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CARNAVAL: Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca

Vamos a mais um capítulo do livro “História do Carnaval em Porto Velho”.

ZÉKATRACA

30 de Agosto de 2018 às 17:14

CARNAVAL: Confira a coluna "Lenha na Fogueira", por Zékatraca

FOTO: (Divulgação)

História do Carnaval em Porto Velho – III

Bloco da Dona Jóia e as Batalhas de Confete

 

 

Hoje vamos falar sobre o bloco da Dona Jóia que desfilou até o ano de 1958, quando seu marido Valério Souza e seu filho Ricardo, convidaram o Bainha, o Cabeleira e depois o Tário de Almeida Café e criaram a escola de samba “Prova de Fogo”, que mais tarde ficou conhecida como “Universidade dos Diplomatas do Samba”.

 

O Bloco da Dona Jóia era infanto-juvenil e desfilava tendo como tema, o filme que estivesse em cartaz nos cinemas da cidade.

 

Nessa edição também lembramos as “Batalhas de Confete” que aconteciam geralmente na avenida Sete de Setembro nas praças Rondon e Jonathas Pedrosa.

 

Vamos a mais um capítulo do livro “História do Carnaval em Porto Velho”.

 

 

O Bloco da Dona Jóia

 

Adelaide Souza da Silva quem é, quem era?

 

Com esse nome acho que nem mesmo os amigos mais íntimos da família e até seus filhos não identificariam de imediato de quem se tratava. Porém, se perguntarem por Dona Jóia com certeza 90% dos que moram em Porto Velho desde os idos de 1950, vão logo dizer, é a dona Jóia do bloco.

 

“Bloco da Dona Jóia” esse foi o bloco infanto-juvenil mais popular de Porto Velho na década de 1950.

 

Dona Jóia recém chagada de Manaus, foi morar na Avenida Carlos Gomes, justamente numa casa que ficava em parte do terreno onde hoje está a agencia do Banco Bradesco. Casada com seu Valério Souza um entusiasta folião, que depois criou juntamente com seu filho mais velho Ricardo e os amigos deste, Bainha, Cabeleira e Tário de Almeida Café a escola de samba “Prova de Fogo” hoje “Os Diplomatas do Samba”.

 

Bem! Dona Jóia que era professora, funcionária do governo do Território Federal do Guaporé/Rondônia lotada na Divisão de Educação atuando na área de administração da Escola Normal Carmela Dutra como secretária da diretoria e, por conseguinte, pessoa bem conceituada na cidade, tinha um problema, não era sócia de nenhum clube social e em conseqüência, quando chegava o carnaval, era questionada pelos seus filhos Tetéia, Léo e Linda e mais tarde o Rogério “por que os outros meninos e meninas do Grupo Escolar brincam carnaval nos blocos dos clubes e nós não”?

 

Foi então que resolveu criar um bloco infanto-juvenil, isso lá pelos idos de 1954. Reuniu com suas amigas e as convenceu a deixar seus filhos participarem do bloco.

 

O interessante era que o bloco não tinha um nome carnavalesco. Era simplesmente “Bloco da Dona Jóia”. Outro fato interessante era que o bloco não tinha cor padrão por um simples motivo. Em todos os desfiles dos quais participou, sempre apresentava como tema, o Filme que estava em cartaz nos cinemas de Porto Velho, principalmente os que eram exibidos nas matinês dos Cines Resk, Brasil e Cine Avenida (Lacerda).

 

Assim os meninos e meninas desfilaram fantasiados de “Pirata” porque estava passando o seriado do Capitão Kid. Zorro pelo seriado do Zorro e Scaramuche entre outros.

 

A banda (Jazz), que tocava para a gurizada pular carnaval era formada entre outros pelo Manga Rosa (trombone de vara), Ricardo filho da dona Jóia (caixinha), Bainha (surdo) e Cabeleira (afoxé) e mais o Louro no trompete.

 

Depois do primeiro ano era mais quem queria colocar seus filhos para brincar carnaval no “Bloco da Dona Jóia”.

 

O último carnaval do “Bloco da Dona Jóia” foi o de 1958, quando os foliões desfilaram fantasiados de Scaramuche.

 

Em novembro daquele ano (1958), seu marido Valério juntamente com seu filho Ricardo mais o Bainha, Cabeleira e Tário Almeida Café criaram a escola de samba “Prova de Fogo” que se apresentou com esse nome apenas no carnaval de 1959, pois em 1960 passou a ser conhecida como Universidade dos Diplomatas do Samba.

 

 

As Batalhas de Confete

 

Tudo que acontece no carnaval de Porto Velho desde sua criação em 1907, até os dias de hoje, é influencia do carnaval do Rio de Janeiro ou do carnaval de Belém do Pará. Assim foi com a introdução das “Batalhas de Confete” que aconteciam entre o mês de novembro até o sábado magro no mês de fevereiro ou março.

 

A festa era organizada pela prefeitura municipal e geralmente, acontecia na Avenida Sete de Setembro. As Batalhas de Confete eram uma prévia dos desfiles oficiais, já que a prefeitura premiava os melhores blocos de cada Batalha. Assim, os blocos dos clubes sociais Imperial, Guaporé, Danúbio Azul Bailante Clube, Bancrévea, Ypiranga e as escolas de samba, Deixa Falar, O Triângulo Não Morreu e depois a Diplomatas, levavam para essas apresentações o que tinham de melhor (as escolas de samba não participavam do concurso apenas se apresentavam). Lembro de grandes passistas de frevo como o Julio Cezar Pontes que concorria pelo Bancrévea e do Camarão que representava o Ypiranga, era páreo duro a disputa entre esses dois foliões, o público ficava aguardando as passagens dos blocos de Bancrévea e Ypiranga só para assistir as peripécias dos dois passistas.

 

Durante os sábados que antecipavam os dias de carnaval propriamente dito, a prefeitura armava o palanque e promovia as Batalhas de Confete. A população da cidade em massa prestigiava a realização do evento, que geralmente começava as 17h00 e terminava no máximo as 20h00.

 

A grande Batalha de Confete (a última), acontecia no Sábado Magro de Carnaval, nesse dia todos os blocos e escolas de samba se reuniam a partir das três horas da tarde, na Estação da Estrada de Ferro Madeira Mamoré para esperar Sua Majestade Rei Momo 1º e Único e sua Corte.

 

O Rei Momo embarcava na Vila de Santo Antônio numa Litorina toda decorada com motivos carnavalescos e chegava à estação de Porto Velho por volta das 17h00.

 

Da estação, Sua Majestade seguia para o palanque que era montado na calçada da Praça Rondon com a frente para a Avenida Sete de Setembro. Os blocos seguiam a pé a condução do Rei Momo (geralmente um Jeep), brincando carnaval ao som de suas orquestras. Ao chegar ao palanque o prefeito de Porto Velho passava oficialmente a Chave da Cidade para as mãos de Sua Majestade Rei Momo Primeiro e Único. Assim que assumia a cidade, Sua Majestade ordenava que o Arauto anunciasse as Leis que passariam a vigorar a partir daquele dia até a terça feira de carnaval.

 

Após essa solenidade o Rei mandava que começasse a última “Batalha de Confete” daquele carnaval e os foliões dos blocos, ao som de marchinhas e frevos pernambucanos, se esmeravam para mostrar o melhor.

 

As Batalhas de Confete aconteceram em Porto Velho, até o carnaval de 1960 quando o Rei Momo foi o empresário Emil Gorayeb.

 

 

 

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