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EXAME: Teste que detecta HPV é aliado contra o câncer de colo de útero

Exame capaz de detectar os tipos mais nocivos do HPV deve ser incorporado no rastreamento primário da doença

NOTICIASAOMINUTO

24 de Agosto de 2018 às 10:14

EXAME: Teste que detecta HPV é aliado contra o câncer de colo de útero

FOTO: (Divulgação)

Numa tentativa de frear o número de novos casos de câncer de colo uterino, especialistas defendem novas práticas para a detecção precoce da doença no país, que deve acometer cerca de 16 mil mulheres até o fim de 2018, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

 

Uma delas é o uso do teste de HPV de alto risco no rastreamento primário dessa neoplasia na rede pública de saúde. O método – capaz de identificar os tipos mais nocivos dos vírus causadores da doença – faz parte da proposta de adequação das ações de rastreamento do câncer de colo uterino, elaborada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), e entregue ao Ministério da Saúde em junho deste ano.

 

De acordo com o documento, apenas 20% dos casos da doença hoje são diagnosticados no estágio inicial por meio de rastreamento. “Uma das causas que contribuem para a baixa eficiência do diagnóstico precoce é a baixa sensibilidade da citologia (Papanicolau) para detecção de lesões, além da dificuldade de se estabelecer um controle de qualidade deste teste”, explica a ginecologista Neila Speck, professora do Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Segundo a especialista, o teste de HPV – que já é oferecido nas clínicas particulares do país – permite um controle de qualidade mais eficiente por ser automatizado, identificando a presença do vírus mesmo em mulheres sem sinais e sintomas da infecção. “O principal benefício desse tipo de exame é o seu alto valor preditivo negativo. Ou seja, um exame negativo praticamente assegura a ausência de lesão por um longo período de tempo”, ressalta Neila.

 

O dossiê da Febrasgo recomenda o teste de genotipagem para HPV para mulheres de 30 a 64 anos, com intervalo de 5 anos para aquelas que apresentarem resultado negativo. Se o exame der positivo, a recomendação é que a paciente seja encaminhada para a colposcopia quando a positividade for para os tipos 16 e 18; se a positividade for para os outros tipos de HPV de alto risco, realiza-se o Papanicolau, que se alterado, a mulher necessita complementar o diagnóstico com a colposcopia.

 

O exame foi incluído na primeira Lista de Diagnósticos Essenciais, divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) neste ano. O catálogo traz 55 testes para a detecção, diagnóstico e monitoramento de doenças prioritárias, dentre elas, a infecção pelo HPV.

 

Sobre o câncer de colo de útero

 

A doença é um tipo de tumor maligno que ocorre na parte inferior do útero, região também conhecida como cérvix. Em estágios avançados, pode comprometer outros órgãos, como a bexiga, o reto, a vagina, comprimir os ureteres e levar à morte por insuficiência renal.

 

Esse tipo de câncer é o terceiro mais frequente entre as mulheres no Brasil - ficando atrás apenas dos cânceres de mama e de cólon e reto - e o quarto que mais mata. Segundo dados do Inca, a mortalidade pode chegar a 5 casos em 100 mil ao ano.

 

Causado pelo papilomavírus humano (HPV) em 99% dos casos, a doença é um dos poucos tipos de câncer que pode ser prevenido, com vacina, rastreio com teste de HPV e tratamento de lesões precursoras.

 

Ir ao médico e manter os exames ginecológicos em dia é fundamental para evitar a neoplasia. “Quando as alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível prevenir a doença em quase 100% dos casos”, alerta Neila Speck.

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