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MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

10 de Dezembro de 2018 às 15:05

MOMENTO LÍTERO CULTURAL

FOTO: (DIVULGACÃO)

01-JOSÉ CARLOS SÁ

ASSIM SERÁ

 

Quando chegar o grande momento,

Do nosso grande dia,

Direi frases banais

E você se empolgará

Enquanto saciarmos nossa fome e sede.

No dia seguinte, não resisto e lembro Chico Buarque:
“Não conte até vinte e te afastas de mim”.

Agirei como se nada houvesse acontecido.

Não demonstrarei nenhum sentimento,

Nenhum olhar de reconhecimento, nada.

A partir deste momento, esqueça tudo.

Tudo será passado.

Assim será.

 

02-ROSANI ABOU ADAL

Contemplação

Presa no meu dormitório
tento dividir a solidão com o peixe
cercado de paredes de vidro.
Cabisbaixo no fundo do aquário,
absorto, perplexo, faceio,
companheiro me olha.
Quero tocá-lo e senti-lo
através da parede invisível.
Ele acompanha meus movimentos,
entende meus sinais.
Nada e nada e bóia na superfície
à espera de carinho.
Suavemente toco
suas escamas sedosas.
Ficamos horas a nos contemplar.

 

03-LOURENÇA LOU

o amor nosso de cada dia

 

ele andava torto pela vida

passava por amores e não os reconhecia

carregava os bolsos cheios de cansaços

 

ela não era mulher de muito amar

tinha bolsa pesada de interesses sólidos

e dormia numa confortável cama vazia

 

tropeçaram um no outro debaixo de um ipê

reconheceram-se cobertos de flores amarelas

e viram-se par nas adversidades da vida

 

ele desentortou a coluna e fabricou um elefante

ela esvaziou a bolsa e descobriu o significado de epifania.

 

04-MAURA SOARES

AUSÊNCIAS

 

De quantas ausências sou feita?

Foram tantos os dias de espera...

do teu sorriso 

do teu carinho 

dos teus afagos

De quantas horas precisei para me lamentar? 

da tua falta 

do teu abraço não dado 

do som da tua voz

Quantas ausências

...as horas de conversas

...o café da manhã

...os passeios à praia

...as fotos da natureza

Quantas ausências aguentei?

na hora da minha glória 

nos momentos com amigos que me amam...

O que lamentarei?

...as ausências que não preencheste.

 

05-RUTE PIO LOPES

Na maré

 

 Deixo que baixe a maré 

 Que as pulgas saltitem diante do pé

 Que o barco descanse do balanço 

 Enquanto no molhado avanço 

 Que as conchas se avistem

 E as algas na areia fiquem 

 Oiço agora os sons da maresia 

 As gaivotas, tantas, em gritaria 

 Caminho sozinha contra a ventania 

 Na lucidez da minha companhia 

 Em hora diferente, cada dia 

 

06-LUCIANA ELEOTÉRIO

Juras de bem-me-quer

 

Gosto quando você sussurra

palavras bobas, entre outras coisas

E juras de bem-me-quer

Gosto quando você me abraça

E sem dizer qualquer palavra

Faz despertar os meus instintos de mulher

Enquanto a noite vai se apagando

e nossos desejos se consumando

Os nossos corpos se amam sem pressa

O sol vem anunciando o dia

A luz denunciando a alegria

dos olhos que brilham em festa.

 

07-CLAUDIA LUNDGREN

Retrato de mim

 

"Não sou mulher de forno e fogão

 Da casa impecável, da cama arrumada

 E sim, daquelas que batem cartão

 Acordo cedo todo dia

 Sou esteio da família

 De mim sai todo o pão.

 

 Da minha casa sou sustento

 Mulher de contas e boletos

 Poucas vezes eu pedi:

 "Me dá um dinheiro aí?"

 Mas inúmeras vezes 

 Essa frase pude ouvir

 

 Já venceu a água? A luz?

 São muitas prestações...

 O gás acabou?

 O remédio terminou?

 Preciso saber também

 Se a despensa esvaziou

 

 Não sou mulher de festa e balada

 Minhas noites, sempre em casa

 Tomo um banho, ponho uma roupa

 Pego um café, companheiro fiel

 Entra em cena o meu lado poeta

 Sou mulher de caneta e papel."

 

08-CLAUDIA MANZOLILLO

VAGO LUME

 

Já não me procuram mais

a vaga, o marulho das águas

o ir e vir

já não me procura mais 

o vento, sopro de Deus 

no rosto de barro.

 

Enquanto isso

acalanto

o inseto verde

que insiste

em pousar sobre meu peito.

 

09-JOSÉ ANTÓNIO CARVALHO

Se o Amor

 

Não fosse como este sábado escaldante,

Preferia-o um domingo temperado,

Talvez um sábado noite orvalhado,

Numa aura de bem-estar refrescante.

 

Se se revelasse só em palavras de ternura

Ou na doçura dos teus beijos sinceros,

No desabrochar das flores dos canteiros

E na gaivota que ao alto-mar se aventura.

 

Se não o visse nas estrelas do firmamento

Brilhantes sobre as águas paradas do rio.

Almejaria eu outro querer… Se só acalento:

 

Senti-lo florir na força de cada inverno frio,

No emergir do mar a razão deste sentimento,

Amor que a qualquer estação dou e anuncio.

 

10-ADELINA VIANA

 ESPERANÇA

És a poesia que habita em mim
 e me percorre sem fim.
Transformas o meu corpo num rio em chamas...
E, meu amor, não me amas? Amas!?
Ou já vim demasiado tarde?!
És o barco no mar...
E eu sou cobarde!
Por te amar...
Sou a voz, muda, que não pára de te chamar
És,a felicidade, deste coração outrora vazio
Sou, este silêncio, que não se exprime
Sou um barco receoso no rio
E tu, a esperança, deste AMOR, sublime!

 

11-ELENICE DORNELES

SEGREDOS POÉTICOS

 

Vou guardar-te em segredo

Em cada verso do meu pensar

Em cada rima

Que Teu olhar se acende

Em cada ponto

Que teu céu se esconde

Vou guardar-te em segredo

Sobre todas as noites nuas

E em cada frase

Que os lábios teus beijar

Vou guardar-te coração meu

Para estar comigo

Quando a saudade chamar

 

12-IVY MENON

escreve_dor

 

escrevo pra iludir o tempo
que sôfrego engole-me palavras
pra matar a raiva in_contida
e os gritos todos incapazes

 

escrevo pra devorar os monstros
que habitam debaixo das águas
escrevo correntezas azuis em solo estéril
e arranco mordaças brancas do papel imóvel

 

escrevo pra escapar das horas
que relógios teimam lembrar
escrevo porque a vida me espreita
e a morte me tira pra dançar

 

13-SELMO VASCONCELLOS

SER,  GENTE

 

Semente

Surgiu um ser

Nasceu um ente

Corpo, alma, mente

Todo em forma de gente.

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Selmo Vasconcellos

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