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Retrospectiva 2008 - relembre os principais fatos relacionados à Amazônia

Ano foi marcado por troca de ministros e ações contra o desmatamento. Ritmo da devastação deixou de cair, mas também não subiu como esperado.

DA REDAÇÃO

23 de Dezembro de 2008 às 15:08

Retrospectiva 2008 - relembre os principais fatos relacionados à Amazônia

FOTO: (Divulgação)

No ano de 2008, como acontece há décadas, a Amazônia continuou tendo seus recursos drenados pela ação humana descontrolada e foi ainda mais corroída pela devastação. Ainda assim, o ano teve fatos marcantes que podem ser comemorados, como a estagnação do ritmo de devastação em um patamar semelhante ao do ano passado, e grandes ações de repressão ao desmatamento que, aparentemente, contribuíram para conter a destruição que, no início de 2008, ameaçava voltar a subir com força.
Logo em janeiro, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, alarmada pelo desmatamento de cerca de 7 mil quilômetros quadrados entre agosto e dezembro de 2007, proibiu o desmatamento em 36 municípios com maior incidência de desflorestamento.

O levantamento divulgado pela ministra apontava que Mato Grosso era o estado que concentrava a maior parte da devastação na região amazônica, seguido do Pará e de Rondônia. Iniciou-se com isso um desentendimento entre o governador mato-grossense Blairo Maggi, o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que forneceu os dados para que os muncípios com mais devastação fossem elencados. Maggi afirmou que o instituto analisou vários dos pontos de desmatamento de forma incorreta: as áreas seriam de queimadas acidentais (sem o objetivo de desmatar) ou desmatamentos antigos.
 

Em fevereiro, a cidade de Tailândia (PA), foi alvo de uma grande operação de fiscalização conjunta dos governos estadual e federal, e foram apreendidos mais de 10 mil metros cúbicos de madeira. Os madeireiros protestaram e impediram a retirada do material. Moradores do município, ameaçados pelo desemprego, bloquearam a rodovia PA-150 revoltados com a Operação Arco de Fogo. Por causa da confusão, a fiscalização foi suspensa e os fiscais só voltaram acompanhados de homens da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança
Marina sai

Enfrentando oposição, Marina Silva acabou deixando o governo em maio. Na carta de demissão apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela atribuiu sua saída às dificuldades enfrentadas "há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal".
No lugar de Marina Silva, assumiu Carlos Minc, que chegou ao cargo envolto em polêmica porque, antes de ser confirmado como ministro, declarou que, se pudesse, Blairo Maggi plantaria soja "até nos Andes" - o governador mato-grossense é um dos maiores produtores da commodity em todo o mundo.
 
Minc assumiu com a promessa de acelerar os licenciamentos ambientais e aumentar a repressão aos desmatadores.

Entre as primeiras medidas do novo ministro esteve a apreensão de gado criado ilegalmente em áreas de conservação - o chamado "boi pirata". O governador de Mato Grosso alertou que esse tipo de ação poderia elevar o preço dos alimentos. Minc brincou que "o boi pirata" viraria "churrasco do fome zero". O governo encontrou dificuldades para leiloar as cerca de 3 mil cabeças de gado apreendidas.
 
Globo Amazônia

No dia 7 de setembro, foi lançado o portal Globo Amazônia, com seu mapa interativo que mostra em tempo real os dados de queimada e desmatamento do Inpe, além de permitir que os internautas protestem contra a devastação. Em três meses, o aplicativo que permite protestar foi instalado mais de 450 mil vezes e foram registrados cerca de 40 milhões de protestos.

No final daquele mês, Carlos Minc apresentou uma lista com os cem maiores desmatamentos da Amazônia produzida pelo Ibama. As maiores áreas eram assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o que levou a um desentendimento entre o Ministério do Meio Ambiente e o do Desenvolvimento Agrário.
 
Guilherme Cassel, ministro a quem o Incra está subordinado, disse que a lista estava errada e que seria injusto culpar assentados de reforma agrária pela destruição da Amazônia. Minc mandou revisar a lista, mas reportagem do Fantástico mostrou atividade madeireira ilegal em assentamento em Mato Grosso.

As duas pastas acabaram minimizando as diferenças e Minc chegou a participar de fiscalização com Rolf Hackbart, presidente do Incra.

Outro fato importante da segunda metade do ano foi a criação do Fundo Amazônia. O fundo já recebeu sua primeira doação, do governo da Noruega. O primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, esteve no país em setembro e anunciou que seu país pretende doar até US$ 1 bilhão para ações de proteção ambiental financiadas pelo fundo até 2015. Em 2009, será feita uma doação de US$ 130 milhões.

Os recursos obtidos pelo fundo, que será gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não poderão ser contingenciados pelo governo federal. A perspectiva de captação de recursos junto a países e entidades estrangeiros levou a acusações de que o Fundo Amazônia poderia ferir a soberania nacional, o que foi negado pelo governo.
No final de novembro, madeireiros contrários a uma fiscalização do Ibama atacaram a sede do instituto em Paragominas (PA). Quatro veículos foram queimados e parte do rédio foi destruída. Em resposta, as operações no município ganharam reforço e, em menos de uma semana, 11 mil metros cúbicos de madeira foram apreendidos.

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