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Madura, Isadora Williams chega a PyeongChang pronta: "Tinha medo"

Em sua segunda Olimpíada de Inverno, patinadora brasileira lembra de Sochi aos 17 anos e revela que não confiava no próprio potencial

GE

20 de Fevereiro de 2018 às 17:35

Madura, Isadora Williams chega a PyeongChang pronta: "Tinha medo"

Isadora Williams representa o Brasil nos Jogos de Inverno FOTO: (Divulgação)

"Eu estive nas nuvens em Sochi. Foi um sonho e espero viver isso de novo". Em janeiro de 2015, próxima de completar um ano da experiência mais incrível da sua vida, Isadora Williams já mirava PyeongChang. Agora, quatro anos depois de fazer história ao colocar o Brasil pela primeira vez em ação na patinação artística nos Jogos de Inverno, a "pequena notável" cumpriu a promessa e irá repetir a dose na Coreia do Sul. No rinque, porém, uma nova Isadora será colocada à prova. Se na Rússia ela havia acabado de completar 18 anos, errou a coreografia, demonstrou nervosismo e até chorou, desta vez chega renovada, mais madura e sem medo, pronta para encantar os coreanos e conquistar a melhor posição possível aos 22 anos.

 

"Vou para PyeongChang muito mais confiante. Eu tinha somente 17 anos e tudo aconteceu muito rápido. De repente eu virei uma sensação no Brasil. Quando voltei da Alemanha com a vaga para a Olimpíada, já tinham repórteres me esperando para entrevista no aeroporto. De Sochi até agora fiz mudancas essenciais para o meu futuro. Os meus treinadores sempre me dizem que eu era uma pedra preciosa que passou pelo processo de lapidação. A patinação é um esporte que mexe muito com a imagem e com a autoestima. Eu não confiava em mim e no meu potencial. Todas as vezes que entrava no gelo vinha um mar de cobranças. Tinha medo de decepcionar o Brasil, a minha família, os meus treinadores. Agora, quando entro para competir acredito sempre porque estou preparada e treinei muito", garante Isadora.

 

Isadora em ação em Sochi na Rússia

 

O processo de amadurecimento foi demorado e quase ficou pelo caminho. Após Sochi, Isadora ficou meses sem entrar em um rinque. Depressiva, pensou em abandonar o esporte tamanha a decepção. Ela teve problemas no programa curto na Rússia, errou e terminou em 30º, no último lugar. Nascida nos Estados Unidos e filha de mãe brasileira, a patinadora precisou enfrentar os seus fantasmas e se reinventar. Em agosto de 2014, resolveu voltar ao treinos, e no segundo semestre do ano passado conquistou a vaga olimpíca na repescagem, já vivendo uma nova etapa da sua vida, morando longe dos pais e fazendo faculdade em Nova Jersei.

 

"Depois da ascensão veio a depressão. Eu não fiz o programa que gostaria de fazer em Sochi, não patinei com todo o meu potencial. Voltei determinada a nunca mais colocar meus pés em um par de patins. Foi um momento muito ruim, de grande tristeza e muita depressão. Mas voltei e tenho muito orgulho de quem sou e do que conquistei. Em Janeiro de 2017 fiz as malas e a partir dali comecei uma vida nova. Estava estagnada, vivendo na casa dos meus pais e treinando na minha zona de conforto. Senti necessidade de uma mudança para crescer como atleta. Queria mais desafios e entrar na faculdade", explica Isadora, que cursa nutrição na Universidade de Montclair e adora cozinhar.

 

Shows para arrecadar fundos e apoio financeiro

Na caminhada até Sochi, Isadora via os pais bancarem praticamente todo o seu treinamento. Em 2012, a família escreveu uma carta para a CBDG dizendo que a situação era inviável financeiramente. A carreira estava em xeque e os Williams pensaram em desistir. Meses depois, tudo foi resolvido e ela passou a receber apoio da confederação. Na corrida para PyeongChang, a situação melhorou um pouco. A patinadora tem uma verba da CBDG, Bolsa Atleta e Bolsa Solidadriedade do Comitê Olímpico Internacional. Mesmo assim, passados quatro anos da primeira participação olímpica, ainda precisa arrecadar fundos para os treinamentos e também para a universidade, sua nova responsabilidade atrelada a carreira.

- Não é fácil conciliar universidade, treinos e ainda trabalhar para poder me sustentar. A universidade é muito cara aqui nos Estados Unidos e a patinação no gelo é um esporte caro. Ainda conto com ajuda financeira dos meus pais e dos meus treinadores. O Igor Lukanim, que é meu treinador e também agente, conseguiu alguns shows na temporada natalina para que eu pudesse receber por apresentações. Eu nao tenho patrocínio, mas consegui um vestido novo da CPQi para o programa curto, um par de patins EDEA, um par de laminas John Wilson, um novo Website da #HASH e o dinheiro arrecadado na campanha que fiz eu consegui pagar algumas aulas de saltos - conta a jovem.

 

Nova família em Jersei

Em Sochi, Isadora tinha o conforto da mãe nas arquibancadas. Ela completou 18 anos já na Rússia e inexperiente, sentiu a pressão. Nesses últimos quatro anos, contudo, mudanças fora do rinque fizeram a patinadora mais forte. Morando longe dos pais, foi acolhida pela família Kalluf, de origem brasileira e que vivem na cidade de Nova Jersei. Lá, Isadora treina com Amanda, agora uma espécie de irmã mais nova e aprendeu a se virar. A adaptação a uma nova rotina, com faculdade e treinos intercalados, além de uma carga emocional e física maior, a moldaram para PyeongChang.

 

- Nas primeiras semanas eu caía na cama e não dormia, eu desmaiva. A minha musculatura estava experimentando um desafio novo e muito mais intenso. Eu nunca tinha vivido fora de casa e tive que me adptar. Os Kalluf me deram muito carinho. Morei com eles por oito meses. Tenho gratidão eterna. Aqui treino e estudo no mesmo espaco. A mudança foi uma das melhores coisas que aconteceram comigo.

 

Em PyeongChang, Isadora acredita em uma exibição tecnicamente muito acima da realizada em Sochi. "O que não falta é confiança.  Eu quero muito poder executar bem os meus dois programas, o curto e o longo. Quero os brasileiros me assistam, torçam e que tenham muito orgulho de mim. O universo do atleta de elite é muito diferente. Eu sou extremamente respeitada porque represento um país sem tradição no esporte e cheguei onde cheguei. A Coreia do Sul não tinha tradição no esporte e tem a atleta Yuna Kim, que fascinou o mundo com suas grandes habilidades. Eu tenho que ter confiança em mim e seu estou no meio deles é por puro merecimento", garante Isadora Williams.

 

E os proximos quatro anos?

Em 2022, Pequim receberá a Olimpíada de Inverno. Isadora terá 26 anos. A idade não será um problema para que ela consiga uma terceira participação, mas os planos dependem da atuação na Coreia do Sul. Até lá, ela espera estar formada e já traçando os próximos passos para o pós-carreira esportiva, quem sabe até como árbitra?

"Eu quero muito continuar a patinar, mas vai depender da minha confederação continuar com a mesma ajuda financeira, continuar recebendo a Bolsa Atleta e um futuro patrocinador. Tenho planos para um futuro. Eu quero ser juíza para tentar ajudar os futuros atletas brasileiros. Quero também trabalhar em um projeto para podermos ter no Brasil um rinque com medidas oficias. Em 2022 já vou estar formada e espero que até lá a Isadora esteja muito feliz. Só tenho a certeza de que a patinação vai fazer parte da minha vida para sempre. Se não estiver competindo, quem sabe como correspondente em Pequim comentando a patinação (risos)", brinca Isadora.

 

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