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MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

17 de Dezembro de 2018 às 16:36

MOMENTO LÍTERO CULTURAL

FOTO: (DIVULGACÃO)

01-SAMUEL CASTIEL

PRA FALAR COM DEUS

 

Inerte, nu e sem nenhuma emoção
Quero  ficar assim mudo, estático
feito cadáver estirado sobre a pedra fria
Sem pensamento algum a  transgredir a minha mente
Deixando apenas o ar úmido e morno
Insuflar os meus pulmões suavemente ...

Não quero ninguém por perto desse morto
Nenhum residente ou legista ateu
Não quero o incômodo das orações
Nem mesmo a luz tosca das velas...
Assim talvez possa eu longe das minhas  quimeras
Não ter sonho algum,  violação ou pesadelo
Assim talvez  possa eu falar comigo mesmo,
Talvez assim  possa eu  falar com Deus!...

02-JOSÉ NÊUMANNE PINTO

Magnificat
Para minha Madonnella de Campina Grande

 

Quando estou dormindo e meu amor me abraça por trás,
Sinto que Deus cala e observa a harmonia de sua obra
E o diabo cede a um cansaço de milênios para cochilar.
As ondas do mar suspendem seu salto na areia
E as estrelas ficam perfeitamente visíveis no céu,
Ainda que o sol atravesse a vidraça do quarto
Para beijar nossos lençóis, nossas fronhas e nossos cabelos.
Então, meu amor coça a ponta do nariz nas minhas costas.
Percebo que não há lavas nos vulcões em erupção
E os anjos tocam em sua fanfarra um ritmo de axé.
Vem um cheiro de pão quente da Padaria das Neves
E o fluxo dos rios altera as rotas dos viajantes.
Embarco numa viagem de férias por um instante
Quando a mãozinha de meu amor pousa na minha
Sobre o peito cansado de guerra e, enfim, em paz.
Meu amor ressona no meu ouvido suavemente
E me pergunto, atrevido, em quantas manhãs mais
Me sentirei feito um bobo de sua Corte Real.
Ao beijar seus lábios de caju assim logo cedo,
Mordo a maçã do Éden, bebo um gole de coco
E estico os músculos como se nada mais houvesse a fazer
A não ser dançar uma valsa de Strauss
Em algum terreiro baldio do sertão de minha infância.

03-IVES GANDRA DA SILVA MARTINS

Soneto De Vida Interior

 

Senhor, põe-me, outra vez, à Tua frente

E faze-me encontrar o Teu caminho.

Perdido fui e sou, se de repente

Somente a mim me entregas e sozinho.

 

Quantas vezes me sinto diferente

E volto a ser, no tempo, descaminho!

Quantas vezes Te fito e sou descrente

E, no espaço, me faço agreste espinho!

 

Senhor, mostra-me sempre o Teu amor,

Qual tesouro enterrado num terreno,

Valendo mais que todos, pois que é vida.

 

E faze-me Teu filho no que for

A vivência daquele tom sereno,

Que me leva à chegada da partida.

04-EDUARDO WAACK

Brigando comigo mesmo

Brigando com todo mundo

Brigando com a família

filhos carteiro cachorro

e a minha própria sombra.

Brigando com o sistema.

Brigando mas sem perder o diálogo

e nem monologando:

Aprimorando a palavra.

Redescobrindo os caminhos

Que a briga respeitosa

Apresenta. Compre esta briga,

E siga comigo!

05-ANETH SANTOS

Fábrica de Neuróticos

 

Quebra a cabeça

quebra o nariz

quebra a cara

dana a vida

que essa vida colorida

ao em sonhos minha cara

 

o mal em cada raiz

corda bamba por um triz

bate o relógio que “tá” na hora

é tudo lógico, elementar

e se eu não for, dana-se o mundo

com tanta conta, para se pagar

 

veste um sorriso, que a vida é isso

pura mentira, hipocrisia

tudo começa, nada termina

no grande templo das heresias

tantos vendidos, loucos protótipos

dessa fábrica de neuróticos

06-MARA PITTALUGA

Leveza

 

Quando as Lágrimas

não fizerem mais cerimônias

e o versejar dos dias

passar sem o apego das horas.

a liberdade virá

nos tons verdadeiros

e se eternizará

com a leveza da alma

07-JÚLIA TRINDADE

Insolúvel

 

O que fazer

para parar o tempo

que nos distancia tanto?

 

O que fazer

se a cada manhã

mais o tempo acentua

minhas rugas?

08-VIEIRA VIVO

Involução

 

Armamentos, estilhaços, mutilações,

força bruta, campos de refugiados,

opressão, atentados, explosões:

Século XX – enfim, civilizados!

 

Armamentos, estilhaços, mutilações,

força bruta, campos de refugiados,

opressão, atentados, explosões

Século XXI – fim aos civilizados!!

09-CLÁUDIA BRINO

Insônia braba

 

A ideia se ajeitou

nos lençois da insônia

 

e não conseguiu,

de forma alguma,

 

em nenhum momento

dormir com a lua

10-SELMO VASCONCELLOS

ACONCHEGO

O que é viver?
Viver é ter coragem de nada possuir.
É após atravessar as ruas sem asfaltos,
Às vezes, com lama,
Chegar em sua modesta casa,
Com um portão caindo aos pedaços.
Chegar em casa com muito frio,
E ter que tomar um banho
Com a água mais fria do que
O próprio frio que vem sentindo,
Viver é chegar em casa e encontrar aquele
Sossego e pensar:
Esta é a minha casa!
Lugar onde posso descansar o meu atribulado espírito.
Lugar onde encontro os meus melhores amigos.
Minha modesta “mansão’.
(Um pouco do céu que nos está sobrando).

 

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