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ACRE - Prefeitura e governo começam a enfrentar o caos da falta de água e de saneamento - Com foto

ACRE - Prefeitura e governo começam a enfrentar o caos da falta de água e de saneamento - Com foto

DA REDAÇÃO

25 de Janeiro de 2007 às 10:32

ACRE - Prefeitura e governo começam a enfrentar o caos da falta de água e de saneamento - Com foto

FOTO: (Divulgação)

*Convênio firmado ontem entre o governo do Estado e a Prefeitura Municipal com a Caixa Econômica Federal (CEF) permitirá que o Serviço de Águas e Esgotos de Rio Branco (Saerb), empresa do município, faça investimentos na ordem de R$ 27 milhões na construção de uma estação de tratamento de esgotos no bairro São Francisco e na conclusão da segunda estação de tratamento d'água na Capital, que está em obras no bairro da Sobral. Os investimentos representam os primeiros enfrentamentos a dois dos mais graves problemas da cidade nos últimos 20 anos. A única estação de tratamento d'água de Rio Branco foi construída ainda no governo Francisco Wanderlei Dantas, há 35 anos.

*A futura estação de tratamento de esgotos do bairro do São Francisco beneficiará aproximadamente 150 mil pessoas. A estação de tratamento d'água terá uma captação de pelo menos mil litros de água por segundo e, em funcionamento, beneficiará mais de 260 mil pessoas. As duas obras têm previsão de conclusão por todo este ano e fazem parte de um conjunto de investimentos que irão somar R$ 60 milhões - recursos do Estado e do município - na área de esgotamento e saneamento na Capital durante 2005 e 2006. O anúncio dos novos investimentos na área foi feito ontem, no Palácio Rio Branco, conjuntamente pelo governador Jorge Viana e o prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim.

*Cercado de políticos como os senadores Tião Viana e Sibá Machado, representantes da bancada federal do Acre no Congresso Nacional, além de deputados estaduais e senadores, Jorge Viana e Raimundo Angelim assinaram os documentos que permitirão o início e a retomada das obras. Na solenidade também estava o superintendente em exercício da Caixa Econômica Federal para o Acre e Rondônia, Wilson Alves de Souza Filho, cuja instituição será a responsável pelos financiamentos. Ele prometeu empenho da CEF na liberação dos recursos. Os recursos são originários do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

*Este foi o segundo ato firmado entre o governo e a prefeitura em 25 dias de administração do prefeito Raimundo Angelim. O primeiro foi para a execução do adjunto emergencial de limpeza, uma operação que já retirou das ruas de Rio Branco um total de mais de 1,8 mil toneladas de lixo.

PROBLEMA SERÁ ENFRENTADO SEM USO POLÍTICO E ELEITOREIRO *Ao assinar os protocolos que permitirão o início das obras, o governador Jorge Viana ressaltou que o fato se registrasse em 24 de janeiro, data em que, há 102 anos atrás, era encerrada a Revolução Acreana com a vitória das tropas lideradas por José Plácido de Castro. "Mas é claro que precisamos de outras vitórias para estarmos à altura da luta e do legado dos nossos antepassados", disse Jorge Via-na. "E o que está acontecendo aqui é uma das grandes vitórias do nosso governo porque o que estamos fazendo agora é dando um passo à frente em relação ao Parque da Maternidade", acrescentou.

*A referência ao Parque da Maternidade está relacionada ao fato de que a obra só foi executada pelo atual governo, há três anos, depois de uma longa batalha judicial em Brasília para desfazer os atos ilegais que, no governo Fernando Collor, colocaram o Acre e o Canal da Maternidade na geografia dos escândalos nacionais. A construção da segunda estação de tratamento d'água também fazia parte da esteira de escândalos que chegou a orçar as duas obras em mais de 100 milhões de dólares.

*"Nós estamos dando esse passo à frente em relação à água, como demos em relação ao Parque da Maternidade, porque o Acre mudou. O que estamos fazendo aqui é tomar uma decisão definitiva para que nunca mais políticos inescrupulosos utilizem esse tema da água de forma perversa e perigosa como fizeram", afirmou o governador. Segundo ele, no caso da água, a população de Rio Branco foi vítima de um golpe. "Quando estávamos na prefeitura, quando quisemos trabalhar o problema da água, nos impediam porque era uma tarefa do governo. Quando chegamos ao governo, no apagar das luzes daquelas administrações, transferiram o problema da água para o município e nós passamos mais de seis meses tendo que enfrentar esse problema sem os mecanismos necessários, que incluía as mínimas informações sobre dados técnicos. Aliás, quando mostramos a disposição de ajudar nessa área, alguns políticos, apesar do problema na cidade, chegaram a dizer que Rio Branco não precisava de uma segunda estação de tratamento d'água", lembrou Jorge Viana.

*Graças ao problema, esses mesmos políticos chegaram a obter algumas vitórias eleitorais, como, por exemplo, para a Prefeitura de Rio Branco. "Ganharam eleições com o tema da água, com promessas que não cumpriram. Venceram uma batalha falseada. Tão falseada que a população, ao perceber isso, foi retirando o poder daqueles que usaram o tema da água e hoje talvez eles andem por aí, pelos cantos, com vergonha do que fizeram", disse.

*Ainda de acordo com o governador, com a assinatura dos documentos, agora começa, para o Estado e para o município, um trabalho mais estruturante na área de saneamento. "E um trabalho que vai mexer diretamente com a vida das pessoas", disse Jorge Viana.

ANGELIM DESTACA APOIO AO GOVERNADOR *O prefeito Raimundo Angelim disse, no ato de assinatura dos documentos que permitirão o início da construção da estação de tratamento de esgoto do bairro do São Francisco e a retomada da estação de tratamento de água da Sobral, que o problema da falta de água potável e de esgotamento sanitário não pode ser tratado do ponto de vista político e eleitoreiro. Segundo ele, o ponto de vista tem que ser técnico.

*"Hoje, estamos concretizando o sonho que vais nos permitir a ampliação do abastecimento da água na cidade de Rio Branco, como também a construção de uma nova estação de tratamento de esgoto na cidade", disse Angelim. "Num primeiro momento, essa estação de tratamento de esgoto vai ampliar em 20% o tratamento de esgotos na cidade. Hoje, é bom que se registre, apenas 27% de todo o esgoto de Rio Branco são coletas e desse total, apenas 3% são tratados. Este é um dos grandes desafios que temos que enfrentar porque, uma cidade nessas condições, oferece grandes riscos à sua população", acrescentou.

*O prefeito reafirmou que, em sua gestão, o saneamento, assim com a limpeza pública, será tratado como uma questão emergencial. "Começamos aqui uma parceria que vai dar certo. Estou informado agora que esses convênios não havia sido firmados antes porque a prefeitura, nas gestões passadas, não informava ao Estado os dados técnicos necessários à elaboração da documentação. Com isso aqui, quero dizer que acabou o tempo em que o governador, para fazer algum tipo de intervenção na cidade, inclusive nessa área, tinha que pedir permissão. Quando eu souber que o governador tem alguma demanda para a cidade, serei o primeiro a me oferecer para que ele nos ajude porque entendo que a necessidade da população tem que ser resolvida com uma solução técnica e não política e eleitoreira", afirmou.

"ATOS COMO ESSES ME ENCHEM DE ESPERANÇA", AFIRMA TIÃO VIANA *O senador Tião Viana (PT-AC) disse que um de seus sonhos, como médico e cidadão do Acre, é ver o dia em que a população do Estado abolir a caixa d'água, uma prática de países atrasados e que de alguma forma representa riscos à saúde da população. "Saúde é abrir uma torneira e aparar a água potável, bem tratada e pronta para o consumo humano, como ocorre em países como os Estados Unidos. É difícil e longa a caminhada, mas não custa sonharmos", disse o senador no ato de assinatura dos convênios que permitirão a construção da ETE do São Francisco e da retomada das obras da ETA Sobral.

*O senador lembrou que acompanhou de perto a tramitação dos documentos que permitiram ao governo do Estado e a prefeitura para firmar os convênios que tornarão as obras possíveis e disse ter ficado estarrecido com os números do saneamento no Brasil. Segundo esses dados, para que o Brasil saia da condição de tragédia nacional em relação a saneamento, seriam necessários investimentos da ordem de R$ 5 bilhões anuais por um período de 20 anos para que o país possa se recuperar em relação ao atraso no setor. "A falta de saneamento é responsável pela internação, via Sistema Único de Saúde, de pelo menos 800 mil pessoas por ano no país", disse.

*Apesar das dificuldades, de acordo com o senador, a situação do Acre não é das piores. "Quando aplicados os recursos que estão sendo contratados, Rio Branco terá uma condição melhor que o Rio de Janeiro em matéria de saneamento. Então, estaremos um pouco melhor do que aquela cidade que um dia foi Capital da República. É um avanço, mas ainda é preciso fazer muito", disse Tião Viana.

*De acordo com o senador, até dias antes da posse de Raimundo Angelim na Prefeitura de Rio Branco, com a notificação de mais de três mil casos de dengue, Rio Branco estava na iminência de uma tragédia. "O prefeito assumiu e, com ajuda do governo, fez o óbvio. Junto o lixo, afastou os riscos e a própria doença. E quando vejo atos como esses, o Estado e a prefeitura, juntos, em busca de solução para os problemas da nossa gente, isso me enche de esperanças", disse.

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