close
logorovivo2

MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

15 de Março de 2019 às 14:08

 

MARCOS QUINAN – Belém, PA.

Chapada do São Marcos

Chapada do São Marcos
bera do Ri do Braço
Vai Vem é afruente
entre águas
entre rios
meio de cerrado
onde avoa codorna
e ispanto perdiz nos passo

na porta da casa
bambuzá parceiro de vento cantadô
na porta da casa tamém
um pau frondoso
que cumula sombra nos embaxo
as foia sôrta antes da frorada
e arcochoa a sombra
pr’eu deitá cum meu amô
se cai fror durmida
nóis panha e se prefuma
se cai diurna
nóis se farta de cheiro que nem beija-fror

teno tropa prá tocá
nóis vai no passo manso
mode num cansá animá
mode tê paga boa
corda cedo
dia sem raiá
móia os pé no sereno
prá animá incontrá
no pasto pequeno
nóis campeia eles
traiz, arreia e vai gado buscá
Istimosa, Paridera, Esperança, Lambari ...

às veiz nóis passa no vau
céu vermeio parino o sol
merenda já tá cherano
o corpo recrama sustança
nóis tira o leite
aparta o gado
e atende o corpo cum zelo

pur pricisão às veiz
nóis mata um capado já chei de ingorda
aí é festança
nóis sangra ele antes da lida do gado
mode as muié aprepará
a limpança, o discarne, o retaio
fazê a lingüiçada e as armôndega

se truveja nas cabicera do Braço
nóis fica preparado
água do ri vai lambê as berada
e favorecê a distoca
aí, é o imborná de paçoca
a cabaça d’água e o invergá do corpo no eito

nos ôi de inxada cumulado na vida
o atestado de labuta
coisa que os calo das mão
num faiz pur sê só dois
o da firmeza e o da repuxa

adipois da lida
no terrero, em vorta do lume
cum as istrela recamada no céu
a cheia fazeno crarão
os vaga-lume riscano o negror da noite
na guardança da terra

nos calo da mão
o cantadô recebe a viola
e na quietude
canta sua dismidida querença

ah Sertão do São Marcos
divisórias águas do Braço da minha vida
num achei a sabedoria de ficá
e me perdi nos caminho de vortá
******
Caminho

Vim de carrascais
E beiradas
Terra de bem-te-vis
E pequizeiros

Lá onde o orvalho benze
A manhã todos os dias
E a vida que nasce
Vem da raiz
Pecha cedendo
Ao fecundo

Nas veredas
E descampados
Buritis se põe em fila
Sanhaços e sabias
Criam crias e cantos
Céu afora

No campo aberto
O vento toca doce
E dançam as folhas
Acompanhando o farfalho
Enramado na canção

O cheiro da terra
Valora qualquer respingo
Que põe fartura no ar
De lá vim sonhando
Com tanto caminho
Sem saber
Que o caminho era eu
*****
Porto Velho

Esturro silencioso
Esbanjando rebojos
Perfumando o ar
Vestindo a mulher ausente
Que na lembrança mora

Madeira desce madeira
Despe meu olhar
Fincando nos olhos
A imensidão
Ferindo o tempo
Da minha angústia
Limpando as terras caídas
Que tenho no coração

Segue, segue...
Em harmonia, ramaria
Bracejando lentas
Entre estridor
E raízes gemendo
Incendidas de embriaguez
Dançando nos cantos das margens

Revejo o Madeira
Descendo madeira
Emoldurando em seus mistérios
A sensual mulher ausente
Bramindo curvas
No desenho do pensamento
Entre meu olhar e o rio
*****
voz do andirá
para thiago de melo

em ti algo de melodia
denso de simplicidade
espraia em palavras
o poder da canção
anuncia a esperança
no mormaço dos quintais
rema rimas no caminho
sem sina de se calar
sonha dias e destinos
sonha rios, sonha mar

em ti algo de melodia
ressoa pela floresta
são gritos de liberdade
na aurora ribeirinha
afiando o corte da voz
que, rente ao chão,
luta contra o escuro
das indiferenças
e desigualdades
com talhos de esperança
e gestos doloridos de amor

MAIS COLUNAS

Selmo Vasconcellos

PRIMEIRA PÁGINA
RONDONIAOVIVO TV
DESTAQUES EMPRESARIAIS
PUBLICAÇÕES LEGAIS