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População de Porto Velho cresce menos que a de outras capitais da região

A População de Porto Velho Cresce Menos que a de Outras Capitais da Região

DA REDAÇÃO

30 de Dezembro de 2011 às 11:46

População de Porto Velho cresce menos que a de outras capitais da região

FOTO: (Divulgação)

No final de novembro foi apresentada dissertação no Mestrado em Administração da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) discutindo indicadores do município de Porto Velho. Alguns dados chamam a atenção por contrariar expectativas e discursos oficiais. Um deles é o crescimento populacional na década passada (de 2000 a 2010).

Contrariando as previsões de explosão na década em função da construção das Usinas do Rio Madeira, o crescimento populacional de Porto Velho foi menor do que de outras capitais da Região, exceto o município de Belém, conforme gráfico a seguir.

 

Ao excluirmos Belém da análise pelo fato de ser caso atípico, constata-se que os outros municípios tiveram um comportamento de crescimento populacional semelhante entre 2000 a 2011. O Crescimento de Palmas tem comportamento diferente no período anterior e posterior à criação do Estado de Tocantins, mas é Macapá que apresenta tendência de crescimento superior aos demais no final da década. Mas todos tiveram crescimento muito superior a media nacional que foi de 12,33% e, no caso de Porto Velho, muito superior ao crescimento populacional do Estado que foi de 13,10%, embora Rondônia seja exceção na Região Norte, pois as taxas de crescimento dos demais foram muito superiores, alguns acima de 30%, como são os casos do Acre (31,44%), Roraima (39,10%) e Amapá (40,18%).
Todas as capitais consideradas na análise comparativa tiveram alto percentual de crescimento (mais do que era esperado para o período) próximo ao ano de 2004, antes e/ou depois. Fenômeno semelhante ocorre entre 2008 e 2010, embora neste caso possa refletir o efeito da correção devido ao censo, pois os dados dos anos intermediários são de estimativas. Entre 2006 e 2008 a população ficou estável ou sofre decréscimo, com exceção de Boa Vista.

O gráfico a seguir ilustra o que ocorreu no período.

Elaborado com base em IBGE Censo 1991/2000/2010 e IBGE Estimativa Populacional.

Analisando especificamente os dados de Porto Velho, constata-se que não houve o salto populacional esperado com o início da construção das Usinas do Rio Madeira. Para recordar, na época foi alardeado que o município poderia ter um aumento de até 100 mil habitantes em dois ou três anos e que poderia chegar ao final da década com 600 mil. No entanto, o maior crescimento da população ocorreu na primeira metade da década, entre 2002 e 2004. No período para o qual era esperado um crescimento muito acentuado, de 2005 a 2008, a população se manteve estável. Um novo salto populacional ocorre no ano de 2010, ano do censo, o que pode significar apenas correção de distorções de estimativas, pois este fenômeno também é verificado para outras capitais. Estes dados podem ser verificados no gráfico da população de Porto Velho.

Fonte: Elaborado com base em IBGE Censo 1991/2000/2010 e IBGE Estimativa Populacional.

Cabe destacar que o censo de 2010 provavelmente não foi capaz de captar um número significativo de pessoas da chamada população flutuante. Esse contingente causa impacto na vida da cidade, especialmente sobre a necessidade temporária de aumento da oferta de serviços públicos. Mas isto já era esperado.
Esses dados não autorizam afirmar que a população de Porto Velho cresceu em função das usinas do Rio Madeira e de outros investimentos, até porque fenômeno semelhante ou com maior intensidade ocorreu em outras capitais mencionadas, independente desses empreendimentos. Não parece ser apenas (talvez nem mesmo o principal) o aumento populacional causado pela construção das Usinas do Rio Madeira a justificativa pelo conjunto de transtornos vivenciados na cidade, até porque no ano de 2004 Porto Velho já comportava quase 88% da população de hoje. Comparativamente, a população cresceu pouco nos últimos sete anos. A maioria dos problemas já existia na metade da década passada. Padecemos de um problema crônico da gestão pública, especialmente municipal; a falta de planejamento urbano de longo prazo.
¹ Osmar Siena - Docente e Pesquisador da UNIR/Mestrado em Administração.
² Maria A. Lopes Urgal - Mestre em Administração pela UNIR.

 

Fonte: Elaborado com base em Transparência Municipal 2011 (www.tmunicipal.org.br).

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