentes.
Alguns destes profissionais têm alocado seus esforços em desenvolver sistemas de alertas para enchentes e inundações em pequenos igarapés urbanos. O impacto destes fenômenos das águas tem causado grandes problemas em áreas urbanas e o mapeamento de áreas que são afetadas diretamente por estes eventos hidrológicos.
 Quando são levantadas as informações sobre o comportamento das chuvas e do escoamento bem como o processo de ocupação da área, pode-se mitigar o efeito negativo provocado nestas regiões. Tais profissionais tem-se incumbido de nos orientar não só a forma como devemos usar a água para sobreviver, mas também como considera-la no ambiente em que vivemos. Somente com a junção das duas visões sobre a água que passaremos a entender o final do poema de Tom Jobim.
“São as águas de março fechando o verão, é promessa de vida para o seu coração.”
Sobre o autor: Henrique Bernini - Possui graduação e mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia – UNIR, com a linha de pesquisa em Meio Fisico e Desenvolvimento Sustentado. Atualmente leciona a disciplina de Hidrologia na Faculdade de Rondônia - FARO, para os cursos de Engenharia e possui a função de Coordenador Interino de Pesquisa e Extensão. Atua também como pesquisador do Grupo de Pesquisas em Hidrologia da Amazônia no Centro Regional do Sistema de Proteção da Amazônia - SIPAM em Porto Velho-RO. Tem experiência na área de Geoprocessamento, atuando principalmente nos seguintes temas: Monitoramento Hidrológico, Bacias Hidrográficas, Sensoriamento Remoto e Sistema Informação Geográfica - SIG.

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