close
logorovivo2

CHEIA - Volume de água continua prejudicando acesso à balsa e moradores da região

CHEIA - Volume de água continua prejudicando acesso à balsa e moradores da região

DA REDAÇÃO

27 de Março de 2014 às 10:39

CHEIA - Volume de água continua prejudicando acesso à balsa e moradores da região

FOTO: (Divulgação)

Prolongar a Avenida dos Imigrantes (BR-319) para dar acesso aos veículos que precisam atravessar a balsa do rio Madeira tem sido uma rotina constante dos trabalhadores do consórcio de construção  da ponte sobre o rio. No final da tarde da terça-feira, quando o rio atingiu a cota de 19,58 metros – hoje (27) ele está a 19,66m -, uma fila de caminhões de pedra aguardava que uma máquina rebocasse um trator de dentro da água para dar continuidade ao transporte do material imprescindível para cobrir os trechos mais alagados da rodovia.

O caminhoneiro José Vitório dos Santos, que dirige um caminhão de frete, aguardava há quase uma hora para atravessar. Na carga, cinco milheiros de tijolos para a reconstrução de algumas moradias. ”Fui contrato esses dias para levar tijolos para moradores que perderam tudo e vão construir novas casas”, destacou o motorista. Para executar o serviço recebe uma diária e pede a Deus paciência para esperar a ordem para prosseguir viagem, disse consciente de que além da balsa terá pelo menos mais dois trechos alagados para atravessar.

Outro caminhoneiro, Paulo Cesar Vieira, não conhecia o lugar e visitou para ver a situação. “É lamentável ver o que está acontecendo aqui”, dizia perguntando como algumas famílias ainda conseguem sobreviver no meio de tamanho caos.  Ele trouxe uma carreta de Alfredo Wagner (SC) com 31 toneladas de cebola. Chegou a Porto Velho no domingo e não tem ideia de quando retomará a estrada para chegar a Rio Branco (AC), destino de sua carga. “São dois problemas graves, a possibilidade de perder a carga perecível, com prejuízo para o proprietário e a perda financeira, já que trabalho por comissão”, salientou. Sem saída, o jeito é esperar. “Na verdade, a gente não tem o que fazer, a não ser pedir às autoridades competentes que viabilizem um meio para a viagem continuar”.

Em meio aos caminhões parados ao longo da Avenida dos Imigrantes, a presidente da Associação Protetora dos Animais Desamparados, Clotilde Brito (foto ao lado), alimentava os gatos desabrigados, deixados pelos donos, que tiveram que abandonar as casas tomadas pelas águas. Segundo ela são muitos animais, alguns ainda como galinhas e gatos ainda ocupam os telhados das casas alagadas. “Temos um voluntário que diariamente percorre esta região e o Cia N’Água distribuindo ração para os bichos que não conseguimos resgatar”.

No bairro poucos moradores permanecem em casa. “Hoje, praticamente todas as casas estão com água dentro”, destacou Simone Ferreira, moradora do número 586. Cerca de um metro de terra firme separa a entrada dos fundos da casa de Simone das águas trazidas pelo Madeira. Com filhos pequenos, a jovem senhora ainda não sabe o que fazer.

Na casa vizinha, Maria Moraes, contou que está passando praticamente pelo terceiro desabrigo. “Primeiro tive que sair da minha casa, que está coberta pelas águas. Fui pra casa de uma filha no Nacional, mas lá também alagou. Voltei para a Balsa para ficar com outra filha e aqui também não podemos mais ficar”, relatou com tristeza. A casa da filha onde estava abrigada até esta terça-feira também foi invadida pela enchente. Na segunda-feira a água chegou na cozinha, na terça, alcançou a sala. “O jeito foi tirar tudo e colocar aqui nessa varanda”, onde foi improvisada uma parede com lona plástica e amontoados os pertences das  duas famílias.

Marleide do Vale também insiste em ficar na casa que está alagada.  Para proteger a família do contato com água, a moradora improvisou pranchas com tábuas e suspendeu os objetos. “Aqui dentro de casa está alagado desde sexta-feira e o volume de água está só aumentando”. Ela contou que orientada pelo Ministério Público buscou informações junto ao  Corpo de Bombeiros, a fim de obter  laudo pericial da casa para solicitar liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), mas não conseguiu nenhuma explicação. “Fui destratada por quem atendeu ao telefonema”, queixou-se. Marleide disse que quer ter acesso ao FGTS para pagar o aluguel em um bairro da cidade onde não corra perigo de acordar pela manhã dentro da água. “É muito triste dormir pisando no chão e acordar pisando na água dentro da sua casa”.

MAIS NOTÍCIAS

PRIMEIRA PÁGINA
RONDONIAOVIVO TV
DESTAQUES EMPRESARIAIS
PUBLICAÇÕES LEGAIS
COLUNAS