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ARTIGO - Paulinho Correia, vascaíno arretado – Por Ismael Machado

ARTIGO - Paulinho Correia, vascaíno arretado – Por Ismael Machado

DA REDAÇÃO

27 de Setembro de 2007 às 18:14

ARTIGO - Paulinho Correia, vascaíno arretado – Por Ismael Machado

FOTO: (Divulgação)

*Em pouco mais de um ano foram embora o Bahia e outro baiano, o Paulinho. Há toda uma era que vai-se esvanecendo em minha lembrança. Porto Velho vai ficando cada vez mais cheia de fantasmas. A gente vai espanando o pó da memória. Paulinho foi o cara que me convidou para ir ao Alto Madeira. Foi quem me apresentou ao Ivan Marrocos e pediu para que fizessem um teste comigo. Eu vinha de outro estado, de outro jornal. *Depois Paulinho assumiu a redação. Falava alto, sempre na galhofa. Mas era sério quando tinha de ser. Foi a quem pedi para assumir o (na época) desvalorizado Caderno 2. Olhou para mim e perguntou: tu tens competência pra isso? Garanti que sim e ele me deu carta branca. Acho que o Caderno 2 daquele período fez história no jornalismo em Porto Velho. Mas isso é outra história mesmo. *O Erick, que levei à redação do Alto Madeira, sob a desconfiança do mesmo Paulinho, já escreveu a respeito do jeito do baiano arretado. Falávamos do Vasco, paixão em comum. Aos sábados ou aos domingos, o futebol no campinho do Alto Madeira. Um bando de gente enferrujada, eu, erick, carlinhos ( o chicoso), paulinho, ésio mendes, deodato, joão, uma turma. Futebol regado a cerveja logo depois. *Paulinho não tomava cerveja. Só destilado, como ele dizia. Era um cara engraçado. Chegava de manhã na redação já tirando sarro de todo mundo. O J.Gomes era um alvo preferencial. 'Camarão', gritava o Paulinho. "É a mãe", retrucava o fotógrafo. "É camaroa", devolvia o PC. *Nas pautas sempre colocava no final: "o resto fica por conta dessa tua imensa capacidade de repórter". Sempre. No começo estranhei. Mas achei legal, como se fosse um estímulo. E isso não é muito fácil nesse meio onde lealdade é artigo de luxo. *Paulinho sabia escrever. Tinha um texto bom. Por causa disso, não raro escrevia o editorial do jornal. Num desses, quando decidi voltar para Belém, escreveu a meu respeito. Guardo com carinho imenso aquela homenagem feita pelo jornal onde trabalhei quatro anos. *Estive em Porto Velho há pouco tempo, cobrir a campanha da senadora Heloísa Helena, para O Globo, jornal em que trabalho. Numa das noites fui com o Jurandir Costa, velho amigo, a uma confraternização. Estava lá o Osmar, dono do antigo Parceleiro, onde também trabalhei junto com o Paulinho. O Osmar comentou que era uma boa equipe aquela. *Eu pensava o mesmo da equipe do Alto Madeira. Até hoje uma das experiências mais gratificantes dessa vida de repórter. *Hoje pela manhã vasculhando a rede atrás de possíveis pautas deparei com a notícia de que Paulinho tinha morrido. Eu nem sabia que ele estava doente. Paulinho morreu com 50 anos, novíssimo. *Fiz o meu minuto de silêncio. Particular. Sincero. Um tempo atrás comprei um DVD com a íntegra do jogo Vasco 5,Corinthians 2. Era a volta de Roberto Dinamite ao Vasco, vindo da Espanha. 1980. Os cinco gols de Roberto nessa partida ficarão como minha homenagem póstuma a esse baiano arretado que só tomava destilado. *Valeu Paulinho.

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