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CINEMA – Grande vencedor “moral” do Oscar estréia algum dia da semana em Porto Velho

Um dos filmes mais premiados no Oscar esse ano, "O Segredo de Brokeback Mountain", iniciaria temporada nesta segunda-feira (27) no Cine Veneza, mas os rolos do filme não vieram. Saiba mais sobre o filme e a polêmica sobre o seu tema, a relação homossexual

DA REDAÇÃO

25 de Março de 2007 às 20:50

CINEMA – Grande vencedor “moral” do Oscar estréia algum dia da semana em Porto Velho

FOTO: (Divulgação)

*Por: Marcos Souza *Quando lançado no ano passado, “O Segredo de Brokeback Mountain” (Brokeback Mountain/EUA/2005), do diretor chinês Ang Lee, já chegava com um polêmica em torno da sua história, que mostrava, a grosso modo, o relacionamento homossexual entre dois cowboys. Isso na terra do Tio Sam, onde o mito do cowboy se tornou referência nos anúncios da Marlboro, e a instituição do “velho oeste” se mantém íntegro através dos velhos filmes, principalmente os clássicos do diretor John Ford, foi uma ousadia. *Pois é, o filme que iria ser exibido em Porto Velho na segunda-feira (27), no Cine Veneza, teve sua estréia adiada. "O segredo de Brokeback Mountain" foi um dos mais premiados do Oscar esse ano, numa disputa acirrada com pelo menos seis filmes de peso, “Crash”, “Munique”, “O Jardineiro Fiel”, “King Kong”, “Memórias de uma Gueixa” e “Syriana - A Indústria do Petróleo”. *Baseado na história de Annie Proulx, originalmente publicada na revista The New Yorker, em 13 de outubro de 1997, ”O Segredo de Brokeback Mountain” é um dos mais belos filmes da última temporada, seguindo a narrativa com um estilo depurado numa fotografia estilizada e bonita, mas sensível e apta a linguagem acadêmica do diretor Ang Lee, que tem se mostrado um mestre em retratar relações familiares intensas em dramas contundentes, como o fez em “Tempestade de Gelo” (Ice Storm/EUA/1997). *O filme narra a história de Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennie Del Mar (Heath Ledger), dois jovens que se conhecem no verão de 1963, após serem contratados para cuidar de ovelhas em Brokeback Mountain. Jack deseja ser cowboy e está trabalhando no local pelo 2º ano seguido, enquanto que Ennie pretende se casar com Alma (Michelle Williams) tão logo o verão acabe. Vivendo isolados por semanas, eles se tornam cada vez mais amigos e iniciam então um relacionamento amoroso. Ao término do verão cada um segue sua vida, mas o período vivido naquele verão irá marcar suas vidas para sempre. Ang Lee então situa a drama na relação entre os dois, devidamente bem comportados, com suas respectivas famílias, em manter as aparências perante a sociedade e reprimindo intensamente o sentimento que um sente pelo outro, principalmente no que ocorreu no passado e se tornou segredo em suas vidas. *O roteiro de Larry McMurtry e Diana Ossana, premiado com Oscar esse ano, foi escrito no final da década de 90, tendo permanecido durante anos sem conseguir financiamento para ser rodado. *Uma curiosidade sobre o filme é que durante as filmagens o ator Heath Ledger rodou uma cena em que entrava nu em um lago. O diretor Ang Lee cortou as cenas em que aparecia nudez frontal do ator, mas um paparazzi conseguiu tirar fotos com uma câmera digital durante a realização desta cena. As fotos com a nudez do ator foram publicadas em algumas revistas americanas e também na internet. *O filme esteve cotado para ser dirigido pelos diretores Joel Schumacher e Gus Van Sant, dois notórios cineasta que são assumidamente gays. O primeiro é o diretor de bons filmes, como “Tigerland” e “Um dia de Fúria”, assim como tolices como dois filmes do Batman, e Gus Van Sant, dirigiu recentemente a pérola “Elephant”, Palma de Ouro em Cannes de 2004. *
OSCAR E PRÊMIO “MORAL”
*O filme ganhou três Oscars esse ano, melhor trilha sonora, roteiro adaptado e direção, e estava muito cotado para levar o de melhor Filme do ano, até por uma questão de lógica e estatística, pois raramente o diretor que ganha o prêmio de melhor direção perde na categoria de melhor filme. Na festa o filme estava sendo ovacionado a cada prêmio recebido, ou seja, já havia conquistado a simpatia de boa parte da platéia da festa de premiação, formada por atores, diretores e produtores, mas na hora da mais cobiçada estatueta da noite, o prêmio foi para “Crash, No Limite”, do diretor Paul Haggis – roteirista do brilhante “Menina de Ouro”, filme do ator/diretor Clint Eastwood e grande vencedor do Oscar de 2005. *Em primeiro momento o prêmio parece ter sido merecido, pois “Crash” figurou na lista dos melhores do ano passado da crítica especializada. Mas em um ano atípico para o Oscar onde filmes com conceitos menos comerciais (até King Kong, apesar de ser um “blockbuster” e ainda por cima refilmado pela segunda vez, tinha a marca pessoal do seu diretor, Peter Jackson) e num formato “quase” independente foram o mote para a seleção, com o depuro de qualidade que só se via em festivais como o Sundance, “O Segredo de Brokeback Mountain” foi uma grata surpresa, até pelo tema da “homossexualidade”, um tabu entre os membros mais conservadores da Academia. *O filme já havia provado suas qualidades técnicas e artísticas, não só pela premiação conquistada, como os elogios da crítica, não só americana como européia, então faltava somente a Academia dar o prêmio máximo e quebrar de vez o tabu sobre o tema, o que acabou não ocorrendo. Mas, para fãs de cinema, já havia pistas durante a festa de que o prêmio não seria entregue ao “filme gay” de Ang Lee, pois durante a cerimônia homenagens “esquisitas” e fora do contexto, como para os “filmes Noir” e “filmes Épicos”, foram apresentadas. Coincidentemente, considerados “filmes para macho”. *Ficou então o “prêmio Moral” para “O segredo de Brokeback Mountain”, ou seja, a indicação à categoria e o seu favoritismo, que quebrou quando se abriu o envelope e o filme citado era outro. *NÃO PERCA, o filme está em cartaz no Cine Veneza. * *Marcos Souza é editor de cultura do site e cinéfilo.

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