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CÉSAR MANZOLILLO – ENTREVISTA Nº 712. - POR SELMO VASCONCELLOS

POR SELMO VASCONCELLOS

6 de Dezembro de 2019 às 09:18

CÉSAR MANZOLILLO – ENTREVISTA Nº 712. - POR SELMO VASCONCELLOS

FOTO: (DIVULGACÃO)

 

MINIBIOGRAFIA

 

Carioca, licenciado em Letras (Português – Literaturas) pela UFRJ, mestre e doutor em Língua Portuguesa pela mesma instituição, com pós-doutorado em Língua Portuguesa pela USP. Participante de vinte e três antologias literárias. Autor do livro de contos A angústia e outros presságios funestos (2017). Professor de oficinas de Escrita Criativa. Revisor de textos.

 

ENTREVISTA

 

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades além de escrever?

CÉSAR MANZOLILLO – São todas atividades ligadas, de alguma maneira, ao universo literário. Tenho formação em Letras (Português – Literaturas) e atualmente me dedico a escrever, a fazer revisão e preparação de originais e a ministrar oficinas literárias (Escrita Criativa). Além disso, promovo eventos literários (bate-papos com autores). Todos que estão ligados ao universo do livro precisam se esforçar para difundir a Literatura. Não se pode contar apenas com iniciativas governamentais. É necessário aumentar a quantidade de leitores. No Brasil, ainda se lê muito pouco.

 

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

CÉSAR MANZOLILLO – Acho que a escola e a família têm alguma coisa a ver com isso. Desde cedo esse interesse surgiu, nem sei dizer exatamente como. Decidi fazer Letras e não parei mais. Foi um processo natural.

 

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

CÉSAR MANZOLILLO – Publiquei um livro de contos chamado A angústia e outros presságios funestos (2017). Além dessa obra individual, tenho participação em outras vinte e três coletâneas e antologias.

 

SELMO VASCONCELLOS - Qual(is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias?

CÉSAR MANZOLILLO – A inspiração surge a todo momento de onde menos se espera. Um filme, uma notícia de jornal, um texto literário, uma situação presenciada na rua... São muitas possibilidades. A sensibilidade e o olhar atento fazem a diferença.

 

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

CÉSAR MANZOLILLO – Graciliano Ramos, Nelson Rodrigues, Florbela Espanca, Manuel Bandeira, Dalton Trevisan, Ruy Castro, Augusto dos Anjos... Não falta gente boa.

 

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

CÉSAR MANZOLILLO – Quando a vontade de expressão artística (literária) é forte, incentivos não se fazem necessários. A gente simplesmente faz.

 

POESIAS

 

POLAROIDE

 

Venho vasculhando com avidez meus pertences nos últimos meses

Encontrei um retrato grande, provavelmente tirado na década de 1980

Não tenho a menor lembrança do instante de nascimento desse registro

Me vejo elegante, jovem, expressão indecifrável e distante

Naquela ocasião, meu rosto já exprimia um certo enfado dirigido ao mundo

Nunca fui fotogênico e sempre tive por hábito fugir das câmeras

A perenidade me intimida

Nas mãos, minha própria imagem e a seguinte questão:

o que fazer com esse enigma emoldurado.

 

TRAGÉDIA FELINA

 

O gato preto e só

No muro

Ínfimo, um ponto escuro na vastidão

Azar, malogro

Desdita, infortúnio, revés

O sol no céu

Verão abrasador

O gato preto e esquivo

Sem dono

Sem pausa nem paradeiro

O pau certeiro no couro do gato

Perfura a carne

Sem adversidade nem angústia

A dor do gato preto atordoado

Não comove ninguém

O pau preciso no couro do gato

O riso, marfim exitoso e pleno

Satisfação deleitosa do ato

O sangue turvo do gato preto

Colore o muro

E goteja o chão

Expirar é apenas questão de sina

 

MUSEU

 

O acervo

O esqueleto

O dinossauro

O crânio

O fóssil

A baleia

A múmia

A pesquisa

 

Foge daí, Luzia, você vai se queimar!

 

A inépcia

A chama

O descaso

O fogo

 

Mais nada.

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