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AEROCLUBE - Aguarda definição para novo local

Para compreendermos um pouco da história do Aeroclube de Porto Velho, temos que nos reportar ao ano de 1931, quando o Brasil experimenta uma crise semelhante a que vivemos hoje: a escassez de mão-de-obra especializada na aviação, ou seja, faltava aviadore

DA REDAÇÃO

18 de Março de 2013 às 09:32

AEROCLUBE - Aguarda definição para novo local

FOTO: (Divulgação)

Em 12 de agosto 1942, quando é fundado o Aeroclube de Porto Velho, capital do antigo Território Federal do Guaporé.
Para compreendermos um pouco da história do Aeroclube de Porto Velho, temos que nos reportar ao ano de 1931, quando o Brasil experimenta uma crise semelhante a que vivemos hoje: a escassez de mão-de-obra especializada na aviação, ou seja, faltava aviadores.
Na época, a aviação civil no Brasil e no mundo já se encontrava bastante organizada, os equipamentos cada vez mais seguros, o volume de serviços em franco desenvolvimento, vinculando cada vez mais às atividades econômicas e o desenvolvimento regional a atividade aérea.
Embora o Brasil, já contasse com várias escolas civis e militares de pilotagem a franca expansão da aviação comercial exigia captação de mão-de-obra estrangeira que acabava sendo inevitavelmente a grande maioria.
Mediante essa desconfortável situação, o Governo Federal cria o Departamento de Aeronáutica Civil - DAC em 22 de abril de 1931. Uma das primeiras incumbências do novo departamento foi a de promover a gradual substituição dos aviadores estrangeiros por aeronautas brasileiros, pois na época a frota nacional operava com aproximadamente 81 aviões comerciais e a comunidade de aviadores compunha-se de apenas três brasileiros natos.
A semelhança do que vivemos hoje, o período foi marcado pela imensa falta de pilotos profissionais, pois não se dispunha de mão de obra no mercado para viabilizar a substituição dos aeronautas estrangeiros.
Essa intempestiva condição pressiona os órgãos governamentais a dinamizar os meios de formação de aviadores. Para solucionar o problema, várias medidas foram tomadas, mas a solução definitiva só viria alguns anos mais tarde com a Campanha Nacional de Aviação, criada pelo Ministro da Aeronáutica Salgado Filho.
O lema da campanha era "Dêem Asas ao Brasil", patrocinada pelo jornalista Assis Chateaubriand, que por intermédio dos seus jornais Diários Associados, estimulava a criação de aeroclubes pelo país, conseguindo aviões de treinamento básico para os municípios que construíssem campos de pouso e iniciassem uma associação de entusiastas do vôo responsável pelo ensino das técnicas de pilotagem.
Sob estes moldes, em 1937, foi fundado o Aeroclube do Pará, Aeroclube de Goiás, que inicialmente formaram aviadores para a região Amazônica e Centro-Oeste.
Somente em 1938 a campanha ganha grande impulso, motivada pelos ‘raids’ aéreos que agitavam os meios aviatórios e a imprensa escrita e falada do país. O jornalista Assis Chateaubriand, grande entusiasta da aviação, foi responsável pela organização das primeiras revoadas passando a pedir doações de aeronaves aos milionários da época. Assim, a Campanha Nacional alcança grande abrangência no território brasileiro, chegando ao âmago da região Amazônica em 29 de março de 1940, quando é fundado o Aeroclube do Amazonas em Manaus, e dois anos mais tarde, em 12 de agosto 1942, quando é fundado o Aeroclube de Porto Velho, capital do antigo Território Federal do Guaporé.
 
Com a criação do Estado em 22 de dezembro de 1981, o Aeroclube passa a se chamar Aeroclube de Rondônia. A campanha terminou em 1949. Durante quase uma década, foram criados mais de 300 aeroclubes, doados um número impreciso de aeronaves, distribuídas bolsas de estudos para centenas de alunos-pilotos e mecânicos de vôo.
Instalado no Aeroporto do Caiarí (primeiro campo de pouso da capital) o aeroclube funcionou nesse local até o efetivo fechamento em 1969. A União, através da preposta Aeronáutica, prepara novas instalações e pista de pouso homologada, entregando ao Aeroclube de Porto Velho, novas instalações para a continuidade de suas operações. Em 1974 o Aeroclube já estava completamente estruturado em suas novas instalações na Estrada 13 de Setembro. Nesse novo local o Aeroclube de Rondônia continuou a contribuir expressivamente para o progresso do Estado, pois nossas estradas quando existiam, eram por demais de precárias, assim, as viagens de negócios, os abastecimentos dos mais diversos gêneros para todas as cidades do interior eram feitos através de aeronaves. Nesse tempo chegou-se a observar mais de cinqüenta aeronaves operacionais no pátio do Aeroclube que sediava várias empresas de táxi aéreo.
Nessa época, a instituição recebia do Governo Federal uma verba para a manutenção das instalações. Com a abertura e pavimentação das estradas, esse modal de transporte foi gradativamente reduzido, ficando o Aeroclube como sede da escola de aviação, de pequenas empresas de táxi aéreo e das diversas modalidades da aviação desportiva. É importante ressaltar que o Aeroclube é um importante aeroporto alternativo, uma vez que, por estar distante do rio, normalmente apresenta-se aberto quando o aeroporto internacional está fechado por mau tempo.
Infelizmente a escola não possui na totalidade os registros do grande número de aviadores já formados por ela. Contudo, podemos afirmar que graças ao trabalho de dedicados amantes da aviação, o Aeroclube, ininterruptamente, ao longo destes 70 anos de história, não deixou de exercer seu papel fim, que é a formação de aviadores.
Atualmente existe ex-aluno voando na Emirates Airline empresa dos Emirados Árabes Unidos que opera o maior avião comercial do mundo o Airbus 380, e muitos outros em outras partes do mundo e praticamente em todas as empresas aéreas de primeiro nível no Brasil. 
Por ser uma instituição civil sem fim lucrativo, o Aeroclube jamais ofereceu qualquer remuneração aos seus diretores, que ainda prestam serviços voluntariamente, o que tem propiciado a continuidade operacional das atividades da escola. Desde os anos noventa a instituição, não recebe qualquer contribuição monetária oficial, devido a um litígio criado com o Ministério da Aeronáutica que pela ocasião queria que desocupássemos a área.
Por conta desse litígio o Aeroclube nunca mais pode receber ajuda de custos para manutenção da área ou preitear bolsas para nossos alunos.
A instituição ainda aguarda o oficial reconhecimento pelos relevantes serviços já prestados, e pelo muito que ainda pode contribuir, uma vez que há muito tempo opera como expressivo “Centro de Formação de Pilotos” da região, sem qualquer ônus ao erário público.
Se o Aeroclube tiver a área regularizada, poderá pleitear junto a ANAC, a concessões das oficiais bolsas de estudo, para o Curso de Piloto Privado, normalmente já concedida a Aeroclubes que contempla alunos de baixo poder aquisitivo. Esta condição também ampliara consideravelmente as possibilidades da escola, em médio prazo poder-se-ia fazer convênios com Universidades em vista a elevar o nível da prestação de serviços, quantitativa e qualitativamente, com a disponibilização do Curso de Ciências Aeronáuticas a ser oferecido a todos os interessados do Estado de Rondônia e Região. 
Hoje a escola do Aeroclube de Rondônia está plenamente ativa. Tem homologados o curso de Piloto Privado de Avião, (porta de entrada para a carreira aeronáutica civil), cursos Profissionalizantes de Aviadores - Piloto Comercial e instrutor de voo. Ainda este ano vai oferecer o curso de Comissário de Voo e Agente Aeroportuário. Na aérea desportiva oferece cursos de para-quedismo e aeromodelismo. 
Todos estes cursos estão cadastrando alunos interessados para formação de turmas.

Como demonstrado nestas linhas a instituição Aeroclube de Rondônia, apesar de arcar com a despesa da manutenção de toda a área, ainda consegue desenvolver-se, e oferecer melhores condições aos alunos e novos cursos.

PODE PARAR

Ocorre que o Aeroclube foi procurado extra oficialmente pela administração municipal do ex-prefeito Roberto Sobrinho, sinalizando a possibilidade de troca da atual área por outra com melhores benfeitorias onde a entidade estaria livre das questões jurídicas e em melhores condições para atender suas operações.
A instituição pronunciou-se a favor desde que recebesse em troca a referida área em condições de operacionalidade. Porém a administração de Roberto Sobrinho teve problemas no final de seu mandato parando o processo de aquisição da nova área e estruturação da mesma para a mudança. O fato mais grave do processo é que os processos na esfera federal não pararam e o cancelamento do designativo está prestes a cair ( 2 de maio), fato que transtornará expressivamente todas as atividades do Aeroclube bem como o segmento da aviação privada que atende muitos empresários da cidade.
Assim, hoje a solução deste impasse encontra-se nas mãos dos atuais administradores, uma vez que a eles cabem a gestão no sentido de prosseguir com a construção de  novas instalações a tempo da transferência, ou fazer à gestão junto as esferas federais para o cancelamento dessa portaria até que se resolva o problema de alocação da instituição sem nos impor tamanho prejuízo.
A despeito das dificuldades e embora sem as generosas divulgações pelas mídias populares, o Aeroclube de Rondônia, continuará prestando consistentemente seus relevantes serviços à comunidade.
 

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