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MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

7 de Agosto de 2019 às 16:28

 

EM MEMÓRIA  (+29 de julho de 2019)

 

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA – Brasília, DF.

Entrevista realizada em 7 de FEVEREIRO de 2009.


Emanuel Medeiros Vieira nasceu em Florianópolis, SC, em 1945. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do SUL- UFRGS, 1969.
Morou em Porto Alegre e São Paulo.
Reside há 30 anos em Brasília. É funcionário de carreira da Câmara dos Deputados.
Foi vendedor de livros, professor, jornalista, crítico de cinema, editor e redator de discursos parlamentares.
Tem 19 livros publicados e um romance no prelo.
Participou de mais de 50 antologias de contos, poemas e crônicas.
O segundo e o terceiro volume de suas memórias - "Cerrado Desterro" - serão publicados em breve.
Emanuel já foi contemplado com inúmeros prêmios literários.
Recebeu o primeiro premio literário aos 21 anos, em 1966, em concurso patrocinado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRGS.
Foi contemplado com o Troféu Candango de Literatura, promovido pelo Sindicato dos Escritores do Distrito Federal, pela sua novela a "Revolução dos Ricos".
Recebeu O Prêmio Othon Gama D'Eça, da Academia Catarinense de Letras, pelo livro de contos "Os Hippies Envelhecidos".
Uma das maiores láureas que recebeu foi o "Prêmio Brasília de Literatura", concorrendo com centenas de autores de todos o Brasil, patrocinado pela Fundação Cultural do DF, pelo livro de contos "Tremores."
Sua obra foi analisada e elogiada, entreoutros, por Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Mário Quintana, Caio Fernando Abreu, Moacyr Scliar, Deonísio da Silva, Antonio Hohlfeldt, Ronaldo Cagiano, Anderson Braga Horta, Léo Gilson Ribeiro, Afrânio Coutinho, Hélio Pólvora, Antônio Olinto, Carlos Appel, Rubem Mauro Machado, Paulo Leminski, Alcides Buss, Salim Miguel, Flávio Cardozo, Silveira de Souza, Lourenço Cazarré e Assis Brasil.
Sua obra foi tema de dissertação de Mestrado na UFSC-Universidade Federal de Santa Catarina.

SELMO - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
EMANUEL - Trabalho também como jornalista.
Fui vendedor de livros (também fundei cine-clubes e fui dirigente estudantil), crítico de cinema, professor, redator de discursos parlamentares durante mais de 10 anos, editor, funcionário público.
Sou também formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 1969. Mas optei pelas letras.

SELMO - Como surgiu seu interesse literário ?
EMANUEL - Desde o curso primário. O que sempre amei foi ler e escrever.
Lia tudo. Li muito. Escrevi histórias. Meu primeiro romance foi escrito antes dos 18 anos.

SELMO - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?
EMANUEL - Publiquei 19 (dezenove livros). O vigésimo - um romance - já está em fase de edição. Em breve, estará na rua.
Como o segundo e o terceiro volume de minhas memórias (já escritas), "Cerrado Desterro."
Participei de antologias no Canadá e minha novela "A Revolução dos Ricos" foi traduzida para o inglês.

SELMO - Qual a atmosfera propicia aos seus impactos literários ?
EMANUEL - Qualquer ambiente, visão - minha literatura é muito "cinematográfica" - pode me tocar. Um olhar de uma moça na parada de ônibus, o jeito de algum passante, o canto de um pássaro. Conseguia trabalhar com mais ruído: hoje prefiro o silêncio.
Escrevo todos os dias, todos.

SELMO - Quais os escritores que você admira ?
EMANUEL - Admiro muitos. Influências ou confluências?
Modéstia à parte, ajudado pela atmosfera familiar - meus pais liam muitos, meus irmãos e irmãs também-, e pela formação em colégios jesuítas do Sul, li bastante. O bem que mais valorizo é a minha biblioteca.
Meu pai sempre me dizia que o único bem que não podem nos roubar é o conhecimento. Esse ninguém tira da gente.
Autores? São tantos. Releio Machado todos os anos.
Me toca muito a literatura de Doistoievski, Kafka e Camus.

SELMO - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
EMANUEL - Nunca gostei dos conselhos "oficiais".
Cada escritor terá que escolher o seu caminho. E não desistir. Lutar com fibra, garra e paixão.
Acreditar na inspiração. Mas nunca esquecer da  "transpiração". Do trabalho constante. Cortar, enxugar, lapidar. E ler, ler muito.
Precisamos de escritores bem formados, bem preparados, não carentes de leituras básicas.

EMIGRADOS

PARA SELMO VASCONCELLOS

Emigrados:
seremos sempre,
emigrados

Em busca de outro mar,
da última ilha,
seguindo os pássaros,
atrás do último pássaro.

De um mar a outro,
de uma ilha à outra ilha,
e, então, dormiremos,
uma noite sucedendo-se à outra.

***
AGREGAR

Não Matarás”: não basta.
Teu mandamento será este: farás tudo para que o outro viva.
É vero sim o que quero:
não me importa o estoque de teu capital, Brasil,
mas tua capacidade de: amar
lavrar
aspirar
compreender.

Esse estatuto de miséria não é o nosso,
e a tecnologia da última geração não me sacia:
meu coração navegador quer mais.
A Ética – cuspida, debochada, no reino do simulacro,
Virou produto supérfluo porque não tem valor contábil.

Tempo dessacralizado e sem utopia:
a esperança é um cavalo cansado?
A aventura acabou no mundo?
Seremos apenas meros grãos de areia na imensa praia global?
Habitantes de um mundo virtual neste mercado sem cara?
Soará pomposo, eu sei:
não deixemos que nos amputem a alma
(e que acolhamos o outro).
Ser gente: não mera massa abúlica, informe, com os olhos colados
no retângulo luminoso de todas as noites.
O tempo é apenas dos alpinistas sociais?
Sou bom porque apareço, não apareço porque sou bom.

Na internet a solidão é planetária.,
mas do abismo – fragmento – irrompe um menino eterno,
e sentes o cheiro de uma manhã fundadora.
(A Morada do Ser é mais importante que o poder/glória.)

E o poema resiste,
singra a eternidade,
despista a morte,
seu estatuto não é mercantil.

Já não esqueces o essencial:
Na estrada de pó e de esperança, acolhes o outro.

*Este texto obteve o Primeiro Lugar no Concurso Nacional de Poemas,
promovido pela Associação de Cultura Luso-Brasileira, de Juiz de Fora,
Minas Gerais, sendo contemplado com a Medalha de Ouro “Jacy
Thomaz Ribeiro.”
O tema do concurso foi “Solidariedade: Por um Mundo Melhor”.

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Selmo Vasconcellos

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