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DIVERSIDADE: Fotógrafa rondoniense expões registro de povos negros na Amazônia, em BH

“Eu nasci em São Paulo e em São Paulo eu cresci, mas também morri como mulher negra. Rondônia foi o lugar que me trouxe uma vida, um renascimento, ali na beira do Madeira, permeando por Guaporé e agora eu estou em busca desse Atlântico”, conta Marcela.

FAN

26 de Novembro de 2019 às 08:46

DIVERSIDADE: Fotógrafa rondoniense expões registro de povos negros na Amazônia, em BH

FOTO: (Divulgação)

Aproximar a diversidade da população negra na Amazônia: essa é a proposta da exposição “(Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta”, da porto-velhense Marcela Bonfim, que está aberta à visitação no Museu de Artes e Ofícios até domingo (24), em Belo Horizonte. O conjunto das obras traça uma espécie de linha do tempo do início do século XVIII com o povoamento do Vale do Guaporé, até 2011, quando migrantes negros haitianos passaram a habitar a região Norte.

 

 Impressas em madeira, as obras são próprias para o toque e para o manuseio do público – um modo de reduzir as distâncias entre visitantes e personagens registradas. “Poder tocar nesses quadros e poder sentir é o mesmo processo de poder tocar no assunto do negro. É ressignificar essa história e nos apropriar de um processo que é nosso, da nossa cultura”, reconhece Marcela Bonfim.

 

Enquanto reflete sobre sua obra, Marcela reconhece como a arte pode ser um tanto quanto desafiadora para a negritude. “É um processo que prendeu o meu corpo e que ainda prende em lugares em que eu nunca quis estar”. Na contramão dessa tendência, no entanto, em sua obra a artista consegue enfim ver a si mesma e a seus semelhantes.

 

Nascida na região Sudeste, Marcela hoje tem em Rondônia o que chama de lar. “Eu nasci em São Paulo e em São Paulo eu cresci, mas também morri como mulher negra. Rondônia foi o lugar que me trouxe uma vida, um renascimento, ali na beira do Madeira, permeando por Guaporé e agora eu estou em busca desse Atlântico”, conta.

 

Na décima edição do FAN-BH, a artista tem a oportunidade de compartilhar com os seus alguns fragmentos dessa experiência particular. “A gente está aqui experimentando narrativas negras através da música, do corpo, da dança, da imagem. São muitas manifestações através de um corpo só. E esse corpo é gigante. A gente não consegue nem enxergar o tamanho dessa dimensão”, afirma Marcela. “Quando a gente se encontra, quando a gente se reúne, é a oportunidade que a gente tem para perceber o quão grande é ser negro”.

 

http://www.fan.pbh.gov.br/

 

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