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O difícil diagnóstico e tratamento da depressão - Por Carlos Terceiro

Fatores biopsicossociais influenciam no aparecimento da doença.

DA REDAÇÃO

6 de Novembro de 2014 às 19:44

O difícil diagnóstico e tratamento da depressão - Por Carlos Terceiro

FOTO: (Divulgação)

Freud atribuiu as neuroses nos adultos aos traumas de infância onde sua intensidade varia em cada pessoa. Este trauma rompe a proteção do Ego e causa uma desordem psíquica, fazendo com que o individuo não apresente mais a mesma capacidade de “relembrar e elaborar” e possua uma “incapacidade de pensar”.

Tratada por muitos estudiosos de diferentes áreas como o mal do século 21, a depressão é hoje a quarta maior causa de morte no mundo. Devido aos seus sintomas diversos – cerca de 200 classificados – e variados causadores – problemas biológicos, psicológicos ou sociais, além do uso de medicamentos, álcool e drogas, o tratamento da depressão é algo único e individual, que varia para cada paciente.

O profissional necessita de muito cuidado no momento do diagnóstico, pois a depressão pode estar relacionada, encobrindo outra doença, assim, devendo o profissional da psicanálise analisar todo o histórico do paciente. O trabalho multidisciplinar, envolvendo psiquiatra e, caso haja debilidade física, fisioterapeuta, não deve ser ignorado pelo analista, porque a ajuda é mesmo multidisciplinar.

A depressão costuma causar distúrbios do sono, pensamentos de morte, ansiedade, o que pode fazer com que o individuo se automedique com drogas lícitas, incluindo o álcool, ou siga o caminho das drogas ilícitas, fazendo com que sua condição seja ainda mais prejudicada. A utilização destes componentes mascara por um tempo os sintomas e trata somente deles, não de sua causa. Também há a depressão porfíria, causada por um distúrbio metabólico hereditário.

Os depressivos leves possuem no mínimo cinco sintomas da doença. Entre eles são comuns: ritmo diminuído relacionado às atividades que lhe geravam prazer, rendimento no trabalho já não se mantém o mesmo e visão de um futuro negativo. Já os depressivos graves, além dos conhecidos pensamentos e planos suicidas, apresentam contínuo transtorno de humor e lentidão cognitiva e/ ou de movimentos. O isolamento e a dificuldade em manter a autoestima positiva são mediadores chaves para a depressão.

Conforme Seligman, o maior número de depressivos encontra-se no gênero feminino devido aos seguintes fatores: maior desamparo devido a fatores sociais, propensão à ruminação (manter-se fixa na mesma situação com os mesmos pensamentos) e a necessidade de sentir-se incluída no padrão de beleza estabelecido em seu meio. Por faixa etária, o grupo que mais é acometido pela depressão é o da terceira idade e é nos jovens seu maior crescimento.

A depressão recorrente é diagnosticada em pacientes que apresentam mais de um episódio depressivo - aqueles que por mais de dois meses ficaram sem apresentar os sintomas e após o período voltaram a apresentá-los. A depressão crônica é diagnosticada nos indivíduos que possuem os sintomas por mais de dois anos - Depressivos crônicos podem apresentar a “depressão dupla”, onde apresentam também sintomas distímicos: apresentando uma visão distorcida da realidade. Para um diagnóstico de depressão pós-parto é preciso que os sintomas se apresentem logo nas primeiras quatro semanas após o nascimento do bebê.

Existe uma probabilidade de indivíduos com proximidade de parentesco de primeiro grau desenvolver depressão devido a uma pré-disposição genética e a atmosfera familiar. Há evidências de que os fatores sociais são mais influentes que fatores genéticos.

*Carlos Terceiro, estudante de doutorado clínico em Psicanálise pela ABMPDF

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