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Brasileiro tem fotos roubada por perfil falso criado por hacker

Fotos de brasileiro foram usadas em perfil falso no Facebook para influenciar na eleições dos EUA

DA REDAÇÃO

13 de Setembro de 2017 às 08:45

Brasileiro tem fotos roubada por perfil falso criado por hacker

FOTO: (Divulgação)

Melvin Redick? Ou Charles Costacurta? São de um morador de Jundiaí (SP) as fotos que aparecem em um perfil falso do Facebook que, segundo o jornal americano "The New York Times", foram usadas para divulgar conteúdo de militares russos. A ideia era influenciar a eleição de 2016 nos Estados Unidos.

Sem que soubesse, as fotos do vendedor Charles David Costacurta foram apresentadas como sendo de Melvin Redick. O perfil falso, já deletado, divulgou um site criado por uma agência russa de inteligência militar para prejudicar a candidatura de Hillary Clinton.

"Eu fiquei assustado e avisei minha namorada para dar uma olhada, porque não entendo muito de redes sociais e internet. Eu fui vítima. Só tenho rede social pela minha filha, familiares e amigos", explica Charles.

Veja como tudo aconteceu

Na quinta (7), o "New York Times" publicou uma reportagem sobre uso de contas falsas do Twitter e do Facebook, supostamente por russos, para influenciar as eleições dos EUA

Um dos perfis falsos, Melvin Redick, foi usado para divulgar um site criado pela inteligência militar russa

O site serviu para vazar e-mails hackeados do bilionário George Soros, financiador da campanha da candidata Hilary Clinton, e de outras pessoas

As fotos do perfil de Melvin pareciam ser de um brasileiro, por particularidades como uma tomada "estilo brasileira"

No dia seguinte um site brasileiro postou uma nota perguntando se algum leitor conhecia as pessoas das fotos

Charles Costacurta reconheceu as imagens como suas e de sua filha

Charles conta que as fotos são todas de 2014 e que não pretende processar. Ele não faz ideia de como chegaram até ele entre os dois bilhões de usuários do Facebook.

'Aversão à política'

O brasileiro afirma que não acompanhou de perto as eleições dos EUA e tem aversão à política. Ele opta por manter distância até mesmo do cenário do Brasil. "Não gosto de política. A gente vê cada escândalo e, por isso, não sou muito ligado", diz.

Em uma das fotos, uma criança aparece pintada com um desenho de borboleta. "A hora que eu peguei e vi essas fotos eu fiquei surpreso", diz ele. "A minha filha estava pintada devido uma festa de aniversário em um clube de Jundiaí. A moça que faz recreação nas crianças pintou e lembro que todos falaram: ‘Nossa, Charles, que linda essa foto!’", lembra. Aí foi quando eu coloquei ela de capa". À época em que foi feita a imagem, a criança tinha 3 anos. Hoje ela tem 6.

"A gente fica totalmente vulnerável. Fica pensando a que ponto você tem uma segurança mesmo, né?", diz ele. "Dizem que você tem uma rede social para se expor. Mas nessa rede social a gente faz notificações dizendo que é só para a gente, não para o público em geral", afirma Costacurta, que mantém conectado ao perfil "só o pessoal mais chegado".

Sobre a publicação da notícia com sua imagem no "NY Times", ele diz que teve sentimentos distintos. "Ao mesmo tempo que preocupou, aliviou. Porque um detalhe fez com que mostrasse realmente o que aconteceu; que eu fui vítima de uma pessoa de má índole. Eu até printei a tela e coloquei no meu face, dizendo como a gente é vulnerável a esse tipo de coisa", diz ele.

Quem era Melvin Redick?

Melvin Redick era descrito como um norte-americano morador do estado da Pensilvânia, que teria estudado em um colégio e uma universidade de lá. Segundo o "The New York Times", nenhuma das duas instituições tem registro desse nome.

Não havia postagens sobre a vida pessoal, só notícias que "refletem uma visão de mundo pró-Rússia". O perfil foi considerado falso e deletado pelo Facebook, junto com outros parecidos.

O perfil de Melvin, segundo o jornal, foi um dos responsáveis por dar início à divulgação do site D.C. Leaks, criado em junho de 2016 pela agência de inteligência militar russa G.R.U.

A página foi usada para divulgar e-mails hackeados do bilionário George Soros, financiador da campanha de Hillary, de um ex-comandante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e de integrantes das equipes dos partidos Democrata e Republicanos.

 

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