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MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

12 de Fevereiro de 2019 às 17:07

 

 

GERSON VALLE

CANTIGA ANTIGA

Caminha, caminha, sozinha entre as vinhas
a moça que eu quero e não sei se ela é minha.
Mas minha é a vinha formada de dia
com cachos de suco maduro dos sonhos

caídos da noite de orvalhos, serenos,
em gotas de gostos tão gratos à boca.
Caminha, caminha, vermelha alegria
do sonho mais pleno tirado das vinhas...

E ainda caminha, caminha, sozinha,
a moça que eu quero e não sei se ela é minha.
Mas sempre me vem como sempre me vinha
das vinhas o vinho fazer companhia.

A minha mocinha sozinha entre as vinhas
se torna velhinha e ainda sozinha;
a vida envelhece a mulher, de verdade,
e o vinho prossegue em barris sem saudade.

Enquanto caminha sozinha entre as vinhas
a imagem da moça das vias do mundo,
sem nunca saber se, de fato, ela é minha,
recebo dos vinhos o dom da alegria!

 

SALOMÃO SOUSA

Ser um deus num céu de terra...

Ser um deus num céu de terra
Sereno na serra sereno como as águas
deus trem sobre os trilhos
Ser simplesmente na terra
um deus penumbra um deus sombra
Sombra sem nenhuma fome
sobre as nádegas sobre as águas
Após as nádegas após as águas
são os umbigos que estarão belos
Serão flores serão cogumelos
Como será feliz ser um deus
Este deus terra este deus novilho
só para poder comê-los
como umbigos como cogumelos

Após os umbigos após os cogumelos
é a terra que se mostrará bela
Será talhos e será trem e também trilhos
Como será ser feliz ser o deus viagem
Este deus fome este deus navalha
só para poder partir e poder comê-la
como talhos como terra

 

BRASIGÓIS FELÍCIO

A CASA DO PEIXE

Cada peixe tem sua água
e a sabe verdadeira
-a água não o afoga
pois é sua madre.

Onde o peixe tem sua água
nada com sabedoria.

Sentir-se em casa
e sua memória
é toda a sabedoria
de que se recorda.

 

CARMEN REGINA DIAS

A PALAVRA MÁGICA

Procuro a palavra mágica,
aquela que beira as margens do eterno,
que gosta de água,
que respira entre seixos e ninféias,
junto aos papiros, algas e musgos.

Ela é pura ternura.
Brinca com as tilápias,
salta fora d`água,
se esfrega na areia,
espanta insetinhos,
beija as flores,
brinca com o vento...

Ah, essa palavra ri muito,
mas, às vezes, chora.
Nessa hora, fecha os olhos e reza.
Até que ela venha,
até que ela chegue,
silenciosa, amorosa, alma.

E a transubstanciação se inicia:
primeiro, ela torna as penas em poema,
e depois de um longo abraço,
torna o poema em poesia.

 

WILSON GUANAIS

Vasto

vamos ficar
assim
um instante
agarradinhos
acolhidos
um no outro

enquanto
o tempo
nos devora

nosso Amor
alimenta Deus

 

LEINECY PEREIRA DORNELES

MEU PORTO SEGURO

És uma estranha nave, que ancorou,
junto ao cais de minha vida.
Viestes de longe,
de distâncias ignoradas.
Correstes solidões adormecidas,
os ventos que te impeliram, já pararam,
e as ondas remotas que sulcaste,
entre sargaços verdes e espumas brancas,
já desfaleceram...
E ficaram perdidas noutras noites.
E as estrelas sem fim que te iluminaram,
já perderam todo o brilho e se esconderam,
atrás de nuvens, que te tiraram as lindas cores.
Viestes e te quedaste à sombra,
do meu silêncio...
E, aqui sobre a água mansa e recolhida,
tu me és a sugestão indefinida de tudo...
De tudo em teu ser, que ficou distante,
de minha vida.
E , quando me supões, mais ausente de ti,
de alma diluída,
na tristeza de mim mesma,
é quando mais te sonho...
Pois é...
Quanto mais mergulhada estou
no teu mistério...
Teu mistério de nave de outros mares,
que ancorou junto ao cais de minha vida,
e, que aos poucos foi se transformando,
de repente, em meu porto seguro.
Sim porto...
MEU PORTO SEGURO,
de amor, carinho e felicidade...

 

DANIEL MAURÍCIO

Folhas Secas

 

As folhas secas

São almas de borboletas

Aprendendo a voar.

 

KEDMA O’LIVER

COSTURANDO LETRINHAS

Procuro meu baú
Retalhos de pensamentos
Olho os flashes coloridos
Que ficaram dos momentos
Vou costurando o tempo
Juntando velhas lembranças
Fazendo novos versos
A mente não se cansa
Traz lá do passado
Fios de emoção
Entrelaça com o presente
Balança o coração
E assim, bem costurado
No tecido da mente
Na máquina da vida
A poesia se faz presente.

 

NEUSA ZANIRATO

PRIMAVERA GEOGRÁFICA

Nas luas de setembro nos encontramos

Entre estrelas e galáxias, sóis e girassóis,

A sós, no mesmo universo que criamos.

-E recriamos a primavera nos lençóis.
faz sol

 

SELMO VASCONCELLOS

Depois de longos meses sem dormir,

pensando em você.

Hoje, eu dormi e

sonhei com você.

 

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