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Ligia

POR ALBERTO AYALA

31 de Agosto de 2019 às 09:59

E sentou-se no banco da praça naquela cândida manhã de sábado. Trazia no peito a saudade intensa de revê-lo. Mas quem? Ah! O seu grande amor. Igor. Escrevera há anos uma carta que nunca chegara às delicadas mãos do seu amado. Guardava-a com um cuidado especial. Não tratava-se de um simples papel, mas sim de um tesouro.

 

Com suavidade, ajeitou o xale. Respirou fundo. Cruzou as pernas discretamente. Tão elegante ela! E numa cidade da Colômbia, num metrô superlotado, Igor. Nas costas, a mochila. Usava uma camisa simples, vermelha, uma bermuda marrom. Estava mais jovem.

 

Meio preocupada, ela levantou-se do banco. Olhou ao seu redor e nos seus belos olhos uma pequena angústia manifestou-se.

 

- Não. Esse pensamento é perigoso. Eu sei que ele vem. Então ele logo vai estar aqui, comigo, aqui. Eu tenho certeza, certeza, certeza.

 

Caminhou de um lado para o outro por alguns minutos. Queria ele, ele, os abraços dele, os olhares dele, os sorrisos dele, as palavras de Igor, as ideias do seu homem, as manias dele.

 

Viu um jovem casal passar de mãos dadas. 

 

- Realmente o amor é essencial para a felicidade do homem na Terra. E como!

 

Sentou-se novamente no banco de madeira. Contemplou demoradamente a rua charmosa de poucos carros e de várias pessoas que pareciam ser personagens de José de Alencar ou do Machado de Assis. Abaixou o olhar. Entregou-se à reflexão.

 

Igor, em passos discretos, andava pela calçada. Muita gente perto dele, o caos terrível, terrível, os inúmeros carros na rua, algumas missionárias tentando evangelizar os que se achavam perdidos, a música no ar, a música da colombiana Shakira, do colombiano Maluma, da mexicana Thalía, a música LINDO PERO BRUTO.

 

- A senhora ainda acredita no amor?

- Acredito sim.

- E por que ele ainda não veio?

- Porque esperar é mais sábio quando há certeza no espírito. Entendeu? O que eu falo é a mais pura verdade.

 

Igor, cada mais devagar, chegou por trás de Ligia. Segurava uma rosa na mão direita. As lágrimas dele eram incontroláveis.

 

- Meu amor, eu esperei tanto por isso.

- Igor, eu sabia que você voltaria.

- Desculpa!

- A vida é assim mesmo.

- Você não é o culpado.

- Mas eu me sinto.

- Não importa se você foi se prostituir na Colômbia. Eu não posso te julgar.

- Me perdoa!

- Você voltou. É o que importa. E eu te amo, Igor! Eu te amo!

- Eu também, Ligia. Você me faz acreditar num futuro melhor. Obrigado!

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