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O adeus de Valdir Raupp

POR VICTORIA ANGELO BACON

14 de Dezembro de 2018 às 09:45

Em seu último discurso no Senado da República, o senador de fim de mandato Valdir Raupp se despediu com lágrimas atrofiadas aos olhos perante seus pares.  Foram aproximadamente 40 minutos de oratória em nível de despedida do senador. A triste cena foi vista por um amigo jornalista que atua nos bastidores da República e estava de passagem no Senado. Dos senadores (poucos) que ali estavam (plenário) alguns estavam acessando as Redes Sociais através de seus celulares. Outros estavam em seus notebooks acoplados à mesa de trabalho visitando sites de notícias e o restante conversando assuntos ligados ao presidente eleito. Praticamente ninguém a não ser o presidente da Mesa estava em atenção às falas do senador de fim de carreira. Ao perceber, o presidente da Mesa do Senado que Raupp estava discursando para o vento, ligeiramente acelerou a despedida do senador e alguns pares agradeceram “forçadamente” o apoio institucional de 16 longos anos de atuação do parlamentar rondoniense junto à Casa Alta de Leis.

 

Raupp iniciou sua trajetória na política há três décadas no município de Cacoal. Participou ativamente de todos os momentos da política rondoniense nessas últimas três décadas. Foi governador entre 1995-1998 e deixou como lembrança o pior mandato à frente do Executivo em toda a história política de Rondônia. Ele foi um dos pouquíssimos governadores a não conseguir se reeleger, após ser colocada em prática a reeleição por ideia da equipe política de FHC em 1998.

 

Raupp foi o responsável pela falência do BERON, CERON e o endividamento da CAERD, Raupp foi também responsável pelo massacre conhecido internacionalmente como a Chacina de Corumbiara.  O número oficial de mortos no massacre foi de 16 pessoas e há sete desaparecidos. O Comando de Operações Especiais, comandado na época pelo capitão José Hélio Cysneiros Pachá, jogou bombas de gás lacrimogênio e acendeu holofotes contra as famílias tudo ocorrido aos olhos do então governador Valdir Raupp;

 

O IPERON começou sua falência justamente na gestão Raupp. O endividamento do Instituto de Previdência que era modelo de gestão a outros estados, sofreu uma verdadeira invasão e incompetência e total falta de administração e planejamento em seu governo.

 

Raupp deixou como herança ao governador que o sucedeu, José de Abreu Bianco uma extensa folha de pagamento em atraso de servidores e a chancela em ter de demitir 10 mil funcionários públicos.

 

Raupp em 2002 conseguiu dar a volta por cima no carrossel da política e foi eleito senador (quase fica de fora). Foi eleito pela conjuntura e costura política entre PMDB e PT de Lula (onda Lula) que também elegeu Fátima Cleide. Raupp sempre foi personificado como uma espécie de protegido na política, pois nada lhe atingia no viés eleitoral ou jurídico. Com o nascimento da Operação Policial Internacional Lava Jato em 2013, Raupp começa a sair do anonimato dos escândalos envolvendo políticos sendo mencionado em delações premiadas da Odebrecht. 

 

Raupp teve de sentir a amarga derrota nas urnas em outubro de 2018. Estava certa sua vitória nas pesquisas, porém a população rondoniense não o perdoou novamente. Raupp foi o político com mandato de senador que teve a maior rejeição das eleições de 2018 analisando com outros candidatos ao senador que disputaram a reeleição. Raupp sai da cena política e da história de Rondônia como entrou; sem sentido e direção.

 

 

APÓS O MANDATO.

 

Mesmo sendo arquivado dois processos que corriam no STF por determinação do ministro Edson Fachin em maio de 2018, outros processos estão correndo em desfavor a Valdir Raupp. Com o fim de seu mandato ele será julgado pela justiça comum. No caso da Operação Lava Jato o prosseguimento das investigações fica sob a égide da Justiça Federal no Paraná. Os próximos capítulos são decisivos para Raupp. Politicamente ele não terá nunca mais a força que outrora teve, inclusive em ter presidido o maior partido do país.

 

 

Marcos Rocha e os finalmente....

 

Em postagem nas Redes Sociais, o governador eleito Marcos Rocha deixou nitidamente em espécie de mensagem subliminar que os cargos ocupados hoje no Poder Executivo serão exonerados. Para poder melhor e eficazmente realizar o que ele deseja enquanto liderança política e eleita para tal será preciso deixar os acordos, conchavos e possíveis amizades de lado. Devido à situação fiscal, operações policiais ocorridas, investigações por parte do MP e do TCE e denúncias de toda ordem contra gestores públicos que ocupam cargos no Estado será necessário cortar na carne. O governador e vice com essa mensagem postada pelo Sr. Marcos Rocha deixam como ele mesmo disse "O RECADO” para a população sedenta de mudanças.

 

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