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MAD MARIA – Após quatro anos, Museu da Estrada de Ferro Madeira Mamoré reabre as portas

O fato do museu voltar a ter portas abertas para o público não pode mascarar nem muito menos ocultar os as situações denunciadas pela mídia contra a má preservação e valorização de nosso patrimônio.

DA REDAÇÃO

11 de Agosto de 2011 às 09:40

MAD MARIA – Após quatro anos, Museu da Estrada de Ferro Madeira Mamoré reabre as portas

FOTO: (Divulgação)

Sexta, sábado e domingo. Esses são os dias da semana em que os portovelhenses, turistas e curiosos, terão a oportunidade para visitar o Museu da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Com um conteúdo histórico e cultural riquíssimo, o museu passou aproximados quatro anos de portas fechadas. Isso mesmo, 4 longos anos.
Durante todo esse período, o jornal Rondoniaovivo, relatou, fiscalizou e denunciou várias situações no mínimo contestáveis, em relação ao transporte, manuseio, condicionamento e preservação das mais de 260 peças registradas no inventário do museu.
Um verdadeiro descaso por parte dos gestores municipais. Um caso de omissão criminosa dos órgãos fiscalizadores.
Transporte das peças
Tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, as peças do museu da Estrada de Ferro Madeira Mamoré estão sob uma série de normativas federais, seja para mudanças de locais, armazenamentos e assim por diante, precisam ser realizados com supervisão técnica especializada.
Durante a obra de revitalização da Praça Madeira Mamoré, o galpão 1, local onde fica instalado o museu, estava incluído nas obras, por isso as peças precisaram ser retiradas do galpão e alojadas em um outro local, para manter sua integridade física.
Porém, o Rondoniaovivo mostrou por várias vezes (Veja AQUI e AQUI), irregularidades grosseiras no transporte dessas peças, desde a falta de proteção até a ausência de museólogo ou técnicos responsáveis.
Condicionamento
Retiradas do museu, as peças foram transferidas para um galpão ao lado da praça em reforma, pertencente a Marinha do Brasil. O ofício de nº 275 do Gabinete do Prefeito, datado em 11 de junho de 2007 (Confíra fac-símile abaixo) solicitava o andar superior e inferior do galpão 3 da Marinha,por um período de oito meses. Os custos com manutenção e segurança das peças ficariam sob total responsabilidade da Prefeitura de Porto Velho.
Pois bem, uma nova epopéia cheia de erros por parte dos gestores do município iniciou-se a partir desse ponto. O período de oito meses solicitado pela Prefeitura de Porto Velho virou mais de dois anos. A manutenção e segurança avaliada em vinte mil reais não 
Peças históricas sendo transportadas de forma irregular por funcionários da prefeitura.
foi realizada.
Indícios de que peças históricas haviam sido roubadas do local começou a preocupar o Delegado da Marinha em Porto Velho, que através de ofício exigiu a retirada das peças da área da Marinha Brasileira.
IPHAN
Durante todos esses acontecimentos, uma das situações que mais intrigavam era a permissividade com a qual o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) agia em relação a todas essas denuncias.
Pouco ou nada fez para cobrar dos representantes municipais explicações claras sobre a real situação das peças durante todo o período em que elas ficaram sem local próprio de alojamento, ou para exigir recontagem das peças através do inventario oficial.
MPF
No mesmo período em que o comando da Marinha em Porto Velho exigiu a retirada das peças históricas de seu galpão, o Ministério Público Federal, através do ofício 002/2009 recomendou ao IPHAN (Confira fac-simile abaixo) que fosse nomeado um perito para verificar a situação na qual as peças se encontravam.
Porém, até a presente data a população portovelhense não teve respostas sobre esse levantamento, nem mesmo sobre as denuncias de furto das peças históricas quando alojados de forma “despreocupada” nos galpões da Marinha.
Recentemente, em uma ação de diálogo entre a imprensa rondoniense e o MPF, essa questão foi levantada pelo jornalista Paulo Andreolli, e a resposta dada pela Procuradora Nádia Simas, responsável pelo patrimônio histórico, foi que de fato o caso já havia sido passado para a Polícia Federal e que se tratava de uma ação sigilosa. Até agora não houve culpados, indiciados, ou pelo menos suspeitos. O sigilo também vai contra as normas do próprio IPHAN, que recomenda dar grande publicidade a roubos para evitar que peças históricas saiam do Brasil
Inauguração
O fato do museu voltar a ter portas abertas para o público não pode mascarar nem muito menos ocultar os as situações denunciadas pela mídia contra a má preservação e valorização de nosso patrimônio.
A sociedade ainda espera respostas. Respostas responsáveis. Podem incluir explicações e cópia da planilha da reforma da praça Madeira Mamoré, onde a prefeitura afirma que gastou 11 milhões de reais, tornando nosso pátio da EFMM com o titulo da praça mais cara do Brasil.

Vamos ao Museu, rever nosso passado.

Ofício assinado pelo prefeito se comprometendo a zelar pelas peças do museu que estavam no pátio da Marinha.

 

Fac-símile recomendação do MPF.

 

Fac-símile MPF.

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