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Escolha um palavrão e o use contra a Aneel: ela autorizou aumento na conta de energia de mais de 25%, numa tacada só

POR SÉRGIO PIRES

12 de Dezembro de 2018 às 08:26

Tem alguma palavra, que não seja um enorme e sonoro palavrão, que possamos dizer para resumir a vergonhosa decisão de aumentar, com números superlativos, a nossa já caríssima conta de energia, mesmo que estejamos entre os maiores produtores dela, nesse enorme Brasil? Que expressões de desabafo, que não sejam de palavras agressivas e furiosas, se poderia usar para resumir a indignação com a decisão da diretoria da Aneel, tomada ontem, de forma surpreendente, dentro de salas trancadas, autorizando um aumento médio de 25,34 por cento na conta de energia elétrica do rondoniense? E já a partir desta quinta, 13 de dezembro? O assunto foi denunciado na tribuna da Câmara Federal durante discurso do deputado reeleito Lúcio Mosquini, do MDB. Ele protestou, com toda a veemência, contra o que chamou de “presente grego” que uma instituição criada para proteger o consumidor, antes de tudo, já que é uma agência reguladora, que deveria cuidar de um setor essencial para o País, mas acabou tomando essa criminosa decisão contra o povo do nosso Estado. Ao autorizar a empresa que comprou a Eletrobras Rondônia/Ceron, a cobrar cima de 30 por cento a mais na conta de energia (a Energisa  não aceitou e o aumento acabou ficando em 25,34 por cento e, para ela, fica menos 1 por cento desse total), numa tacada só, a Aneel pegou todos os mais de 640 mil consumidores do Estado de total surpresa.  Além de cometer esse verdadeiro acinte contra Rondônia, um dos diretores da Aneel ainda teve a petulância de dizer que a Ceron atende “a todo o Estado de Roraima”, corrigindo-se depois e nos chamando, enfim, de Rondônia.  A direção da Aneel, que autorizou esse abuso (a maior parte dele é para compra de energia  e pagamento de impostos, tributos e taxas e só um pequeno percentual é realmente para cobrir valores relativos ao consumo),  afirma que ele faz parte do contrato assinado no ato da compra da Ceron, embora esse infortúnio para o bolso do rondoniense jamais tenha sido anunciado anteriormente. Pelo contrário: a mentira era de que, com a privatização, o valor da conta de energia iria cair. No seu discurso desta terça, Mosquini mostrou toda a sua indignação, anunciando que tentou falar com autoridades do governo federal e da própria Aneel, para pedir que o aumento não fosse autorizado. Tudo em vão. Agora, ele quer a união de representantes das bancadas de Rondônia e Acre, para uma mobilização que vise batalhar que o reajuste ao menos seja autorizado de forma parcelada.

 

 

E agora, quem poderá nos defender? Nem o Chapolin Colorado! Porque fomos enganados, das nossas maiores autoridades à população em geral, nesse negócio absurdo que privatizou uma estatal que era muito ruim; que tinha uma das tarifas entre as mais caras do país  mas que, ao menos, não nos apresentava um aumento pornográfico como esse, do dia para noite, sem qualquer explicação, como o fez agora a Aneel. Mosquini, em se discurso, tocou na ferida: “querem agora, de uma vez só, corrigir todos os eventuais prejuízos tarifários que tiveram durante anos”, protestou.  Quando a Energisa anunciou investimentos de 470 milhões de reais em Rondônia apenas para 2019, ninguém imaginava que , pouco mais de 30 dias depois de a empresa ter ganho o leilão que privatizou a Ceron, junto com a boa nova dos investimentos, teríamos um aumento tão grande, numa vez só. Vamos aceitar calados a esse  vergonhoso acinte, decidido a portas fechadas através de  um contrato que, ainda, pode nos trazer outras péssimas surpresas em suas entrelinhas ou vamos todos correr em massa ao Judiciário, para que não tenhamos nossos bolsos assacados por burocratas de uma agência reguladora, que está se lixando para o consumidor rondoniense? Que cada um faça sua escolha.

 

 

ENERGISA FICA COM QUASE ZERO

 

Em nota divulgada nesta terça, a Energisa fala sobre o reajuste. Começa informando que a Aneel aprovou “o Reajuste Tarifário Anual da Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron) que valerá a partir de 13 de dezembro de 2018. O efeito médio a ser percebido pelo consumidor é de 25,34 por cento, sendo que os clientes da Baixa Tensão (residencial e comercial) terão correção de 24,75 por cento e os da Alta Tensão 27,12 por cento”. No texto, a Energisa sublinha que “o principal motivo para o aumento é o gasto com a geração de energia e com o pagamento de dívidas acumuladas com a compra de energia nos últimos dois anos, um dos itens que compõem a Parcela A, e que não são de responsabilidade da Ceron”. Outro fator que agravou o quadro foi o aumento da utilização de usinas térmicas, que geram energia mais cara. Em 2010, as térmicas correspondiam a 16 por cento da matriz energética brasileira. Hoje, esse percentual está em 25 por cento. Os valores arrecadados na Parcela A são integralmente repassados a outros agentes do setor elétrico, e correspondem a 24,57% do reajuste. A parte que cabe à distribuidora teve um impacto de apenas 0,77 por cento, considerando a redução de 1,81%, proposta pela Energisa no leilão de compra da CERON e ainda acrescido da inflação acumulada nos últimos 12 meses. Ela deixa claro que, em termos de custos do consumo de energia elétrica, que é a atividade dela, o reajuste é quase nulo. Mas o que importa é o resultado final. A Energisa não ganhará quase nada, mas o consumidor rondoniense pagará tudo e perderá de novo, pagando um aumento totalmente absurdo e fora da realidade. E esse percentual não foi maior porque a própria Energisa pediu, porque seria mesmo acima dos 30 por cento. A Aneel é uma vergonha para o Brasil!

 

 

MARCOS ROCHA ESTÁ DE VOLTA!

 

Bem vindo, Governador! Os rondonienses já estavam com saudades, depois de quase duas semanas sem ter notícias suas, O descanso, merecido, depois de uma campanha dura e para se preparar para o maior desafio da sua vida, certamente o deixou renovado para o que vem por aí! A 21 dias da sua posse, há ainda uma série de atividades a serem cumpridas. A principal delas, a partir de agora, será montar sua equipe, anuncia-la e esperar a reação da população, que, certamente, será positiva, pois há grande expectativa de que seu governo seja diferente e melhor ainda que os anteriores. Estamos todos, também ansiosos, para que saibamos quais serão seus primeiros atos no comando do Estado e, principalmente, suas medidas concretas para combate á corrupção e enxugamento do Estado, duas prioridades que o senhor anunciou durante toda a campanha. Os rondonienses esperam que tudo dê certo e que, desde os primeiros dias, as coisas comecem mesmo a melhorar. Por fim, um único pedido dos que vão comemorar com muita festa a passagem de ano: não dá pra mudar o horário da posse, marcada para a “madrugada” (8h30 da manhã), de um 1º de janeiro?

 

 

SERÃO ESSES OS PLANOS PARA A SAÚDE?

 

Como ainda são raras as informações sobre projetos que o governador eleito Marcos Rocha pretende priorizar, no início do seu governo, pode-se ao menos imaginar que ele vão dar continuidade a programas que estão dando certo, na saúde pública, por exemplo, além de batalhar para resolver ao menos os casos mais urgentes, que têm afetado muito seriamente esse setor vital para qualquer governo. Dois programas criados no governo Confúcio Moura, ao que tudo indica, serão mantidos, não se sabe se ampliados ou se como até agora estão sendo postos em execução: o programa de atendimento domiciliar, que hoje atende mais de 250 pacientes em suas próprias casas, com uma equipe multidisciplinar e que é um verdadeiro hospital residencial e os serviços do Barco Hospital Walter Bártolo, que atende principalmente ribeirinhos e comunidades indígenas no baixo Madeira e no rio Guaporé. Milhares de atendimentos já foram registrados nos últimos anos. Em relação a futuras ações, há quem diga que a preocupação mais imediata do Coronel Marcos Rocha será com a situação caótica em que se encontra o Hospital João Paulo II, onde existem pacientes nos corredores e até na área externa, expostos ao sol e à chuva. O outro passo, embora esse um pouco mais complexo, é lançar o edital de concorrência para as obras do Heuro, o Hospital de Urgência e Emergência de Porto Velho. Por enquanto, é claro, como sequer se sabe quem será o futuro secretário de saúde, esses planos são apenas possibilidades e exercício de futurologia. Mas, é claro, o raciocínio tem lógica, em cima da realidade da saúde pública rondoniense.

 

 

DANIEL PEREIRA E O CASO SEDAM

 

O governador Daniel Pereira  contesta informações dessa coluna sobre a situação da prisão de dirigentes da Sedam, envolvidos na Operação Pau Oco e denunciados junto com outros servidores do órgão, por suspeita da prática de uma série de irregularidades. Em mensagem enviada a esse colunista, o governador rondoniense afirma o seguinte: “O Dr. Aparício foi nomeado por mim. Não existe essa intervenção. A polícia está investigando algo há 30 dias e ninguém, absolutamente ninguém, conhece nada de concreto que irregularidades foram cometidas por lá...(na Sedam). No Brasil, existe um princípio chamado de presunção da inocência. Até agora as pessoas afastadas do cargo são inocentes, devendo o Estado comprovar suas culpas, o que não ocorreu até agora”. O Governador diz que os dirigentes da Sedam, embora sem a culpa formalizada e por isso, considerados inocentes até que se prove que cometeram delitos, não voltarão aos seus cargos. Acrescentou ainda que, em sua curta gestão,  houve muitos outros casos de servidores afastados, por suspeitas de envolvimento em questões suspeitas, mas que foram ações internas, sem que chegassem ao grande público. No caso da Sedam, as investigações continuam e a Operação Pau Oco continua em andamento.

 

 

HÉVERTON E AS MULHERES

 

Há os homens maus, os covardes, os agressores, os criminosos. Mas os há, também, aqueles que defendem as mulheres, que lutam por elas, que não aceitam passivamente que o numero de casos de violência e mortes aumentem a cada ano, nesse país de machistas e agressores. Em Rondônia, há que se destacar o trabalho árduo, sempre difícil, sempre com obstáculos aparentemente intransponíveis, mas sempre feito com dedicação e resultados altamente positivos, pelo procurador Héverton Aguiar, do Ministério Público do Estado. “O Brasil ainda é o quinto país mais violento contra a mulher. No ano passado, 4.572 mulheres foram assassinadas por seus maridos, namorados, enfim. Ou seja, assassinadas por questões de gênero, por serem mulheres. É um número expressivo, assustador!”, lamenta ele, numa das suas inúmeras entrevistas concedidas nos últimos dias, durante o projeto de 16 dias de ativismo em que a violência contra as mulheres foi o tema principal.  Ao site Rondônia Dinâmica, por exemplo, ele relatou casos de Rondônia: “só nesse ano, na região de Extrema, seis mulheres jovens foram assassinadas por questões de afeto, de gênero. Temos uma violência muito grande e, por mais que se trabalhe no aspecto criminal, e até agora nós passamos de mais de 1.700 denúncias criminais, ou seja, 1.700 novos processos, mas há muito mais que precisa ser feito. Não é só colocando o agressor na cadeia que iremos resolver o problema”. Há um longo caminho a percorrer ainda, em relação aos ataques virulentos contra as mulheres. Por aqui, o dr. Héverton e sua equipe sabem disso e, para combater essa situação lamentável, dedicam todos os seus esforços. Merecem aplausos, pois!

 

 

PERGUNTINHA

 

Você também está feliz, soltando fogos e demonstrando toda a sua alegria com o belíssimo e surpreendente presente de Natal dado a Rondônia pela Aneel, com o aumento de mais de 25   por cento nas contas de luz?

 

 

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Sérgio Pires

Colaborador do Gentedeopinião: Sérgio Pires, experiente jornalista e que atua na SIC TV e diariamente apresenta o "PAPO DE REDAÇÃO" na rádio Parecis FM.

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