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LITERATURA - QUADRINHOS: Beijo gay em livro criticado por Crivella é cena imprópria segundo o ECA?

O prefeito tentou recolher a obra da Bienal do Libro nesta sexta-feira. “É um engano muito grave quem enxerga as histórias em quadrinhos somente como conteúdo infantil", declarou o jornalista Osmar Portilho.

UOL

7 de Setembro de 2019 às 09:42

LITERATURA - QUADRINHOS: Beijo gay em livro criticado por Crivella é cena imprópria segundo o ECA?

FOTO: (Divulgação)

 Sob a alegação de que o livro HQ “Vingadores - A Cruzada das Crianças”, da coleção Graphic Novels da Marvel, em que dois super-heróis namorados se beijam, traz "conteúdo sexual para menores" e fere o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, tentou, sem sucesso, recolher a obra na Bienal Internacional do Livro, no Rio, nesta sexta-feira,6. A feira encerra neste domingo,8.

 

O recolhimento não chegou a acontecer e todos os exemplares foram vendidos.

 

A Prefeitura do Rio, em uma nota, justificou a tentativa de vetar a publicação informando que a legislação determina que publicações com cenas impróprias a crianças e adolescentes sejam comercializadas com lacre - embaladas em plástico ou material semelhante - com a advertência de classificação indicativa de seu conteúdo.

 

Ilustrador

 

O ilustrador Jim Cheung, responsável pela HQ,  disse que o prefeito Marcelo Crivella está "desconectado com os tempos atuais".

 

"Agora, não sei o que levou o prefeito fazer uma busca de uma obra com quase uma década e que já estava à venda há muitos anos, mas posso dizer honestamente que não havia motivação por trás da obra na promoção de um estilo de vida específico, nem no direcionamento de um público único", completou.

 

Jim analisa que a cena que causou a polêmica "apenas descreve um momento de ternura entre dois personagens que estão em um relacionamento estabelecido" e que, como artista, sua paixão é contar histórias com personagens autênticos e diversos.

 

"Personagens que retratam todos os estilos de vida e cores, sejam pretos ou brancos, marrons, amarelos ou verdes", disse. "O fato de este livro, de quase uma década atrás, estar agora sendo destacado pelo prefeito talvez apenas mostre como ele pode estar fora de contato com os tempos atuais. A comunidade LGBTQ está aqui para ficar, e eu não tenho nada além de amor e apoio para aqueles que continuam lutando pela validade e uma voz a ser ouvida."

 

Público adulto

 

“É um engano muito grave quem enxerga as histórias em quadrinhos somente como conteúdo infantil. Não é de hoje que as graphic novels usam suas páginas para falar sobre sexualidade, violência e temas considerados espinhosos para muitos”, declara o jornalista Osmar Portilho no Uol.

 

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