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DEBATE: Marina ataca Bolsonaro por mulher e armas: "acha que resolve tudo no grito"

O embate entre os postulantes ao Palácio do Planalto aconteceu em debate promovido pela RedeTV!

UOL

18 de Agosto de 2018 às 09:51

A candidata à Presidência da República Marina Silva (Rede) atacou o concorrente Jair Bolsonaro (PSL) nesta sexta-feira (17) dizendo que ele acredita poder resolver os problemas do Brasil, como a desigualdade salarial entre gêneros e a segurança pública, "no grito e na violência".

 

"Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência", retrucou Marina ao receber o direito da tréplica. "Nós somos mães, nós educamos os nossos filhos. A coisa que uma mãe mais quer é ver um filho sendo educado para ser um cidadão de bem. E você fica ensinando para os nossos jovens que têm de resolver as coisas na base do grito, Bolsonaro. Você é um deputado, você é pai de família. Você um dia desses pegou a mãozinha de uma criança e ensinou como é que se faz para atirar", afirmou.

 

O embate entre os postulantes ao Palácio do Planalto aconteceu em debate promovido pela RedeTV! em parceria com a revista IstoÉ na noite de ontem. No momento, os candidatos tinham de escolher um adversário e fazer uma pergunta. Bolsonaro optou por questionar Marina Silva e saber sua opinião sobre a facilitação para a posse de armas de fogo, a qual defende para "cidadãos de bem".

 

A candidata disse discordar da flexibilização e, então, aproveitou para criticar a postura de Bolsonaro em relação ao combate à desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. O tema havia sido discutido mais cedo entre Bolsonaro e Henrique Meirelles (MDB). Na ocasião, o candidato do PSL disse querer "o bem das mulheres", mas ser necessário somente cumprir a legislação. Ele também havia pedido que não fosse usada "essa demagogia" para dividir a população.

 

"Não [defendo a posse de armas de fogo para a população em geral]", iniciou Marina em sua resposta. "Antes eu queria te dizer uma coisa, Bolsonaro. [...] Só uma pessoa que não sabe o que significa uma mulher ganhar um salário menor do que um homem e ter as mesmas capacidades, a mesma competência e ser a primeira a ser demitida. A última a ser promovida. [...] Tem de se preocupar sim, porque, quando se é presidente da República, tem de se fazer cumprir o artigo quinto da Constituição Federal que diz que nenhuma mulher deve ser descriminada. Não fazer vista grossa dizendo que não precisa se preocupar. Precisa se preocupar sim. Um presidente da República está lá para combater a injustiça", afirmou a candidata da Rede.

 

17.ago.2018 - Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL) durante o debate eleitoral da RedeTV!/IstoÉ nesta sexta-feira (17). A candidata atacou Bolsonaro dizendo que ele acredita poder resolver os problemas do Brasil, como a desigualdade salarial entre gêneros e a segurança pública, "no grito e na violência"Imagem: Diego Padgurschi /Folhapress

 

Em resposta, Bolsonaro questionou o fato de Marina Silva ser evangélica e defender plebiscitos para a descriminalização do aborto e da comercialização da maconha. 

 

"Temos aqui uma evangélica que defende o plebiscito para aborto e maconha e quer agora defender a mulher. Você não sabe o que é uma mulher, Marina, que tem um filho jogado no mundo das drogas. Você não sabe o que é isso para defender um plebiscito nesse sentido. Eu defendo a mulher e defendo inclusive a castração química para estupradores", falou.

 

Quando Bolsonaro mencionou a castração química, Marina Silva tentou intervir, mas, no momento, a regra do debate proibia intervenções de candidatos quando outro estivesse com o tempo de fala. "Não, não, não. Você não pode interromper. A senhora não pode me interromper. A senhora não pode me interromper", argumentou o candidato do PSL. Ele continuou a fala ressaltando que mulheres devem ter posse de armas de fogo em casa para usá-las se desejarem.

 

Foi então que Marina Silva subiu o tom contra Bolsonaro e disse que o candidato quer resolver as questões "no grito" e "na violência". Ela ainda citou um trecho da Bíblia (Provérbios 22:6) que diz "ensina a criança no caminho em que deve andar e, mesmo quando for idoso, não se desviará dele" ao questionar Bolsonaro se o ensinamento dele continuaria a ser favorável à violência, em seu ponto de vista. Ela complementou, antes que acabasse o seu tempo de tréplica: "Numa democracia, o Estado é laico".

 

Fora do microfone, Bolsonaro falou para Marina "leia o livro de Paulo". Não é possível saber a qual livro escrito pelo apóstolo Paulo na Bíblia o candidato se referiu.

 

Após o embate, foi possível ouvir aplausos de aliados de Marina e de Ciro Gomes na plateia. No intervalo seguinte à fala, Ciro foi até Marina cumprimentá-la pela resposta a Bolsonaro.

 

O debate desta sexta-feira foi o segundo de nove entre presidenciáveis no primeiro turno das eleições. Oito candidatos participam do encontro nesta noite: Bolsonaro, Marina, Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Henrique Meirelles (MDB).

*Aos leitores, ler com atenção*

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