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CULT/VÍDEO – A paixão, a emoção e o humor ferino do futebol brasileiro no clássico “Boleiros”- Por: Marcos Souza

O filme “Boleiros” é o melhor a retratar a paixão do brasileiro pelo futebol, com histórias folclóricas que retratam personagens apaixonantes e situações de muito bom humor. A continuação será lançada nesta sexta-feira nos cinemas nacionais. Saiba mais. >

DA REDAÇÃO

5 de Abril de 2007 às 17:49

CULT/VÍDEO – A paixão, a emoção e o humor ferino do futebol brasileiro no clássico “Boleiros”- Por: Marcos Souza

FOTO: (Divulgação)

*Foto/legenda: Adriano Stuart e Flávio Migliaccio, numa cena do filme “Boleiros” *Por: Marcos Souza *O Brasil tem dessas coisas, é o país do futebol e ninguém nega isso, mas até 1998 ainda não se tinha feito um filme que retratasse essa paixão genuinamente brasileira com o glamour necessário. Claro, vamos excetuar documentários cinematográficos em que se destaca um esportista, como “Garrincha, alegria do povo”, realizado por Joaquim Pedro de Andrade em 1964.Talvez o que tenha melhor demonstrado essa paixão pelo esporte tenha sido o filme de Djalma Limongi Batista, “Asa Branca – Um Sonho Brasileiro”, de 1981, com Edson Celulari no papel-título, onde se conta a trajetória de um jogador de futebol do interior de São Paulo, desde o começo de sua carreira até o sucesso em uma Copa do Mundo, tudo visualmente bem feito, buscando até inserir o lado onírico da paixão futebolística com imagens de sonhos. *Mas, “Boleiros – Era uma vez o futebol...”, do diretor paulistano Ugo Giorgetti, lançado em 1998 veio preencher esse espaço dentro do gênero esporte nos cinemas nacionais e é um dos mais saboroso já realizados, até para quem não gosta muito de futebol vai se surpreender com as histórias que povoam o filme. *O esquema é muito simples, um grupo de amigos se encontra num bar dedicado aos antigos craques de futebol, nesse grupo estão ex-jogadores, um juiz aposentado (numa ótima participação do saudoso Rogério Cardoso)e um jogador em ascensão. Cada um deles tem uma história ou lembrança para contar, recordando situações e fatos que marcaram suas vidas onde o futebol é o pano de fundo. Por isso mesmo as histórias são pequenos mostruários da natureza humana, com direito a sorrisos, gargalhadas e lágrimas. *Tem a impagável presença de Otávio Augusto como o juiz ladrão, que é obrigado a arranjar um resultado de um jogo da terceira divisão, porém o time que ele tem que favorecer só tem “perna de pau”, como ele mesmo fala num diálogo com o treinador: “Esse teu time é uma merda!”. A história do craque esquecido, que teve mulher, dinheiro e fama e hoje vive numa favela e tem a oportunidade de sentir a mesma sensação da época que era famoso com a ajuda de um jornalista esportivo. A hilária história de um craque corintiano que vive “bichado” (apelido do linguajar futebolístico para jogador que só vive contundido) até que um cunhado e seus amigos resolvem sair do âmbito médico-hospitalar do clube e consultam um famoso pai de santo, Pai Vavá (numa engraçadíssima participação do músico polivalente André Abujamra) que irá resolver o problema definitivamente. *Algumas histórias são tão populares e incríveis que são baseadas em fatos reais, mas ligeiramente modificadas por Giorgetti, como a do craque que resolve jogar fora do país por sofrer discriminação racial. Quando ele é parado por policiais de forma brusca e depois de revistado é que é reconhecido como o grande craque que fez o gol de placa daquele dia, um dos fardados o adverte: “Pô tenha dó negão, falando no celular, andando num carrão desse e ainda sorrindo, dá pra desconfiar”. Nesse episódio vale notar a incrível reprodução de uma daquelas famosas mesas redondas televisivas de futebol, onde o jogador fala de menos e os comentaristas falam demais. *Tem também o caso do técnico do Palmeiras que quase enlouquece quando um dos seus melhores jogadores, metido a mulherengo (numa clara alusão ao ex-jogador e hoje treinador Renato Gaúcho), justamente já véspera de um clássico contra o Corínthias, resolve dar uma escapulida da concentração no hotel para traçar uma “dona” que conheceu no restaurante. *Mas claro, existe a emoção em momentos que provocam reflexões breves sobre a magia que o futebol é capaz de proporcionar em nossas vidas, ou seja, alegria sim, mas também lágrimas. Como a história do ex-craque do time do São Paulo que tem uma escolinha de futebol e resolve ajudar um menino de rua, marginal, que apesar da vida miserável nas ruas se revela um talento com a bola, encantando o ex-jogador, até o momento em que ele resolve conhecer o outro lado da vida daquele menino e quase morre. *A mensagem mais abrangente e que serve como “epitáfio” para “Boleiros” está na presença sóbria e emocionante da figura do jogador Naldinho (Flávio Migliaccio em estado de graça), o ex-craque que era adorado pelos times que passou e hoje vive esquecido, amargurado, vivendo de glórias passadas e lamentando o fato de nunca ter aproveitado realmente o seu ápice como jogador para se estabelecer na vida. *É um filme notável, nunca uma obra-prima, mas transmite com anseio e, como escrevi lá em cima, glamour a maior paixão esportiva do Brasil. Tanto assim que quem assistiu ficou desejando uma continuação e que mais histórias fossem mostradas. *Pois é, nessa sexta-feira, 07, estréia “Boleiro 2” do mesmo diretor, Ugo Giorgetti, e com mais histórias, só que agora apresentadas de forma diferente. Vale, porém, um aviso, a estréia acontece lá fora, em Porto Velho isso não vai ocorrer, infelizmente. *Pela sinopse distribuída à imprensa o filme deve seguir um esquema mais sofisticado de apresentação dos personagens, e, bom, aí é que mora o perigo. De repente o que era simples se tornou mais elaborado e por isso mesmo pode não cair de agrado logo de cara dos fãs do primeiro filme. *O filme segue dois planos distintos, o primeiro conta como um jogador famoso e penta-campeão chegou ao seu ápice, cercado de personagens (o irmão oportunista, jornalistas, o empresário, torcedores) que dão o tom em primeiro momento dessa história, numa teia de situações que exemplificam as correlações que ligam fama e miséria numa realidade visceral do futebol brasileiro, e em outro plano, esse mesmo jogador dentro do bar que ele investiu como sócio, veteranos jogadores se reúnem para lembrar nostalgicamente de outras histórias. *Leia o que expõe o release de apresentação, mas leia por conta e risco, pois algumas surpresas são reveladas, mas como o primeiro filme não passou em nossos cinemas a possibilidade desse passar também é mínima, portanto não sei se fará alguma diferença, mas de qualquer modo: *(...) o filme se dá em dois planos. Um, em que se relata a primeira visita que um famoso jogador brasileiro radicado na Europa faz ao Brasil depois que se tornou penta campeão mundial e também a primeira visita que esse jogador faz a um empreendimento do qual agora é sócio. O famoso bar do Aurélio, tradicional reduto de "boleiros". *A presença desse astro no bar arrasta consigo todas as conseqüências previsíveis. Imprensa, escrita e falada, torcedores, mulheres á procura do jogador, empresários, advogados, etc. Toda a estranha fauna que cerca hoje o futebol, e não só o futebol, mas todas as atividades inclusive as esportivas e culturais que possam oferecer qualquer possibilidade de lucro rápido. *Durante a visita do jogador descobre-se a realidade: que ele tem um irmão preso cuja identidade deve ser mantida em segredo da imprensa custe o que custar, que tem um filho ilegítimo com uma jovem torcedora que o persegue e ameaça, que está enfim nas mãos de seu empresário. *O empresário por sua vez vem do mesmo meio. Foi ele mesmo um jogador, talvez mais esperto que os outros, mas sua cabeça e seus valores são ainda aqueles que adquiriu na vida dura da extrema periferia. (...) Apesar disso, ricos e supostamente sem problemas os dois, jogador e empresário, tem que sorrir, dar entrevistas e atender torcedores. E mentir. *Esses torcedores, que no fundo ignoram ou não se interessam por todas essas transformações porque passou as relações no futebol, na verdade só se importam com o jogo e com os feitos de seus ídolos. Eles também são personagens do filme, exemplificados através de uma dupla de pequenos delinqüentes que apesar de uma vida precária e perigosa de assaltos e furtos não perderam uma certa inocência, uma certa paixão autentica pelo futebol, que os faz comparecerem amigavelmente no bar para saudar seu ídolo que chega. Claro que no trajeto aproveitam para realizar um ou dois assaltos. *Indo mais longe na observação dos subterrâneos do futebol o filme se dedica a outro personagem: o irmão presidiário do famoso jogador . Ele também joga, embora na prisão. Ele também é um grande jogador, talvez melhor que o outro. Enquanto um é ídolo na Europa outro é ídolo nos campos quase sem grama, cercado de muralhas com guardas armados de um grande presídio em S.Paulo. *O irmão desafortunado aproveita da fortuna do outro para extorquir-lhe dinheiro e comprar mais privilégios na prisão. *Essa seqüência de situações e de personagens que se cruzam e se ligam através do jogo de futebol é feito nesse único dia da visita do jogador. O filme ,porém, se dá também em outro plano. Nesse mesmo bar há um mezzanino, ao qual se chega através de uma velha escada, e que permanece como antigo refúgio de velhos "boleiros" que sempre freqüentaram o bar. *Enquanto na parte de baixo já se nota que o velho bar está deformado pela pseudo-modernidade dos novos sócios, já cheio de luzes, plástico,telões e som jovem, o mezzanino se mantém ainda intacto em seu aspecto antigo, tal como foi mantido por anos e anos. *Os "boleiros", antigos grandes jogadores, vêm lá de cima outro jogador ser investido da glória, das homenagens e do interesse que um dia eles mesmos provocaram. Entre uma cerveja e outra observam entre irônicos e um pouco nostálgicos o espetáculo da cerimônia da exaltação da vaidade humana, que se repete com infinita monotonia. Só mudam os atores. *Esses jogadores passam seu tempo conversando sobre futebol. E das histórias que contam e recordam surge um outro mundo onde o dinheiro contava pouco e a alegria de jogar contava mais. (...)” *Para quem ficou interessado em conhecer o primeiro filme, “Boleiros – Era uma vez o futebol”, infelizmente as notícias não são boas. O filme não foi lançado em DVD, mas talvez com a estréia do segundo filme isso se corrija. “Boleiros” foi lançado apenas em VHS, em 1999, e integrou a coleção promocional de vídeos nacionais da revista Isto É em 2000. Até um tempo desse a fita era encontrada na locadora Games e Vídeo. Quem quiser tentar a sorte pode ir fundo, o filme vale a pena, um conselho: assista com a sala cheia, com amigos e parentes, pois a diversão é garantida. *Marcos Souza é editor de Cultura do site

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